quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O país dos tangas














Esta semana assistimos ao assumir definitivo que este é um país de tangas. Tangas que se governam ao destino desta nação há 36 anos.

Entre acusações e cuspidelas para o ar, que acertam em todos menos em quem deviam, andam alguns senhores iluminados a brincar às políticas com descarado desprezo por quem os elege, lhes paga o ordenado e pouco tempo depois, reformas de valor absurdo, justificadas absurdamente por coisa alguma, com duração absurdamente vitalícia e com a absurda garantia que, pelo menos a esses senhores, nunca faltará dinheiro para lhes entregar.

 - Eh, pá, tens 55 anos, trabalhas há 30 anos, ganhas €500… não sabemos se vai dar para te pagar reforma. Pensas mesmo viver até que idade? Xiiiii…. Tanto?? Então não vai mesmo dar, ok? Faz lá um PPR, um seguro de saúde e não digas a ninguém que vais daqui.

PS E PSD não se entenderam quanto ao Orçamento de Estado para 2011. 
O PS fingiu que iria ter alguma margem de manobra, logo à partida curta, para ceder em algum ponto, o PSD fingiu que tinha alguma margem de manobra, logo à partida pequena, para chegar a um entendimento.

PS argumenta que PSD queria reduzir receita sem apresentar substituição de fonte da mesma.

PSD argumenta que não seria necessária tanta receita se não se gastasse tanto.

Eu argumento que PS e PSD se estão nas tintas para o OE, para os portugueses e para o país em geral e que nunca houve intenção, de qualquer das partes, de chegar a um acordo sobre o que quer que seja.

 O que transparece de forma ridiculamente clara é que num tempo de uma suposta crise que acarretará dificuldades de subsistência a muitos portugueses, colectivamente ou em nome individual, a preocupação primordial dos responsáveis dos dois Partidos Políticos que nos governam há 36 anos é: retirar dividendos eleitorais para futuros escrutínios.

Dizem os engenheiros do PS:
- E caros concidadãos, gostaríamos muito de governar e tirar este País desta malograda crise internacional que nos afecta a todos tanto e na qual não temos qualquer responsabilidade. Sabemos perfeitamente como fazê-lo mas como somos um Governo minoritário e sofremos com uma Oposição cega e irresponsável que não nos aprova uma ferramenta essencial à condução dos destinos da nação, estamos, consternadamente, de mãos e pés atados pelo que o melhor será, logo que possível, convocar eleições darem ao PS uma maioria absoluta.

Falam os doutores do PSD:
Portuguesas e Portugueses. É com enorme pesar e sentida consternação que anunciamos que não mais é possível suportar uma caótica e destrutiva governação Socialista. Este Governo trouxe-nos onde estamos, trouxe-nos à ruína e mostra-se incapaz de tirar o País da situação em que o colocou. Este Orçamento é insubscrevível porquanto nos levará ainda mais de encontro ao fundo do pântano. Não peçam ao PSD para aprovar uma alarvidade em forma de documento oficial que arruinará ainda mais, se possível for, este nosso tão amado Portugal. Neste sentido só uma saída se nos afigura: Logo que constitucionalmente possível, convocar eleições antecipadas e darem ao PSD uma larga maioria absoluta. Quanto mais larga melhor, e de preferência com dois terços dos deputados para permitir ao nosso Partido alterar a Constituição  e dela retirar tudo o que lá está a mais e que torna este País tão dificilmente governável.

Responde o André:
- Chega. Basta.
 Se desde o 25 de Abril de 1974 isto é tudo o que têm para mostrar falhámos todos redondamente. Falharam vocês porque tiveram nas mãos a possibilidade de fazer deste País uma grande nação e não quiseram.

Falhámos todos nós porque alternadamente lhes entregámos carta-branca para nos guiarem e no final da viagem chegámos à triste conclusão que não saímos do mesmo sítio porque vocês arrancaram com o nosso dinheiro e esqueceram-se de nos levar convosco.

