terça-feira, 18 de outubro de 2011

5 noites, 5 dias

via Google
O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que nenhuma investigação que envolva células estaminais e que tenha implicado a destruição do embrião de onde foram recolhidas pode ser patenteada.

Por um lado, como se pode ler na notícia,  "A utilização de embriões humanos para fins terapêuticos ou de diagnóstico aplicável ao embrião humano e que é útil a este pode ser objecto de uma patente", no entanto,   "a sua utilização para fins de investigação científica não é patenteável".

Isto é, utilizar um embrião na terapêtica, pode-se.
Utilizar o mesmo embrião na investigação para se chegar a essa terapêutica, já não se pode.

Não consigo estar de acordo com esta decisão.

Até porque falta a pedra de toque... o tempo necessário após a fecundação para a reprodução celular:
5 dias.

Uma reprodução celular com 5 dias é, sequer, um embrião?

Lamento, mas não concordo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Com esta Economia não há Estado Social que aguente.


Medina Carreira há 20 anos que vem alertando para o facto de que nos estamos a dirigir para o colapso. Lá diz o ditado que não se é profeta na própria terra, e MC tem sido criticado por tudo, desde o estilo, os gráficos, a aparente arrogância e irascibilidade. Nunca ninguém consegue é apresentar factos que o desmintam e os tempos que vivemos são o melhor exemplo da razão que Medina Carreira sempre teve, além disso deve ser difícil manter a compostura quando se vê que nos vamos despenhar, ninguém nos liga puto e ainda gozam connosco.
Logo aos 1min. de vídeo temos a frase que melhor reflete a razão para este estado de coisas:
Sem Economia não há Estado Social que aguente. Ponto. As despesas com o Estado Social aumentam exponencialmente ao mesmo ritmo que as Economias decrescem de vigor. Não há dinheiro para continuar este estado de coisas. 88% dos impostos recebidos são para pagar o Estado Social.

Não há gorduras que consertem este problema. Temos duas hipóteses, ou pomos a Economia a crescer ou temos de cortar nas despesas. Ora se não dependemos só de nós para colocar a Economia a crescer o caminho só pode ser cortar onde se gasta. Estado Social.
Temos pena mas não há alternativa.

A Europa esta desindustrializar-se. Não irá começar a produzir desmesuradamente e a crescer como já cresceu. Sendo o Estado Social um produto da Revolução Industrial e da geração de riqueza, parece mais ou menos óbvio que se não se gerar riqueza, não se pode manter um Estado que tudo pague.
Os portugueses sentem-se enganados, e com razão.
Durante uma crise não seria a melhor altura para cortar no Estado ma sem cortar na Despesa Pública não sobreviveremos.

Desde 2000 que este destino era perfeitamente identificável. Ninguém fez a ponta de um corno. Todos foram uma cambada de românticos que não quiseram enfrentar a realidade. O resultado está à vista.
Vão-nos tirar ao prato na altura em que menos temos para comer, mas a culpa não é da mão que nos tira. É daqueles que, quando podiam e deveriam, nada fizeram. Perdemos 10 anos e agora atravessaremos o deserto, queiramos ou não, custe-nos ou não, não há mais nenhum caminho, podem vir comunistas, bloquistas, marxistas, trotskistas, maoistas, pode vir o Papa que a verdade não muda.
É injusto? Sim.
Há alternativa? Lamento, mas não.
Vai doer? Oh se vai!
E resolverá o problema? Não se sabe.
Há que falar verdade aos Portugueses.

Enquanto foi tempo não se fizeram manifestações e indignações. Andámos todos mansos? Agora é tempo de comer o feno porque não há dinheiro para ração.

Medina Carreira anda há 20 anos a apanhar pancada por dizer ao país que chegaríamos aqui.
Chegámos. Aguentêmo-nos à bronca.

Lendo os outros

Pode ler-se no Delito de Opinião:
"O procurador-geral da República deu ordens para que toda e qualquer diligência de investigação criminal que envolva um político lhe deva ser comunicada pelos procuradores antes de ser executada. Invoca várias razões mas, sobretudo, motivos de "protocolo" e de "cortesia", até pelas muitas queixas já recebidas de ilustres eleitos incomodados com a acção do Ministério Público. Não podia haver expressão mais esplendorosa do miserável Portugal do respeitinho. A partir de agora a mensagem é clara para todo o Ministério Público: Não incomodem os senhores políticos. Desde logo, se não quiserem levar processos disciplinares. Pactuar com isto é regressar ao bafio salazarista do Estado Novo."


Eduardo Dâmaso, no Correio da Manhã

Estará para breve a reactivação da PIDE?

Hein?



Este não apagam.

via Google
A EDP apagou um post de uma utilizadora do Facebook por este não cumprir o código de conduta da página.
Comentário dizia: Eu não pedi um Plano Nacional de Barragens e era um link para uma página onde está um registo vídeo do Programa Biosfera da RTP.

Basta ver apenas a nota introdutória do episódio, aparece logo a seguir ao genérico, para perceber o porquê de os senhores da EDP não gostarem do comentário. Acredito que não seja agradável ter um abre-olhos desta envergadura na sua página. Só tenho dúvidas é que quebre alguma regra do Código de Conduta do Facebook...
Podem seguir o link abaixo.

É que eu também não pedi um Plano Nacional de Barragens.

Devagar se vai longe.

via Google
O salário mínimo nacional aumentou €88 (...)
(...) desde 1974.

Feitas as contas o aumento líquido do salário mínimo nacional nos últimos 37 anos é €88.
Puxando pela memória, e como nasci em 1981 não é necessário grande esforço, tenho a sensação de que temos vivido em constantes crises há 37 anos.

Às vezes apetece-me mesmo perguntar onde anda todo o dinheiro que entrou no meu país...

Que vamos a passo de tartaruga já o sabíamos, agora €88 em 37 anos dá um aumento anual líquido de €2,38.

Lá diz o ditado que devagar se vai longe...

Chuta, Postiga!

via Google
Hélder Postiga marcou os seus primeiros dois golos com a camisola do Zaragoza.
Se seguirem o link poderão ver os golos em vídeo na peça do Público.

Sempre gostei de Hélder Postiga. Puto irreverente e, talvez por isso, mal compreendido adquiriu uma das características chave do Vinho do Porto: melhorar com a idade. A maturidade traduz-se em mais ponderação, maior esforço e consequentemente melhores exibições. É um daqueles jogadores que gostava de ter visto jogar com a camisola vermelha do meu Benfica.
Existem mais alguns que, como não sofro do mal de ser "anti" nada, poderia nomear, mas este post é todo para o Hélder. Não lhe roubemos, pois o protagonismo.

Postiga marco o primeiro golo a contar (já havia marcado mas haviam sido invalidados).
E que grande golo! Um pontapé de bicicleta, no meio de dois defesas contrários, no centro da área.
Depois... marcou mais um.

Espero que com estes golos tenha acabado a fase de "secura" e continue a facturar.

Já agora, lembram-se do Euro2004?
Portugal-Inglaterra.
Penaltis.
Hélder Postiga, o ainda puto irreverente, segue para a marca e...


Chuta, Postiga!!

domingo, 16 de outubro de 2011

Dia dos Primos

via sítio da Junta de Adaúfe
Há dois ou três anos inaugurou-se um ritual na minha família que se está a tornar uma tradição.

As vicissitudes dos tempos de hoje tornam a nossa vivência cada vez mais brusca, rápida, insensível e, até, egoísta. Não temos, como devíamos, o tempo necessário para cultivar e regar os nosso laços familiares e, sejamos francos, mesmo quando essa nesga de tempo surge não estamos para tomar a iniciativa. O tempo lá vai passando e quando damos por isso só estamos com as pessoas que verdadeiramente importam por motivos de nascimento ou morte, isto é, vêmo-los, e nem sempre, no Natal ou então em funerais.

Relativamente aos meus pais tenho a felicidade de estar com eles todas as semanas por motivos mais prosaicos e mais alegres, juntamo-nos semanalmente para comer, beber, amar e conviver.

Os restantes familiares acabam por receber atenção mais esparsamente, admito-o.

Lutando para não deixar o tempo e a distância esbater os laços que o sangue naturalmente une, a minha família criou um novo motivo para um encontro anual: O Dia dos Primos.

Primos, Pais, Tios, Cunhados, Sobrinhos, Afilhados, Irmãos, Netos, Avós, Genros e Sogros unem-se num dia de piquenique algures pelo nosso Portugal. Com a ideia da reunião dos primos acabamos por juntar a família quase toda por um motivo tão simples mas tão feliz como o prazer de estar uns com os outros e partilhar carinho, risos, conversa e paz.
Regra geral termina com peregrinação geral a casa de um de nós.

Estar com a família é bom. Enche-nos o coração e torna-nos melhores.
Estou muito grato pela família que tenho.

Este ano, no nosso Dia dos Primos, estivemos aqui.

Até ao ano, se não for antes.

Já não era sem tempo.

via Público
O Presidente dos E.U.A., Barack Obama, inaugurou o merecido memorial de Martin Luther King que só peca por tardio. Sem prejuízo de ser no mandato de Obama que se procede a esta inauguração não posso deixar de perguntar:
É coincidência esta merecida homenagem ter como inaugurador o primeiro presidente negro?
Será que a mensagem de MLK terá passado de forma plena?

"Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam."
Martin Luther King




sábado, 15 de outubro de 2011

Não se esqueçam das outras...

via Google
O Governo proíbe políticos de receberem avenças na RTP.
Quem lê esta parangona fica com uma ideia que, ao ler o artigo, clara e rapidamente desaparece.

Em primeiro lugar ficamos desenganados quanto à bomba que o título anuncia. Não há, como o título me sugeriu, obscuridade e trapacice, nada de políticos a receber dinheiro às escondidas por motivos dúbios. O que está em causa são os honorários pagos aos políticos pelas suas intervenções na televisão pública, que no parecer de Miguel Relvas são inexplicavelmente mais generosos do que os dos operadores privados. Dado o facto de falarmos de avenças entre €100 e €600 não me parece que, mesmo dando de borla a razão ao ministro, o excesso de generosidade da RTP tenha muita margem para ser extraordinariamente vasto.
Que desilusão, ficar extremamente estimulado com a ideia do sangramento em praça do povo e afinal ser só privada menstruação em final de tempo e fluxo.
Quer isto dizer que na RTP não haverá mais lugar a comentários de políticos com cargos públicos ou que continuará a haver desde que o façam de borla?
Confesso que quando imagino um político, tal como nós, a pagar a crise, espero bem mais do que isto.

Na cadência que a última frase nos deixa, chega-nos o segundo ponto.
Miguel Relvas diz: "A RTP não pode ficar à margem do esforço financeiro que está a ser exigido a todos os portugueses neste momento de emergência nacional."


Unindo as minhas deficiências com o desiderato pedido ao país, isto é, sendo rigorosos, a afirmação do ministro inicia logo com uma falta à verdade. Miguel, o esforço financeiro não está a ser exigido a todos os portugueses. Por jogo linguístico ou meramente por ser verdade o facto é que nem todos fazem um esforço financeiro e os que fazem não partilham a mesma intesidade de esforço. Isto acontece distribuido por bolos, sendo, na minha óptica, os principais os seguintes:
"Os pobres" - não pagam na teoria mas são os que mais sentem. Ora, na prática, os que mais pagam.
"A classe média" - pagam na teoria e sentem na prática. São os tramados porque ficarão pobres.
"Os ricos" -  são os que mais pagam na teoria mas os que menos sentem na prática. Ficam na mesma.

Existe ainda um sub-grupo curiosamente transversal a todas as classes: os ladrões. Estes nada pagam em nenhuma teoria e menos que nada, evidentemente, pagam, em qualquer prática.
Há quem diga que este sub-grupo é, na verdade, bastante vasto... Dizem!

Finalmente, porque a lógica popular nos obriga a ter um terceiro ponto quando dois anteriores existem, o Governo propõe que os vencimentos dos quadros da RTP/RDP não ultrapassem os €6523 mensais, valor tomado como referência por supostamente ser a remuneração do nosso Presidente da República.
Serei extremamente breve.
Não há como não estar de acordo com isto.

Não se esqueçam é de limitar a remuneração a TODAS as empresas e organismos com pagamentos do Estado está bem?

É importante...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Meu não é, de certeza.

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Pedro Passos Coelho respondeu hoje a António José Seguro dizendo que as medidas de austeridade são suas mas o défice que as obriga não é seu.

O Primeiro Ministro esteve hoje bem no debate quinzenal que se realizou no sítio do costume.

As interpelações das bancadas do PSD e CDS foram, como sempre são as do/s Partido/s que apoia/m o Governo, as menos interessantes. São o habitual surpreende-me-lá-com-a-pergunta-que-estou-à-espera-para-te-dar-a-resposta-que-combinámos. Sem interesse algum excepto manter o necessário formalismo de a todos dar a palavra.

António José Seguro tentou fazer baixar alguma névoa sobre os números do Orçamento para 2012 mas não convenceu. Extremamente inseguro para o nome que tem, pareceu-me talvez demasiado impreparado, demasiado verde. Caso a preparação tenha sido bem feita e competentemente assessorada implica que a verdura seja, na realidade, inaptidão. Foi demasiado mole. Facilmente rebatido por Passos Coelhos e até pela Presidente Assunção Esteves defronte de quem amuou porque lhe quis desligar o microfone por excesso de palração.

Jerónimo de Sousa empregou o dogmático gasto e esperado discurso com os "ptanto" do costume. Penso que Jerónimo é dos raros comunistas politicamente simpáticos. Infelizmente, para estes, tornou-se presa fácil na argumentação Passista. Nada de assinalável.

Sobre Heloísa Apolónia nada sou capaz de comentar. Não consigo ouvir a senhora.
É físico e visceral. É a verdade.

Francisco Louçã, o único que deu luta. Com as suas usuais armadilhas de linguagem sustentadas com questões baseadas em números e factos. O melhor preparado de todos os líderes dos Partidos da Oposição perguntou a Passos onde meteu 1000 milhões de euros.
Teve azar.
Pedro, o Primeiro, sabia e respondeu.

O Primeiro-Ministro foi sempre capaz de argumentar de forma precisa e clara.
Não se escondeu atrás de nenhuma cassete.
Falou sobre o seu Orçamento, feito com base nas suas ideias e defendeu-o.
Só falhou num aspecto.

Se formos ao fundo do argumentário da frase com que brilhou e com que começamos este artigo está uma pragmática falácia.
O défice também é dele. Queira ou não.
É de todos, dizem. Pois bem.
Do Pedro também.

Porque se assim não for recuso-me a pagar. É que meu não é, de certeza.

E se taxassem quem rouba?

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A Entidade Reguladora da Saúde vem propor formas alternativas de financiamento da saúde. Referem-se, nomeadamente, a taxas nas comunicações móveis. A ERS estima que só desta taxa adviria um proveito financeiro superior ao que o Estado prevê arrecadar com alterações na taxa moderadora.
Esta mesma Entidade vai mais longe e sugere ainda novas taxas no tabaco, bebidas alcoólicas e açucaradas.
Todas as verbas são poucas, sabêmo-lo.

Fazendo um exercício de pesquisa semelhante e justo, porque não calculam quanto lucraria o Estado se taxasse, à unidade percentual, ou ainda que também ao cêntimo, as transações ilícitas relativas a coisas tão abstratas como corrupção e evasão fiscal?

Como fazer? Estupidamente fácil.
Irei ter de trabalhar trinta minutos diários extra a partir, provavelmente, de Janeiro.

Era só pedir ao Sr. Ministro Paulo Macedo que fizesse os seus trinta minutos na
Direção Geral dos Impostos.

Penso que seria uma forma de promover ainda a produtividade política e a multi-disciplinaridade ministerial.
Criaria espírito de grupo e daria um ótimo exemplo aos portugueses.

Não?
Tudo bem. Foi só uma ideia.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não é um cinto, é um espartilho.

via Público
Passos Coelho deu a conhecer ao país as medidas de contenção da despesa austeridade do Estado que o governo levará a cabo com o intuito de cumprir o memorando de entendimento com a troika.
Falamos, evidentemente, de medidas muito duras. O Estado procura aumentar a sua receita quer através do aumento direto da mesma, com novas cobranças, quer com cortes na despesa, sendo que esta "despesa" sai do nosso bolso e não da tão falada gordura do Estado.
Sejamos sinceros. Estávamos à espera de quê? Figos?
Confesso que admiro a honestidade de me olhar nos olhos enquanto me apertam um testículo.
É de Homem.

O estado do Estado é calamitoso, podemos afirmar que o sabemos, ainda que por apenas no-lo terem dito. Estamos falidos. O empréstimo que pedimos chega em controladas fatias e só se nos portarmos bem.

Qual seria a alternativa? Uma solução exequível, entendamo-nos?

Há pouco tempo os media ejaculavam tumultos e revoluções, greves e procissões, o rebentamento do dique que contém os vândalos e cabrões.
Nada disso, para já, acontecerá.

O Povo português é extremamente singular. Tem características únicas moldadas pela sua História. Sim, o fado. Sim um trauma carneirista fascizóide,pois claro. No entanto somos um povo determinado. Encornado, se quiserem. Não vamos para onde os outros querem, não seguimos, muitas vezes, pelo caminho que só a nós mesmos beneficiaria seguir. Não somos muito espertos. Mas somos teimosos. Encornamos.

Nas passadas eleições o memorando de entendimento com a troika foi subscrito por todos os eleitores, não tenhamos a mais pequena dúvida. Se PS, PSD e CDS firmaram, com tinta, o documento, no último acto eleitoral o Povo de Portugal rubricou esse mesmo tratado, não com tinta, mas com o seu sangue. Os Partidos que escolheram a errada estratégia de se porem de parte na negociação com o triunvirato foram, sem o esperar, postos de parte nos votos dos eleitores.
Sim temos os votos no PCP, mas esses sempre os mesmos. (Não critico, notem bem, apenas o constato.)

Por tudo o que expusemos até ao momento a conclusão a retirar é por demais evidente:
A margem de manobra deste Governo é total. Não tenho medo de o afirmar. Reitero-o, pois!
Estamos, enquanto nação, dispostos a sangrar por este país.
Não haverá tumultos, a não ser os politicamente organizados.
Não haverá pilhagens e anarquia. Portugal está encornado em seguir o rumo que a maioria diz ser o único.

Até ao último limite.
A crença.
Quando e se os portugueses entenderem que tanto sacrifício não serve para resolver o problema, meus amigos, a reação será explosiva e incontrolável. Não haverá cacete capaz de segurar um luso enrabado e sem esperança.
Como diria o Bush (pai ou filho, é indiferente):
Make no mistake.

Governantes do nosso país, por favor, para o vosso e nosso bem,
não nos enganem. Se não nunca mais nos controlam.
Garanto-vos.

Já não há quem aguente.

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Na Madeira estão agora preocupados com a inconstitucionalidade da aprovação de medidas de austeridade mais gravosas para o arquipélago do que para o resto do país.

Embora com esforço consegui rebater o impulso de ir comentando a par e passo o tufão noticioso que teve origem nas ilhas de Alberto João Jardim. As análises à posteriori no geral e esta que lemos em particular, têm a vantagem de melhor relacionar todos os dados que foram conhecidos sobre um determinado tema, o que permite uma visão mais global e por isso mais completa. Digamos que vemos a totalidade da imagem e não apenas fragmentos.
No meu caso soma-se ainda a benesse de esfriar o temperamento, que o tenho facilmente inflamável.

Nesta campanha eleitoral para as eleições regionais madeirenses vimos de tudo e de nada um pouco.

Vimos surgir um colossal, este sim, buraco;
vimos Alberto João Jardim dizer várias coisas, as segundas contrárias das primeiras mas coerente no que à responsabilidade diz respeito: de todos menos dele e se dele por legítima defesa;
vimos o orgulho Madeirense na sua obra;
vimos o desprezo pelas consequências de tais despesismo;
vimos várias declarações dizendo que o Tribunal Constitucional já avisara do escavar madeirense;
vimos a comunicação social tremer sob o estalo do chicote de Pau;
vimos as eleições realizarem-se com alegadamente graves ilegalidades;
vimos carrinhas de empresas públicas madeirenses acartarem votantes para as urnas;
vimos responsáveis por freguesias darem uma ajudinha ao voto;
vimos e ouvimos declarações de que na Madeira, assim, é normal e já houve pior;
vimos uma "mais pequena" maioria absoluta dos do costume;
vimos a declaração de pedido de demissão do representante da CNE devido a motivos "pessoais";
vimos o lider da J laranja participar activamente, na tentativa de incêndio de um orgão de comunicação social "não alinhado" com direito a cântico próprio que me recuso a repetir porque não gosto da palavra "Olé!", "filhos da puta" não me importo de escrever;
vimos o líder regional do 2º Partido mais votado a abdicar do mandato e a fugir para a Assembleia do continente;

E agora?
Não vemos ninguém interessado em responsabilizar criminalmente alguém, seja madeirense, continental, ou ambos, pelo sucedido;
Não vemos ninguém interessado em responsabilizar politicamente alguém, seja madeirense, continental, ou ambos, pelo sucedido;
Não vemos a comunicação social erguer-se contra terem ferido um dos seus;
Não vemos nada.
Absolutamente nada.

Já viram se eu perdia tempo a comentar tantas e tão graves ocorrências... para nada?

Será que tudo não passou de fogo fátuo eleitoral?
Será que o défice democrático, à semlhança do económico, é geral, nacional e não tanto, como o apregoaram, insular?



Ainda bem que não ligo a essas coisas...

Do domingo aos coches.

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Francisco José Viegas, atual Secretário de Estado da Cultura, jornalista, escritor, bloguer, apresentador de televisão, sempre foi alguém com quem senti simpatia.
Na passada semana surgiu a notícia de que por iniciativa da sua tutela os museus iriam passar a ter pagas as entradas ao domingo. Muito embora não me choque esta medida não posso concordar inteiramente com ela. Não me vou debruçar, porque posso cair e até magoar-me bastante, sobre a qualidade dos museus nacionais, dos seus conceitos e atores. Compreendo a necessidade de financiamento da cultura mas evidentemente que não é cobrando as dominicais entradas que se vai resolver o problema. A Cultura tem de ser paga via Orçamento de Estado já que a todos diz respeito e a todos beneficia. A lógica mercantilista do emagrecimento do Estado, o tão apregoado corte das gorduras, não pode afectar esta área deste modo. Como nos lembramos começou com a despromoção de ministério a secretaria, com a despromoção veio a desorçamentação e depois os cortes.
Esta política de acultura, estas medidas que focam o empedernir das capacidades intelectuais dos portugueses, tem o claro objectivo de os amansar...Com os lusos mansos os governantes do nosso país ficam com carta branca para tomarem todas as medidas que entenderem pois o espírito crítico estará, como está e mais se quer, delapidado. Advogarão que passar a cobrar os bilhetes ao domingo, por si, não leva ao que aqui temos tratado. Concedo-lhes razão, mas o caminho faz-se caminhando e vê-se bem para onde seguem os passos destes que nos mandam.
Com esta tomada de posição, confesso-o, fiquei desiludido com Francisco José Viegas.
Podemos pensar se seria preferível não fazer nada? Para mim sim. Podemos e seria.

Soube hoje, no entanto, que FJV tomou mais uma pública decisão do seu público cargo, a notícia que fiz ligação, no início, ao Público. Tão melhor desta vez. Seja por princípio ou arrependimento este passo até pode pertencer ao mesmo caminho, mas pelo menos é na direção contrária.

Bem haja por isso.