sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Adeus, definitivo.

Foto: Google.
Ocorreu-me dizer adeus. Lavar os cestos, arrumar as alfaias. Fazer a perene despedida. Apagar o blogue e não mais aqui vir.

Escrever neste espaço traz-me, ocasionalmente, alguns contratempos de ordem pessoal sobre os quais não desejo nada explicitar. Seria, sem dúvida, uma solução simples e fácil, ainda que apenas aparentemente.

Voltar as costas às dificuldades é uma saída que, por vezes, se torna, para mim, demasiado atraente. Afinal de contas não estar perante um problema não será o mesmo do que tê-lo como resolvido?
Não. De todo, evidentemente. Será uma solução confortável mas acaba por nunca ser definitiva. As adversidades existem e fazem parte dos nossos dias. Voltar-lhes as costas apenas faz com que, momentaneamente, não as vejamos, mas por não estarem no nosso campo de visão não quer, minimamente, dizer que tenham desaparecido. É certo, e deveria ser, sabido que voltarão, talvez nas alturas mais importunas, juntar-se a tantas outras contrariedades, com um novo fôlego, uma nova pujança, encontrando-me com cada vez menos energia e, por isso, cada vez mais fragilizado.

Além de tudo o que escrevi juntam-se outras razões, mais profundas e mais fortes, que determinaram que não tenha terminado com este espaço e, provavelmente, tenham determinado uma ainda maior resolução a mantê-lo, cada vez mais amiúde e de modo progressivamente mais natural, gutural e poderoso: Necessito de partilhar o que sinto.

Sou um ser extremamente complexo e sanguíneo. Controverso e paradoxal. Analista de mim, dos outros e do mundo. Incapaz de conter no vaso que me sustenta esta enormidade de entidades que me habitam e, simultâneamente, me formam, condicionam e, muitas vezes, confundem.

Necessito deste lugar de reflexão, desabafo, exteriorização, expiação, extravaso e partilha.
Necessito do sentimento de totalidade e unicidade que escrever, ainda que por instantes apenas, me traz.
Preciso de me esvaziar para ser capaz de absorver o mundo que me rodeia.
Preciso de me libertar para me deixar prender à vida.
Preciso que, com o vosso ponto de vista, seja nesta casa ou na vossa, mudem o ângulo da luz que sobre mim incide e melhor consiga enxergar.

É então de um “Olá”, de um “Cá estou e estarei” que versa este artigo.
Não é uma despedida, mas uma chegada.
Não um “Adeus, definitivo”, mas um “Até já, breve.”

Bem hajam.
André Couto.

5 comentários:

.l disse...

é... por vezes acontece...
porque nos expomos sujeitamo-nos às contrariedades. entendo isso. aconteceu comigo e virei costas. tornei o blog privado até que me apetecesse estar exposta de novo... e ao voltar percebi que não estou só nessa inquietude.
afinal, embora lance para a net o coração e a alma, na verdade, na vida, apenas quero ficar "por detrás do muro"... bj

Claudia Sousa Dias disse...

então, cá esperamos o seu regresso.

Breve..

csd

Ailime disse...

Muito obrigada pela passagem pelo meu cantinho.
Gostei desta sua reflexão e adorei esta frase: "Preciso de me esvaziar para ser capaz de absorver o mundo que me rodeia."
É assim que o grande Mestre (Jesus) gosta que sejamos. E como eu ainda não sou capaz de me esvaziar completamente.
Não deixe de escrever, porque o faz muito bem, na minha humilde perspectiva.
Um abraço.
Ailime

Daniel Santos disse...

em frente então.

André Couto disse...

L.,
de facto estranhei a circunstância de não conseguir aceder ao teu blogue. A vida impõe obstáculos aos quais cada um de nós reage conforme pode, sabe, e muitas vezes de modo precisamente contrário ao que gostaria de ter reagido. O Muro que cada um de nós constrói não é intransponível... mas não deixamos, ainda que por vezes nos sintamos tentados, que qualquer um espreite, não é assim? Obrigado pela vista e sê sempre bem-vinda.

Cláudia,
obrigado por espreitar...
Gostei bastante do conceito do seu blogue.
Volte, se desejar.

Ailime,
agradeço e retribuo o elogio. Também gostei bastante do seu blogue. Sou alguém que sinto muito a vida e, como tal, recebo as recompensas como poucos... mas pago as penas como ninguém.

Daniel,
obrigado pela visita e incentivo. Sem dúvida que os nossos espaços internáuticos são bastantes diferentes, no entanto da mesma forma que essa diferença não impede, antes pelo contrário, que o visite regularmente sinta-se convidado para, sempre que entenda, encontre aqui um pouco do que sou.


Neste cantinho quando um tijolo do muro deixo cair, logo dois são como que autonomamente e contra minha vontade erigidos por algo que me transcende. A tarefa não terá, por isso, fim à vista. Dizem que o prazer está mormente na viagem e não tanto no destino...

Viajemos, pois.