Que melhor oportunidade queriam vocês que um novo começo?

Uma folha em branco para encher de História… que lhe puseram?

Qual o resultado que têm para nos apresentar que nos deixe minimamente consolados?
Que miséria.

Quanta incompetência e falta de empenho.

Não brinquem mais comigo.

Não brinquem mais com a minha família.

Não brinquem mais com o meu País.

Entretenham-se todos, se quiserem, com as pilinhas uns dos outros e vão brincar para o caralho.


Bem hajam.
André Couto.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Hugo Almeida anuncia fim de carreira.

Foto: Google




Hugo Almeida irá anunciar o fim da sua carreira futebolística no final desta semana, revelam fontes próximas do jogador, internado do Hospital de Oslo devido a um ataque de cansaço.


Como resultado do facto do Professor Carlos Queirós não ter tido tempo de activar o roaming, não foi possível telefonar para Agostinho "Piloto Automático" Oliveira.


Como consequência dessa circunstância Hugo Almeida jogou 94 min, o que lhe provocou o já referido ataque de cansaço incontrolável.


Outra inerência da falta de comunicação entre o Seleccionador Suspenso e o Outro Que Não É Seleccionador Mas Está No Lugar Dele foi a convocação de última hora do guarda-redes Ricardo, que, como vimos, foi o infeliz titular da baliza no jogo de hoje contra a Noruega.


Agostinho "Piloto Automático" Oliveira declarou, na flash interview, que o Seleccionador Norueguês surpreendeu por não ter colocado em campo nenhum Bacalhau para segurar o meio campo.


Sem mais.


Bem hajam.

AC




segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não posso...

Foto: Google


Este fim de semana, na leitura de um artigo acerca da subida nas intenções de voto nos Ultraconservadores nos Estados Unidos da América, deparei-me com uma daquelas grandiosidades que nos "States" ocorrem com frequência e ajudam a definir, na minha opinião, o povo americano como um dos mais desprovidos de, digamos, inteligência.

O artigo, como referi, versava, entre outros assuntos, sobre o movimento do Tea Party e alguns dos seus senhores (não assumidos).

Um deles, David Koch, defendeu, um dia, medidas tão prudentes como:
abolição da segurança social;
abolição do sistema público de ensino;
abolição de todas as agências reguladoras;
abolição da CIA;
abolição do FBI.

BOA!!

A popularidade de Obama está a baixar.
A popularidade destes génios, dos quais faz parte a senhora da foto, está a subir.
Na minha óptica este exemplo já seria suficiente para atestar quanto ao enorme senso comum do American People, no entanto li só mais um aspecto que, esse sim, me fez perder o equilíbrio e abrir a boca numa amplitude que jamais pensei ser possível:

Segundo uma sondagem do Pew Research Centre UM QUINTO dos norte-americanos acredita ter um Presidente muçulmano.

Minha gente, são cerca de 310 000 000 de habitantes.
Se descontarmos 12 000 000 de imigrantes, passam a ser 298 000 000 de norte-americanos.

Ou seja,

São 59 600 000 pessoas a acreditar que têm um Presidente muculmano.

Acho que não vou escrever mais nada.
Pronto, já fechei a boca.

Façam o mesmo.

Bem hajam.

AC

Aniversário



Fez ontem 2 anos.

Bem hajam.

AC

sábado, 4 de setembro de 2010

Casa Pia




Terminou ontem uma fase do processo Casa Pia.
Iniciar-se-á a fase dos recursos.
Este foi, é, um processo monstruoso que tenta julgar crimes hediondos. Crimes que, se classificados como contra a Humanidade, não me chocaria a classificação.

Não vou entrar aqui no jogo perigoso e erróneo de tecer comentários quanto à qualidade da decisão do conjunto de juízes que deliberou estas, e não quaisquer outras, penas para os acusados. Não sou jurista nem advogado. Não conheço o processo, os arguidos ou qualquer vítima. Gostaria de acreditar que foi feita justiça.
Mas não posso. Porquê?
Explico.

