terça-feira, 7 de setembro de 2010

Hugo Almeida anuncia fim de carreira.

Foto: Google




Hugo Almeida irá anunciar o fim da sua carreira futebolística no final desta semana, revelam fontes próximas do jogador, internado do Hospital de Oslo devido a um ataque de cansaço.


Como resultado do facto do Professor Carlos Queirós não ter tido tempo de activar o roaming, não foi possível telefonar para Agostinho "Piloto Automático" Oliveira.


Como consequência dessa circunstância Hugo Almeida jogou 94 min, o que lhe provocou o já referido ataque de cansaço incontrolável.


Outra inerência da falta de comunicação entre o Seleccionador Suspenso e o Outro Que Não É Seleccionador Mas Está No Lugar Dele foi a convocação de última hora do guarda-redes Ricardo, que, como vimos, foi o infeliz titular da baliza no jogo de hoje contra a Noruega.


Agostinho "Piloto Automático" Oliveira declarou, na flash interview, que o Seleccionador Norueguês surpreendeu por não ter colocado em campo nenhum Bacalhau para segurar o meio campo.


Sem mais.


Bem hajam.

AC




segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não posso...

Foto: Google


Este fim de semana, na leitura de um artigo acerca da subida nas intenções de voto nos Ultraconservadores nos Estados Unidos da América, deparei-me com uma daquelas grandiosidades que nos "States" ocorrem com frequência e ajudam a definir, na minha opinião, o povo americano como um dos mais desprovidos de, digamos, inteligência.

O artigo, como referi, versava, entre outros assuntos, sobre o movimento do Tea Party e alguns dos seus senhores (não assumidos).

Um deles, David Koch, defendeu, um dia, medidas tão prudentes como:
abolição da segurança social;
abolição do sistema público de ensino;
abolição de todas as agências reguladoras;
abolição da CIA;
abolição do FBI.

BOA!!

A popularidade de Obama está a baixar.
A popularidade destes génios, dos quais faz parte a senhora da foto, está a subir.
Na minha óptica este exemplo já seria suficiente para atestar quanto ao enorme senso comum do American People, no entanto li só mais um aspecto que, esse sim, me fez perder o equilíbrio e abrir a boca numa amplitude que jamais pensei ser possível:

Segundo uma sondagem do Pew Research Centre UM QUINTO dos norte-americanos acredita ter um Presidente muçulmano.

Minha gente, são cerca de 310 000 000 de habitantes.
Se descontarmos 12 000 000 de imigrantes, passam a ser 298 000 000 de norte-americanos.

Ou seja,

São 59 600 000 pessoas a acreditar que têm um Presidente muculmano.

Acho que não vou escrever mais nada.
Pronto, já fechei a boca.

Façam o mesmo.

Bem hajam.

AC

Aniversário



Fez ontem 2 anos.

Bem hajam.

AC

sábado, 4 de setembro de 2010

Casa Pia




Terminou ontem uma fase do processo Casa Pia.
Iniciar-se-á a fase dos recursos.
Este foi, é, um processo monstruoso que tenta julgar crimes hediondos. Crimes que, se classificados como contra a Humanidade, não me chocaria a classificação.

Não vou entrar aqui no jogo perigoso e erróneo de tecer comentários quanto à qualidade da decisão do conjunto de juízes que deliberou estas, e não quaisquer outras, penas para os acusados. Não sou jurista nem advogado. Não conheço o processo, os arguidos ou qualquer vítima. Gostaria de acreditar que foi feita justiça.
Mas não posso. Porquê?
Explico.

A Justiça, em Portugal ou não, deve obedecer a um conjunto de imperativos que a limitam mas que, simultaneamente, a definem.

À Justiça, não basta ser Justa. Tem, necessariamente, de ser célere. Esta celeridade está consagrada na constituição Portuguesa e não foi, neste processo, minimamente respeitada. 8 anos de julgamento público e 6 anos de julgamento nos tribunais é um exagero. É demasiado penoso para arguidos e, sobretudo, vítimas.
Um acusado, mormente se inocente, deseja resolver as questões o mais rapidamente possível, provar a sua inocência (que terrível inversão esta do ónus da prova... não seria suposto o contrário??) e seguir com a sua vida.
Uma vítima necessita apenas que não duvidem dela, se encontrem provas dos factos, ver os culpados punidos, encerrar o assunto.

É tão simples. O que correu mal? A reflexão e devidas ilações deverão ser tiradas por quem de direito.


Para além da, como já vimos falhada, celeridade, a justiça na nossa pátria deveria possuir um predicado que está em falta no geral e neste caso em particular:

Dar segurança.

Seria espectável que após um qualquer julgamento todos os intervenientes, e também o público, ficassem com a percepção de que tudo foi bem feito e que a deliberação judicial não poderia ser posta em causa por nenhum argumento, nenhuma diligência questionável, nenhuma ilegalidade, nenhuma vírgula de nenhum parágrafo. Tudo isto seria possível porque a Justiça não seria nunca refém de nenhum interesse que não o real apuramento da verdade dos factos.

