quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não é um cinto, é um espartilho.

via Público
Passos Coelho deu a conhecer ao país as medidas de contenção da despesa austeridade do Estado que o governo levará a cabo com o intuito de cumprir o memorando de entendimento com a troika.
Falamos, evidentemente, de medidas muito duras. O Estado procura aumentar a sua receita quer através do aumento direto da mesma, com novas cobranças, quer com cortes na despesa, sendo que esta "despesa" sai do nosso bolso e não da tão falada gordura do Estado.
Sejamos sinceros. Estávamos à espera de quê? Figos?
Confesso que admiro a honestidade de me olhar nos olhos enquanto me apertam um testículo.
É de Homem.

O estado do Estado é calamitoso, podemos afirmar que o sabemos, ainda que por apenas no-lo terem dito. Estamos falidos. O empréstimo que pedimos chega em controladas fatias e só se nos portarmos bem.

Qual seria a alternativa? Uma solução exequível, entendamo-nos?

Há pouco tempo os media ejaculavam tumultos e revoluções, greves e procissões, o rebentamento do dique que contém os vândalos e cabrões.
Nada disso, para já, acontecerá.

O Povo português é extremamente singular. Tem características únicas moldadas pela sua História. Sim, o fado. Sim um trauma carneirista fascizóide,pois claro. No entanto somos um povo determinado. Encornado, se quiserem. Não vamos para onde os outros querem, não seguimos, muitas vezes, pelo caminho que só a nós mesmos beneficiaria seguir. Não somos muito espertos. Mas somos teimosos. Encornamos.

Nas passadas eleições o memorando de entendimento com a troika foi subscrito por todos os eleitores, não tenhamos a mais pequena dúvida. Se PS, PSD e CDS firmaram, com tinta, o documento, no último acto eleitoral o Povo de Portugal rubricou esse mesmo tratado, não com tinta, mas com o seu sangue. Os Partidos que escolheram a errada estratégia de se porem de parte na negociação com o triunvirato foram, sem o esperar, postos de parte nos votos dos eleitores.
Sim temos os votos no PCP, mas esses sempre os mesmos. (Não critico, notem bem, apenas o constato.)

Por tudo o que expusemos até ao momento a conclusão a retirar é por demais evidente:
A margem de manobra deste Governo é total. Não tenho medo de o afirmar. Reitero-o, pois!
Estamos, enquanto nação, dispostos a sangrar por este país.
Não haverá tumultos, a não ser os politicamente organizados.
Não haverá pilhagens e anarquia. Portugal está encornado em seguir o rumo que a maioria diz ser o único.

Até ao último limite.
A crença.
Quando e se os portugueses entenderem que tanto sacrifício não serve para resolver o problema, meus amigos, a reação será explosiva e incontrolável. Não haverá cacete capaz de segurar um luso enrabado e sem esperança.
Como diria o Bush (pai ou filho, é indiferente):
Make no mistake.

Governantes do nosso país, por favor, para o vosso e nosso bem,
não nos enganem. Se não nunca mais nos controlam.
Garanto-vos.

2 comentários:

Anfitrite disse...

Acho que está com um ar demasiado manso, para não ser controlado. Diria até
que está a perder muito tempo com o que não interessa. Espero que aproveite melhor a 1/2 hora.
_Até afirmou que o outro sabia a resposta, quando se esqueceu, só de 360milhões. E era melhor que ele não fosse preparado para esta resposta. Seria ingenuidade, já que arte para mentir não lhe falta. E é o semhor que fala da passividade dos potugueses?!

André Couto disse...

Anfitrite,
antes de mais gostaria de lhe agradecer ter passado no meu blogue para escrever uma coisa tão interessante. Só depois percebi de onde veio e, lá pude ler mais algumas das suas preciosidades.

Como espero que compreenda, é tremendamente difícil, para não dizer impossível, explicar a um invisual nato a diferença entre o vermelho e o verde. Apesar da aparente impossibilidade da tarefa escreverei devagar para que o meu caro possa acompanhar.

Analfabetismo e iliteracia são conceitos distintos. Enquanto no primeiro um indivíduo é incapaz de perceber os caracteres utilizados na escrita, já no segundo caso a abordagem é diferente. O sujeito consegue identificar os símbolos porque os conhece, todavia não os sabe interpretar. Trocando por miúdos (forma de expressão, não estou a falar de crianças ou vísceras, ok?)o iliterado consegue ler sem, no entanto, conseguir retirar qualquer sentido do que lê.
O senhor anfitrite, claramente, padece deste mal.
O meu amigo (também figura de retórica) devia procurar ajuda. Sugiro que tenha uma conversa séria com a sua docente do ensino primário para ver o que terá falhado e, acto contínuo, visite um psicólogo para tentar apurar a origem do trauma que lhe causou o vazio no âmago.
Dou-lhe uma dica:
O que o senhor procura, embora talvez não o saiba (da mesma forma que lê mas não entende) é apenas chamar a atenção.
Muito bom dia para si.
O facto de me insultar, confesso-lhe, não me tira o sono.
Cumprimentos.