A Justiça, em Portugal ou não, deve obedecer a um conjunto de imperativos que a limitam mas que, simultaneamente, a definem.

À Justiça, não basta ser Justa. Tem, necessariamente, de ser célere. Esta celeridade está consagrada na constituição Portuguesa e não foi, neste processo, minimamente respeitada. 8 anos de julgamento público e 6 anos de julgamento nos tribunais é um exagero. É demasiado penoso para arguidos e, sobretudo, vítimas.
Um acusado, mormente se inocente, deseja resolver as questões o mais rapidamente possível, provar a sua inocência (que terrível inversão esta do ónus da prova... não seria suposto o contrário??) e seguir com a sua vida.
Uma vítima necessita apenas que não duvidem dela, se encontrem provas dos factos, ver os culpados punidos, encerrar o assunto.

É tão simples. O que correu mal? A reflexão e devidas ilações deverão ser tiradas por quem de direito.


Para além da, como já vimos falhada, celeridade, a justiça na nossa pátria deveria possuir um predicado que está em falta no geral e neste caso em particular:

Dar segurança.

Seria espectável que após um qualquer julgamento todos os intervenientes, e também o público, ficassem com a percepção de que tudo foi bem feito e que a deliberação judicial não poderia ser posta em causa por nenhum argumento, nenhuma diligência questionável, nenhuma ilegalidade, nenhuma vírgula de nenhum parágrafo. Tudo isto seria possível porque a Justiça não seria nunca refém de nenhum interesse que não o real apuramento da verdade dos factos.

Será que algum de nós tem essa percepção de segurança desta decisão?

Eu não tenho.

A Justiça portuguesa enquanto sistema está tão mal vista que é mais ou menos lícito que toda a gente dela tenha dúvidas ou receio.

Já ouvi intervenientes no processo, com propriedade para o fazer, dizendo que muitos outros deveriam estar sentados no banco dos réus.
Se deveriam lá estar e não estão, sinto-me no direito de indagar se, fazendo uma inversão de raciocínio, todos os condenados serão, efectivamente, culpados.

Neste caso desde o início que fugas mais ou menos previstas surgiram nos média com o objectivo de criar uma multiplicidade de pontos de vista antagónicos que deixassem todos baralhados acerca do que estava, realmente, a acontecer.

Pois bem. Foram sucedidos.

O processo chegou a uma fase condenatória e ninguém tem a certeza de nada.

Espero realmente que, a bem da Justiça, todos os condenados tenham razões para o terem sido.

Só mais um facto.

Este tão chocante como uma outra qualquer ignomínia deste processo, passada numa rádio vocacionada para a Informação e, por essa circunstância, com maior responsabilidade na matéria e, logo, alvo maior para a crítica seguinte:

Passei a manhã de ontem, inteirinha, a ouvir os jornalistas da TSF dizer:
D. GeStrudes Nunes.

Inqualificável.

Bem hajam.

AC

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Derradeira Viagem

"Sinto na minha alma o aproximar dos teus passos.
Estremeço paralizado e incapaz de reagir com o temor que a tua vinda traz.
Preciso escapar mas o teu lúgubre arfar roça-me já o peito.


Força... tenho que ter força. Tenho que mover-me e fugir desenfreadamente.
Correr.. tenho que correr...
Mas porque não me mexo? Porque não reagem as pernas??


Chegas-te cada vez mais a mim. O teu fétido hálito inunda-me já de um incomportável vómito.
Tenho medo. Oh, como tenho medo!
Arde-me mais a pele por te saber chegar do que por saber que terei de te acompanhar.
Vem de uma vez, maldita! Nunca mais me alcanças??


