quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Já não há quem aguente.

via Google
Na Madeira estão agora preocupados com a inconstitucionalidade da aprovação de medidas de austeridade mais gravosas para o arquipélago do que para o resto do país.

Embora com esforço consegui rebater o impulso de ir comentando a par e passo o tufão noticioso que teve origem nas ilhas de Alberto João Jardim. As análises à posteriori no geral e esta que lemos em particular, têm a vantagem de melhor relacionar todos os dados que foram conhecidos sobre um determinado tema, o que permite uma visão mais global e por isso mais completa. Digamos que vemos a totalidade da imagem e não apenas fragmentos.
No meu caso soma-se ainda a benesse de esfriar o temperamento, que o tenho facilmente inflamável.

Nesta campanha eleitoral para as eleições regionais madeirenses vimos de tudo e de nada um pouco.

Vimos surgir um colossal, este sim, buraco;
vimos Alberto João Jardim dizer várias coisas, as segundas contrárias das primeiras mas coerente no que à responsabilidade diz respeito: de todos menos dele e se dele por legítima defesa;
vimos o orgulho Madeirense na sua obra;
vimos o desprezo pelas consequências de tais despesismo;
vimos várias declarações dizendo que o Tribunal Constitucional já avisara do escavar madeirense;
vimos a comunicação social tremer sob o estalo do chicote de Pau;
vimos as eleições realizarem-se com alegadamente graves ilegalidades;
vimos carrinhas de empresas públicas madeirenses acartarem votantes para as urnas;
vimos responsáveis por freguesias darem uma ajudinha ao voto;
vimos e ouvimos declarações de que na Madeira, assim, é normal e já houve pior;
vimos uma "mais pequena" maioria absoluta dos do costume;
vimos a declaração de pedido de demissão do representante da CNE devido a motivos "pessoais";
vimos o lider da J laranja participar activamente, na tentativa de incêndio de um orgão de comunicação social "não alinhado" com direito a cântico próprio que me recuso a repetir porque não gosto da palavra "Olé!", "filhos da puta" não me importo de escrever;
vimos o líder regional do 2º Partido mais votado a abdicar do mandato e a fugir para a Assembleia do continente;

E agora?
Não vemos ninguém interessado em responsabilizar criminalmente alguém, seja madeirense, continental, ou ambos, pelo sucedido;
Não vemos ninguém interessado em responsabilizar politicamente alguém, seja madeirense, continental, ou ambos, pelo sucedido;
Não vemos a comunicação social erguer-se contra terem ferido um dos seus;
Não vemos nada.
Absolutamente nada.

Já viram se eu perdia tempo a comentar tantas e tão graves ocorrências... para nada?

Será que tudo não passou de fogo fátuo eleitoral?
Será que o défice democrático, à semlhança do económico, é geral, nacional e não tanto, como o apregoaram, insular?



Ainda bem que não ligo a essas coisas...

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