domingo, 28 de fevereiro de 2010

Movimento Perpétuo Associativo


Só muito recentemente atentei com atenção (sim, porque sou daqueles que defendem que se deve atentar com atenção, atentar sem atenção é coisa que recuso terminantemente...) na letra da música "Movimento Perpétuo Associativo" dos Deolinda.

Em tempos de crise devemos dar as mãos, unir esforços e meter mãos à obra. Este exemplo tem sido repetido ad libitum por esse mundo fora com base em diversas motivações, das mais fúteis às mais urgentes e substanciais.

No nosso "rectângulo mágico" somos também capazes de nos transcender e efectuar actos maravilhosos de agregação, mas só em situações excepcionais. Não desgastamos o desígnio nacional por "dá cá aquela palha".

Enquanto não chega o dia de todos fazermos algo... cantemos todos!

"Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...


Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!

-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter..."

http://www.youtube.com/watch?v=us9dIcLjfKM

Bem haja.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Nobre Povo


Partido: União de muitas pessoas para determinado fim; facção; parcialidade; bando; convénio; vantagem; proveito.

Partido Político: associação de cidadãos que pretendem obter o exercício e os benefícios do poder.

Política: (...) modo de se haver em qualquer assunto particular para se obter o que se deseja; astúcia; esperteza; maquiavelismo; (...)



Ontem materializou-se o anúncio formal da candidatura do Dr. Fernando Nobre à Presidência da República Portuguesa.
Na minha óptica trata-se de uma inegável lufada da ar fresco, puro e, sobretudo, limpo.

Não tardará que tentem associar este movimento com uma qualquer lógica partidária. Tentarão classificá-la como de esquerda, de direita, de centro. Surgirão críticos que a rotularão de mandatada por alguém. Surgirão parasitas que se tentarão colar a este movimento como sedentas sanguessugas.
Tentarão minimizar as suas potencialidades.
Desejo que todos esses falhem cabalmente os seus propósitos.

Vivemos tempos conturbados em que a consecutiva incompetência dos nossos governantes aliada ao esgotamento de um modelo económico nos trouxe de volta ao pântano.
Alegadas escutas, alegados subornos, alegadas pressões, alegadas fugas ao alegado segredo da alegada Justiça alegadamente publicadas por um alegado jornal alegadamente semanal.
Temos um alegado Governo que não aparenta querer governar mas que não se demite; temos uma alegada Oposição que quer governar mas não quer demitir o Governo.

Neste contexto surge a candidatura do Dr. Fernando Nobre.
Aos que lhe acusam a pouca experiência política eu respondo: ainda bem que não a tem.
Aos que lhe apontam a falta de experiência partidária eu digo: que bom!!
A nível pessoal pouco lhe poderão apontar. De verdadeiro serviço público tem a vida inteira a falar por si. Capacidade para organizar e aglutinar pessoas não me parece que lhe falte.
Não vislumbro dificuldade em que reúna pessoas competentes e de diversos universos ideológicos.
Diplomacia é um meio com o qual está habituado a lidar.
Preocupação com o povo não lhe falta.

Parece-me indesmentível que este candidato tem predicados únicos e que merecem reconhecimento e oportunidade.
É evidente que um Presidente da República não governa. Não será nunca um salvador da pátria. Mas o fundamental reside no facto de que esta candidatura pode fomentar uma há tanto esperada mudança de paradigma. O início de uma nova era.

Os desafios que hoje se nos colocam não se compadecem de ideologias políticas de posicionamento espacial. Não vamos a lado nenhum com esquerdas, direitas e centros. Precisamos de preocupações sociais da esquerda, preocupações com segurança da direita, preocupações com a saúde económica do centro. Não precisamos é destes partidos políticos.
Apenas duas coisas nos fazem falta: trabalho e bom senso.

Desejo toda a sorte e todo o êxito para a candidatura do Dr. Fernando Nobre.
Desde que se mantenha supra-partidária contará com o meu voto e com todo o apoio que dentro das minhas possibilidades puder fornecer.


Bem hajam.

Serrazinar



Olá, então, tudo bem? Óptimo...
A quotidianidade tem destas coisas de nos afogar e não deixar tempo (vontade, vá...) para quase nada.
Nos poucos momentos de puro ócio, naqueles raros lampejos de verdadeiro interesse televisivo, estou, evidentemente a referir-me à publicidade, deparo-me constantemente com dois anúncios que serrazinam o meu bem-estar.
Esse serrazinar pegado (sim, estive a ler o dicionário, daí a minha ausência tão alongada) foi a gota de água que esbordou o copo da minha inércia e me obriga a apresentar um protesto público e formal contra o vilipêndio a que inadvertidamente somos sujeitos.
É, pois, neste estado de alterada indignação que a Vós me dirijo.
O anúncio publicitário às bolachas Oreo é absolutamente inqualificável. O drama decorre numa conversa entre pai e filho. Nesse diálogo, se escutado, neste caso lido, com a atenção que toda a televisão portuguesa merece, não nos escapará a vergonha que dele emana:
- Separas... Lambes... Mergulhas... e depois comes!!
Mas o que é isto?!?
A mim parece-me badalhoquice.
Notem que não tenho nada contra a badalhoquice, sou até um defensor acérrimo de certas coisas porcas!
Meter crianças ao barulho, com discursos libidinosos dirigidos a um adulto, ainda por cima seu pai é exagerar um bocadinho. Exige-se, portanto, moderação.
Além disso estragar aquilo que poderia ser um puro momento de boa badalhoquice é absolutamente imperdoável.
O outro motivo da minha revolta consiste na publicidade ao Pingo Doce.
"O que é que tem?", perguntam vocês com a surpresa estampada no rosto.
É parva, respondo.
Mas não é a sua parvoíce que me indigna.
Falo da boca do senhor que escolheram para o anúncio.
Estou todo refastelado na minha poltrona desejoso de ver anúncios daqueles bons, daqueles que nos fazem passar tempo de qualidade em frente a um ecrã e fica o meu televisor pleno com a boca do senhor da publicidade do Pingo Doce!! Não sei se repararam, mas quando o senhor da publicidade do Pingo Doce surge só se vê a sua boca. Eu, pelo menos, não consigo ver mais nada. E isto deixa-me triste. Porquê? Porque por causa da boca do senhor da publicidade ao Pingo Doce, não consigo concentrar-me na publicidade ao Pingo Doce. Ora se eu não consigo concentrar-me na publicidade ao Pingo Doce por causa da boca do senhor da publicidade ao Pingo Doce, não realizo o propósito de empiricamente verificar que a publicidade ao Pingo Doce é parva.
E isto, meus amigos, não se faz.
Perceberam? Não?? Porreirinho...
O post que irei colocar de seguida nada tem a ver com a força criadora indomável que me assola, foi mesmo mesmo mesmo esta questão publicitária que primordialmente me impeliu...
Bem hajam.