Mas porque não me mexo???
Espera. Espera!! Não quero ir...
Não já. Não ainda.
Volta para trás! Recua no teu caminho e na tua resoluta intenção de me levar!!
Ainda não fiz o que devia. Ainda não vi tudo o que me estava destinado.
Ainda não abri os olhos... Sai daqui, por favor!!


Movimento... Uma brisa... O meu âmago estremece.
Estarei a evadir-me? Estarei a escapar??
Estarei cheio de vida novamente?
Terrível miséria. Estou gelado. A brisa é putrefacta.
Consciencializo o motivo do movimento e soluço um indizível choro.


A tua foice arrasta-me pela lama e com ela os restos daquilo que me tornei.

Desisto de lutar.

Até outro dia, Mundo.

Voltarei, talvez, e brilharei mais forte do que nunca. Mais intensamente do que fui desta feita capaz.




Um meu colega de trabalho está a morrer.

Foi-lhe diagnosticado algo que lhe tirará a vida porque o nosso conhecimento não chega ainda para nos livrar da morte sempre que ela se lembra que chegou a nossa vez.

Eu sei-o e ele também.

Hoje visitou a empresa onde trabalho e fiquei absolutamente desolado.
Não consegui dizer-lhe nada de relevante. Basicamente não fui capaz de articular mais do que meia dúzia de palavras.

Todos sabemos que a vida é a prazo. Não nos pertence.
Como imaginamos que a sua validade está onde a vista não alcança abstraímos-nos quase completamente da nossa finitude. Temos o fim traçado mas não anunciado.

Mas...

Como muda a perspectiva quando agendam a hora para o fim do que conhecemos por vida!
Nesta tomada de consciência não há qualquer libertação.

Como gostaria de ter dito o quanto lamento e o quanto desejo que tudo amanhã não fosse mais que uma terrível recordação de um terrífico pesadelo que afinal já passou..

Como gostaria de lhe ter incutido coragem, uma vez que a esperança é também já defunta..

A minha voz prendeu-se e a minha garganta fechou.

De nada fui capaz.

A vida é fodida.

Bem hajam."


Estas linhas foram a transcrição de um post de Setembro do ano passado.
Foi uma reflexão em forma de homenagem que aqui reitero.
Após o post transcrito tive oportunidade de estar com o meu colega algumas vezes e fui já, a custo, confesso, capaz de articular algumas palavras de ânimo e conforto que me haviam primeiramente faltado.

O sofrimento do meu colega foi definitivamente terminado, soube-o hoje, no passado dia 23 de Agosto de 2010.

R.I.P., caro Freitas.

AC.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

De volta à realidade.

Foto: Google
Boas tardes.

Decidi deixar aqui no vazadouro um inevitável (mas espectável) desabafo.
O motivo não será profundo, transcendente, brilhante, ou sequer interessante. No entanto, se até mentes brilhantes têm pensamentos prosaicos, também eu, mero escriba (escravo) das imposições do sentir, tenho aflições do mais vulgar que pode haver.

Ser ou não ser... Pensar ou nem por isso... Tudo isso é, momentanemente, secundário porquanto o mau estar é mais premente do que o raciocínio.

Pronto, deixo-me de subterfúgios.

O problema é:
Acabaram as férias...
Acabou o ócio...
Acabou o prazer de ser dono da totalidade do meu tempo, de ser senhor insubstituível da minha vontade.

Regresso amanhã, bem cedo, à labuta.

Pensamentos como "Trabalho para viver?" ou " Vivo para trabalhar? surgem sem convite.
Deixando-me aprisionar pela dicotomia, trabalho, seguramente, para viver.
Seria necessário sequer pensar para responder? Para alguns não tenho dúvidas que a questão imporia reflexão e dúvida.

Confúcio disse, (ou escreveu...) "Escolhe um emprego que ames e não terás que trabalhar um único dia!"

Sagaz, este Confúcio...

No primeiro impacto estas palavras quase que nos tolhem a concordar de tão definitivas que soam.
"Tem razão, o diabo do homem!!"

Terá, isto é, teria.

