quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Do domingo aos coches.

via Google
Francisco José Viegas, atual Secretário de Estado da Cultura, jornalista, escritor, bloguer, apresentador de televisão, sempre foi alguém com quem senti simpatia.
Na passada semana surgiu a notícia de que por iniciativa da sua tutela os museus iriam passar a ter pagas as entradas ao domingo. Muito embora não me choque esta medida não posso concordar inteiramente com ela. Não me vou debruçar, porque posso cair e até magoar-me bastante, sobre a qualidade dos museus nacionais, dos seus conceitos e atores. Compreendo a necessidade de financiamento da cultura mas evidentemente que não é cobrando as dominicais entradas que se vai resolver o problema. A Cultura tem de ser paga via Orçamento de Estado já que a todos diz respeito e a todos beneficia. A lógica mercantilista do emagrecimento do Estado, o tão apregoado corte das gorduras, não pode afectar esta área deste modo. Como nos lembramos começou com a despromoção de ministério a secretaria, com a despromoção veio a desorçamentação e depois os cortes.
Esta política de acultura, estas medidas que focam o empedernir das capacidades intelectuais dos portugueses, tem o claro objectivo de os amansar...Com os lusos mansos os governantes do nosso país ficam com carta branca para tomarem todas as medidas que entenderem pois o espírito crítico estará, como está e mais se quer, delapidado. Advogarão que passar a cobrar os bilhetes ao domingo, por si, não leva ao que aqui temos tratado. Concedo-lhes razão, mas o caminho faz-se caminhando e vê-se bem para onde seguem os passos destes que nos mandam.
Com esta tomada de posição, confesso-o, fiquei desiludido com Francisco José Viegas.
Podemos pensar se seria preferível não fazer nada? Para mim sim. Podemos e seria.

Soube hoje, no entanto, que FJV tomou mais uma pública decisão do seu público cargo, a notícia que fiz ligação, no início, ao Público. Tão melhor desta vez. Seja por princípio ou arrependimento este passo até pode pertencer ao mesmo caminho, mas pelo menos é na direção contrária.

Bem haja por isso.



Sem comentários: