sábado, 20 de fevereiro de 2010

Serrazinar



Olá, então, tudo bem? Óptimo...
A quotidianidade tem destas coisas de nos afogar e não deixar tempo (vontade, vá...) para quase nada.
Nos poucos momentos de puro ócio, naqueles raros lampejos de verdadeiro interesse televisivo, estou, evidentemente a referir-me à publicidade, deparo-me constantemente com dois anúncios que serrazinam o meu bem-estar.
Esse serrazinar pegado (sim, estive a ler o dicionário, daí a minha ausência tão alongada) foi a gota de água que esbordou o copo da minha inércia e me obriga a apresentar um protesto público e formal contra o vilipêndio a que inadvertidamente somos sujeitos.
É, pois, neste estado de alterada indignação que a Vós me dirijo.
O anúncio publicitário às bolachas Oreo é absolutamente inqualificável. O drama decorre numa conversa entre pai e filho. Nesse diálogo, se escutado, neste caso lido, com a atenção que toda a televisão portuguesa merece, não nos escapará a vergonha que dele emana:
- Separas... Lambes... Mergulhas... e depois comes!!
Mas o que é isto?!?
A mim parece-me badalhoquice.
Notem que não tenho nada contra a badalhoquice, sou até um defensor acérrimo de certas coisas porcas!
Meter crianças ao barulho, com discursos libidinosos dirigidos a um adulto, ainda por cima seu pai é exagerar um bocadinho. Exige-se, portanto, moderação.
Além disso estragar aquilo que poderia ser um puro momento de boa badalhoquice é absolutamente imperdoável.
O outro motivo da minha revolta consiste na publicidade ao Pingo Doce.
"O que é que tem?", perguntam vocês com a surpresa estampada no rosto.
É parva, respondo.
Mas não é a sua parvoíce que me indigna.
Falo da boca do senhor que escolheram para o anúncio.
Estou todo refastelado na minha poltrona desejoso de ver anúncios daqueles bons, daqueles que nos fazem passar tempo de qualidade em frente a um ecrã e fica o meu televisor pleno com a boca do senhor da publicidade do Pingo Doce!! Não sei se repararam, mas quando o senhor da publicidade do Pingo Doce surge só se vê a sua boca. Eu, pelo menos, não consigo ver mais nada. E isto deixa-me triste. Porquê? Porque por causa da boca do senhor da publicidade ao Pingo Doce, não consigo concentrar-me na publicidade ao Pingo Doce. Ora se eu não consigo concentrar-me na publicidade ao Pingo Doce por causa da boca do senhor da publicidade ao Pingo Doce, não realizo o propósito de empiricamente verificar que a publicidade ao Pingo Doce é parva.
E isto, meus amigos, não se faz.
Perceberam? Não?? Porreirinho...
O post que irei colocar de seguida nada tem a ver com a força criadora indomável que me assola, foi mesmo mesmo mesmo esta questão publicitária que primordialmente me impeliu...
Bem hajam.

1 comentário:

Socrates daSilva disse...

Existe publicidade parva, sim senhor.

Assim de repente lembro-me também daqueles yogurtes em que as mulheres vão queixando-se da barriga a inchar (ou porque comem nem umas alarves ou porque devem estar grávidas) e aparece finalmente a senhora a dizer: "CALMA!". É estupido...

Bem vindo!