Nos dias de hoje a escolha efectiva do emprego que se deseja acarreta as dificuldades que todos conhecemos.

Nos dias de hoje a possibilidade de emprego afigura-se cada vez mais como um bem de obrigação imediata e não passível de grande escolha. Afinal, sempre é melhor comer logo a maçã do que esperar pela picanha que dificilmente será servida...

É certo que Confúcio não vive entre nós e, sobretudo, não vive(u) em Portugal...

É certo que nenhum argumento nega a verdade de raiz, inerente ao pensamento do "diabo do homem".

É certo... que amanhã não quero ir trabalhar.

Bem hajam.

André Couto.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Adeus, definitivo.

Foto: Google.
Ocorreu-me dizer adeus. Lavar os cestos, arrumar as alfaias. Fazer a perene despedida. Apagar o blogue e não mais aqui vir.

Escrever neste espaço traz-me, ocasionalmente, alguns contratempos de ordem pessoal sobre os quais não desejo nada explicitar. Seria, sem dúvida, uma solução simples e fácil, ainda que apenas aparentemente.

Voltar as costas às dificuldades é uma saída que, por vezes, se torna, para mim, demasiado atraente. Afinal de contas não estar perante um problema não será o mesmo do que tê-lo como resolvido?
Não. De todo, evidentemente. Será uma solução confortável mas acaba por nunca ser definitiva. As adversidades existem e fazem parte dos nossos dias. Voltar-lhes as costas apenas faz com que, momentaneamente, não as vejamos, mas por não estarem no nosso campo de visão não quer, minimamente, dizer que tenham desaparecido. É certo, e deveria ser, sabido que voltarão, talvez nas alturas mais importunas, juntar-se a tantas outras contrariedades, com um novo fôlego, uma nova pujança, encontrando-me com cada vez menos energia e, por isso, cada vez mais fragilizado.

Além de tudo o que escrevi juntam-se outras razões, mais profundas e mais fortes, que determinaram que não tenha terminado com este espaço e, provavelmente, tenham determinado uma ainda maior resolução a mantê-lo, cada vez mais amiúde e de modo progressivamente mais natural, gutural e poderoso: Necessito de partilhar o que sinto.

Sou um ser extremamente complexo e sanguíneo. Controverso e paradoxal. Analista de mim, dos outros e do mundo. Incapaz de conter no vaso que me sustenta esta enormidade de entidades que me habitam e, simultâneamente, me formam, condicionam e, muitas vezes, confundem.

Necessito deste lugar de reflexão, desabafo, exteriorização, expiação, extravaso e partilha.
Necessito do sentimento de totalidade e unicidade que escrever, ainda que por instantes apenas, me traz.
Preciso de me esvaziar para ser capaz de absorver o mundo que me rodeia.
Preciso de me libertar para me deixar prender à vida.
Preciso que, com o vosso ponto de vista, seja nesta casa ou na vossa, mudem o ângulo da luz que sobre mim incide e melhor consiga enxergar.

É então de um “Olá”, de um “Cá estou e estarei” que versa este artigo.
Não é uma despedida, mas uma chegada.
Não um “Adeus, definitivo”, mas um “Até já, breve.”

Bem hajam.
André Couto.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ir para dentro, cá dentro.


Saudações, pessoas esquisitas.

Encontro-me de férias. Estou a desfrutar desta porção de terra inglesa em pleno território luso: o Allgarve. (Noto que a correcção automática de texto não reconhece este vocábulo como pertencente à Língua Portuguesa. Deixem-me tentar em Inglês… não, o resultado continua a ser um sublinhado a vermelho. Talvez este computador não esteja actualizado ao novo acordo ortográfico ou não identifique palavras em Socratês. Decididamente vou comprar um Magalhães na esperança que situações destas não se repitam. Adiante.)

Nos tempos dedicados ao ócio dou por mim a questionar a minha existência. Os meus actos, frutos do meu temperamento. Analiso-me ao milímetro. Cada segundo de reacção esmiuçado em minutos de divagações introspectivas. Tempo não me falta. Reagir é uma inevitabilidade. Pensar a vida, para mim, uma incontornável obrigação.

Ao vasculhar-me descubro uma perene coerência de comportamento que tento diagnosticar a origem. Surgem-me várias possibilidades, no entanto, no que a análise comportamental diz respeito, é difícil empregar o método científico da experimentação para obtenção de resultados e respectivas conclusões, mormente quando somos cobaia e cientista, médico e paciente. O emaranhado é de angustiante densidade tendo como obstáculo a impossibilidade de distanciação, tão necessária para as almejadas ilações.

Desbravando a virgem floresta do meu âmago noto que desde que a memória me habita vivo em função de terceiros. Cresci tentando agradar aos pais, aos professores, aos colegas, à namorada. Sinto que sempre busquei aprovação de todos para me sentir bem comigo mesmo, receando que se assim não fosse algum deles me reprovaria. Com medo de ser colocado de parte por não ser suficientemente bom acabei por me anular incontáveis vezes. Como se receasse ser aniquilado por não agradar, acabei por me ir apagando.

Este modo de proceder teve influências no meu desenvolvimento que me moldaram de tal forma que ainda hoje dou por mim a fazer exactamente a mesma coisa. Em situações quotidianas, de maior ou menor dimensão, o certo é que a falha está lá, manifestando-se em pequeninas coisas que vão crescendo dentro de mim até se tornarem insuportáveis. São pensamentos abafados, opiniões silenciadas, risos forçados, simpatias fingidas, antipatias disfarçadas. E tudo se acumula em mim até não mais ser capaz conter. Mesmo aí, ao invés de explodir completamente, refugio-me em mim e procuro afastar-me. Digamos que não suporto a situação mas não consigo enfrentá-la e por isso fujo. Porquê? Porque ainda assim é, para o meu filtro comportamental mais aceitável que me sintam afastar, ainda que não gostem nem percebam, do que levarem com anos de situações e opiniões numa singela mas brutal explosão de raiva. Ou seja, no centro de tudo, continua sempre presente o medo de que não aceitem a minha opinião, a minha forma de ser.
Porquê tanto medo?

Essa é a resposta que procuro. Busco para mim uma segurança que me permita expressar na realidade e na totalidade o que penso a cada momento sem me preocupar com a resposta que dos outros irei obter. Até hoje não consegui a encontrar. Não sou capaz de alcançar algo que para muitos é tão prosaico que nem lhes passa pelo espírito pensar nisso, no entanto, reitero, simplesmente não sei como fazê-lo. Não obstante, sou da opinião que o primeiro passo para a resolução de um problema é identificá-lo como tal. Veremos se assim será.

Lúcia Etxebarria escreveu no seu romance intitulado “O visível e o invisível” uma passagem que traduz o que tenho pensado, sentido e vivido por estes dias, embora partindo de um outro ponto de partida:

A fama é um labirinto de espelhos deformantes: se uma pessoa se define consoante os outros, se se vê a si própria consoante a reacção que provoca nos outros, como será possível ver-se multiplicada em milhões de espelhos diferentes que se cegam uns aos outros com os seus reflexos?


Bem hajam.

André Couto.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Missiva




Trofa, 10 de Agosto de 2010

Meus queridos ledores,

espero que esta missiva vos encontre de boa saúde. Que estejam satisfeitos com o modo como decorrem os vossos dias. Bem sei que nunca tudo corre de feição, mas assim é a vida. Umas vezes mais satisfeitos do que outras. Desejo mormente que o balanço se salde positivo no que à vossa satisfação diz respeito.

Faz tempo que não vos dirijo qualquer palavra. Esta circunstância não traduz nenhum estado de desilusão, aborrecimento ou ira contra qualquer um de vós. Não significa que da vossa parte tenha chegado o mais pequeno contributo para vos ter abandonado. Não pressupõe, em suma, nenhuma falha de comportamento ou carácter da vossa parte que me tenha de vós afastado. Confesso, de peito aberto, que amiúde me lembrei de muitos de vós e que de alguns tive, e tenho, verdadeira saudade. Não sou, como nunca fui e aspiro não ser jamais, hipócrita, o que significa que de vários outros nem sequer me lembrei. Lamento, ainda que não sinta muita pena. Não só aqui não coloquei palavra, pensamento ou sentimento algum, como dos vossos espaços não fui visita. Com pena, lamento. Também essa ausência a vós não cabe responsabilidade. Apenas à minha pessoa.

Por feitio mais do que por defeito tenho a tendência de me afastar. Não porque não vos queira. Talvez até precisamente por vos querer...

Um destes dias ao abrir o meu correio electrónico apercebi-me da nostalgia que a falta de correio me traz. Não os habituais e-mails que entopem a minha "Caixa de Entrada" e a minha paciência e que acabo mais tarde ou mais cedo, habitualmente mais tarde do que cedo, por "Varrer" (obrigadinho ao Gates pela funcionalidade). Não me quero referir à impessoalidade de passar e-mails de uns para outros como se de obrigatoriedade estivessemos a falar (excepção feita aos "emílios" que o meu papá com tanto carinho e real interesse me dirige). Falo-vos da correspondência clássica. Das Cartas de familiares e amigos que deixaram de ser enviadas e consequentemente recebidas. Da espera pelo carteiro. Da ânsia de ouvir a voz dos que nos são queridos nas suas palavras escritas.
Dir-me-ão que basta pegar no telemóvel e falar. Ou então dirão que, já que gosto da escrita, posso sempre enviar uma SMS. Pois... e já agora peço ao carteiro para a ir entregar, não?

Falta a tinta, o papel, o selo, o fechar do sobrescrito, o levar a carta aos Correios e, mais importante, o tempo de dedicação à redacção, à caligrafia, à escolha da frase que melhor traduza o nosso sentimento e, em todo este ritual, a dedicação ao destinatário da missiva. Sinto que apesar de tecnologicamente estarmos todos tão perto, não conseguimos, verdadeira e efectivamente, chegar uns aos outros.

Daí que, encontrando-me nessa nostalgia, quis enviar uma carta a cada um de vós. Quis que sentissem a minha dedicação e disponibilidade através da dedicação que coloco em cada vocábulo que vos dirijo. Quero que saibam que vos estimo e que anseio pela vossa resposta na volta do correio como um faminto que pelo sustento desespera.

Bem sei que estou em paradoxo, porquanto o meio que utilizo para vos chegar é o que menos admiro. No entanto não disponho do vosso endereço. A única forma de entrar na vossa morada é através do vosso computador. Não me desconsiderem por isso.


Despeço-me com um fraterno abraço, na esperança que em breve receberei notícias vossas.
Sempre vosso,


André Couto.


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Movimento Perpétuo Associativo


Só muito recentemente atentei com atenção (sim, porque sou daqueles que defendem que se deve atentar com atenção, atentar sem atenção é coisa que recuso terminantemente...) na letra da música "Movimento Perpétuo Associativo" dos Deolinda.

Em tempos de crise devemos dar as mãos, unir esforços e meter mãos à obra. Este exemplo tem sido repetido ad libitum por esse mundo fora com base em diversas motivações, das mais fúteis às mais urgentes e substanciais.

No nosso "rectângulo mágico" somos também capazes de nos transcender e efectuar actos maravilhosos de agregação, mas só em situações excepcionais. Não desgastamos o desígnio nacional por "dá cá aquela palha".

Enquanto não chega o dia de todos fazermos algo... cantemos todos!

"Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...


Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!

-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter..."

http://www.youtube.com/watch?v=us9dIcLjfKM

Bem haja.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Nobre Povo


Partido: União de muitas pessoas para determinado fim; facção; parcialidade; bando; convénio; vantagem; proveito.

