sábado, 15 de outubro de 2011

Não se esqueçam das outras...

via Google
O Governo proíbe políticos de receberem avenças na RTP.
Quem lê esta parangona fica com uma ideia que, ao ler o artigo, clara e rapidamente desaparece.

Em primeiro lugar ficamos desenganados quanto à bomba que o título anuncia. Não há, como o título me sugeriu, obscuridade e trapacice, nada de políticos a receber dinheiro às escondidas por motivos dúbios. O que está em causa são os honorários pagos aos políticos pelas suas intervenções na televisão pública, que no parecer de Miguel Relvas são inexplicavelmente mais generosos do que os dos operadores privados. Dado o facto de falarmos de avenças entre €100 e €600 não me parece que, mesmo dando de borla a razão ao ministro, o excesso de generosidade da RTP tenha muita margem para ser extraordinariamente vasto.
Que desilusão, ficar extremamente estimulado com a ideia do sangramento em praça do povo e afinal ser só privada menstruação em final de tempo e fluxo.
Quer isto dizer que na RTP não haverá mais lugar a comentários de políticos com cargos públicos ou que continuará a haver desde que o façam de borla?
Confesso que quando imagino um político, tal como nós, a pagar a crise, espero bem mais do que isto.

Na cadência que a última frase nos deixa, chega-nos o segundo ponto.
Miguel Relvas diz: "A RTP não pode ficar à margem do esforço financeiro que está a ser exigido a todos os portugueses neste momento de emergência nacional."


Unindo as minhas deficiências com o desiderato pedido ao país, isto é, sendo rigorosos, a afirmação do ministro inicia logo com uma falta à verdade. Miguel, o esforço financeiro não está a ser exigido a todos os portugueses. Por jogo linguístico ou meramente por ser verdade o facto é que nem todos fazem um esforço financeiro e os que fazem não partilham a mesma intesidade de esforço. Isto acontece distribuido por bolos, sendo, na minha óptica, os principais os seguintes:
"Os pobres" - não pagam na teoria mas são os que mais sentem. Ora, na prática, os que mais pagam.
"A classe média" - pagam na teoria e sentem na prática. São os tramados porque ficarão pobres.
"Os ricos" -  são os que mais pagam na teoria mas os que menos sentem na prática. Ficam na mesma.

Existe ainda um sub-grupo curiosamente transversal a todas as classes: os ladrões. Estes nada pagam em nenhuma teoria e menos que nada, evidentemente, pagam, em qualquer prática.
Há quem diga que este sub-grupo é, na verdade, bastante vasto... Dizem!

Finalmente, porque a lógica popular nos obriga a ter um terceiro ponto quando dois anteriores existem, o Governo propõe que os vencimentos dos quadros da RTP/RDP não ultrapassem os €6523 mensais, valor tomado como referência por supostamente ser a remuneração do nosso Presidente da República.
Serei extremamente breve.
Não há como não estar de acordo com isto.

Não se esqueçam é de limitar a remuneração a TODAS as empresas e organismos com pagamentos do Estado está bem?

É importante...

2 comentários:

Daniel Santos disse...

bem observado.

André Couto disse...

Daniel, volte quando quiser.
Obrigado.