Será que algum de nós tem essa percepção de segurança desta decisão?

Eu não tenho.

A Justiça portuguesa enquanto sistema está tão mal vista que é mais ou menos lícito que toda a gente dela tenha dúvidas ou receio.

Já ouvi intervenientes no processo, com propriedade para o fazer, dizendo que muitos outros deveriam estar sentados no banco dos réus.
Se deveriam lá estar e não estão, sinto-me no direito de indagar se, fazendo uma inversão de raciocínio, todos os condenados serão, efectivamente, culpados.

Neste caso desde o início que fugas mais ou menos previstas surgiram nos média com o objectivo de criar uma multiplicidade de pontos de vista antagónicos que deixassem todos baralhados acerca do que estava, realmente, a acontecer.

Pois bem. Foram sucedidos.

O processo chegou a uma fase condenatória e ninguém tem a certeza de nada.

Espero realmente que, a bem da Justiça, todos os condenados tenham razões para o terem sido.

Só mais um facto.

Este tão chocante como uma outra qualquer ignomínia deste processo, passada numa rádio vocacionada para a Informação e, por essa circunstância, com maior responsabilidade na matéria e, logo, alvo maior para a crítica seguinte:

Passei a manhã de ontem, inteirinha, a ouvir os jornalistas da TSF dizer:
D. GeStrudes Nunes.

Inqualificável.

Bem hajam.

AC

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Derradeira Viagem

"Sinto na minha alma o aproximar dos teus passos.
Estremeço paralizado e incapaz de reagir com o temor que a tua vinda traz.
Preciso escapar mas o teu lúgubre arfar roça-me já o peito.


Força... tenho que ter força. Tenho que mover-me e fugir desenfreadamente.
Correr.. tenho que correr...
Mas porque não me mexo? Porque não reagem as pernas??


Chegas-te cada vez mais a mim. O teu fétido hálito inunda-me já de um incomportável vómito.
Tenho medo. Oh, como tenho medo!
Arde-me mais a pele por te saber chegar do que por saber que terei de te acompanhar.
Vem de uma vez, maldita! Nunca mais me alcanças??


Mas porque não me mexo???
Espera. Espera!! Não quero ir...
Não já. Não ainda.
Volta para trás! Recua no teu caminho e na tua resoluta intenção de me levar!!
Ainda não fiz o que devia. Ainda não vi tudo o que me estava destinado.
Ainda não abri os olhos... Sai daqui, por favor!!


Movimento... Uma brisa... O meu âmago estremece.
Estarei a evadir-me? Estarei a escapar??
Estarei cheio de vida novamente?
Terrível miséria. Estou gelado. A brisa é putrefacta.
Consciencializo o motivo do movimento e soluço um indizível choro.


A tua foice arrasta-me pela lama e com ela os restos daquilo que me tornei.

Desisto de lutar.

Até outro dia, Mundo.

Voltarei, talvez, e brilharei mais forte do que nunca. Mais intensamente do que fui desta feita capaz.




Um meu colega de trabalho está a morrer.

Foi-lhe diagnosticado algo que lhe tirará a vida porque o nosso conhecimento não chega ainda para nos livrar da morte sempre que ela se lembra que chegou a nossa vez.

Eu sei-o e ele também.

Hoje visitou a empresa onde trabalho e fiquei absolutamente desolado.
Não consegui dizer-lhe nada de relevante. Basicamente não fui capaz de articular mais do que meia dúzia de palavras.

Todos sabemos que a vida é a prazo. Não nos pertence.
Como imaginamos que a sua validade está onde a vista não alcança abstraímos-nos quase completamente da nossa finitude. Temos o fim traçado mas não anunciado.

Mas...

Como muda a perspectiva quando agendam a hora para o fim do que conhecemos por vida!
Nesta tomada de consciência não há qualquer libertação.

Como gostaria de ter dito o quanto lamento e o quanto desejo que tudo amanhã não fosse mais que uma terrível recordação de um terrífico pesadelo que afinal já passou..

Como gostaria de lhe ter incutido coragem, uma vez que a esperança é também já defunta..

A minha voz prendeu-se e a minha garganta fechou.

De nada fui capaz.

A vida é fodida.

Bem hajam."


Estas linhas foram a transcrição de um post de Setembro do ano passado.
Foi uma reflexão em forma de homenagem que aqui reitero.
Após o post transcrito tive oportunidade de estar com o meu colega algumas vezes e fui já, a custo, confesso, capaz de articular algumas palavras de ânimo e conforto que me haviam primeiramente faltado.

O sofrimento do meu colega foi definitivamente terminado, soube-o hoje, no passado dia 23 de Agosto de 2010.

R.I.P., caro Freitas.

AC.