Partido Político: associação de cidadãos que pretendem obter o exercício e os benefícios do poder.

Política: (...) modo de se haver em qualquer assunto particular para se obter o que se deseja; astúcia; esperteza; maquiavelismo; (...)



Ontem materializou-se o anúncio formal da candidatura do Dr. Fernando Nobre à Presidência da República Portuguesa.
Na minha óptica trata-se de uma inegável lufada da ar fresco, puro e, sobretudo, limpo.

Não tardará que tentem associar este movimento com uma qualquer lógica partidária. Tentarão classificá-la como de esquerda, de direita, de centro. Surgirão críticos que a rotularão de mandatada por alguém. Surgirão parasitas que se tentarão colar a este movimento como sedentas sanguessugas.
Tentarão minimizar as suas potencialidades.
Desejo que todos esses falhem cabalmente os seus propósitos.

Vivemos tempos conturbados em que a consecutiva incompetência dos nossos governantes aliada ao esgotamento de um modelo económico nos trouxe de volta ao pântano.
Alegadas escutas, alegados subornos, alegadas pressões, alegadas fugas ao alegado segredo da alegada Justiça alegadamente publicadas por um alegado jornal alegadamente semanal.
Temos um alegado Governo que não aparenta querer governar mas que não se demite; temos uma alegada Oposição que quer governar mas não quer demitir o Governo.

Neste contexto surge a candidatura do Dr. Fernando Nobre.
Aos que lhe acusam a pouca experiência política eu respondo: ainda bem que não a tem.
Aos que lhe apontam a falta de experiência partidária eu digo: que bom!!
A nível pessoal pouco lhe poderão apontar. De verdadeiro serviço público tem a vida inteira a falar por si. Capacidade para organizar e aglutinar pessoas não me parece que lhe falte.
Não vislumbro dificuldade em que reúna pessoas competentes e de diversos universos ideológicos.
Diplomacia é um meio com o qual está habituado a lidar.
Preocupação com o povo não lhe falta.

Parece-me indesmentível que este candidato tem predicados únicos e que merecem reconhecimento e oportunidade.
É evidente que um Presidente da República não governa. Não será nunca um salvador da pátria. Mas o fundamental reside no facto de que esta candidatura pode fomentar uma há tanto esperada mudança de paradigma. O início de uma nova era.

Os desafios que hoje se nos colocam não se compadecem de ideologias políticas de posicionamento espacial. Não vamos a lado nenhum com esquerdas, direitas e centros. Precisamos de preocupações sociais da esquerda, preocupações com segurança da direita, preocupações com a saúde económica do centro. Não precisamos é destes partidos políticos.
Apenas duas coisas nos fazem falta: trabalho e bom senso.

Desejo toda a sorte e todo o êxito para a candidatura do Dr. Fernando Nobre.
Desde que se mantenha supra-partidária contará com o meu voto e com todo o apoio que dentro das minhas possibilidades puder fornecer.


Bem hajam.

Serrazinar



Olá, então, tudo bem? Óptimo...
A quotidianidade tem destas coisas de nos afogar e não deixar tempo (vontade, vá...) para quase nada.
Nos poucos momentos de puro ócio, naqueles raros lampejos de verdadeiro interesse televisivo, estou, evidentemente a referir-me à publicidade, deparo-me constantemente com dois anúncios que serrazinam o meu bem-estar.
Esse serrazinar pegado (sim, estive a ler o dicionário, daí a minha ausência tão alongada) foi a gota de água que esbordou o copo da minha inércia e me obriga a apresentar um protesto público e formal contra o vilipêndio a que inadvertidamente somos sujeitos.
É, pois, neste estado de alterada indignação que a Vós me dirijo.
O anúncio publicitário às bolachas Oreo é absolutamente inqualificável. O drama decorre numa conversa entre pai e filho. Nesse diálogo, se escutado, neste caso lido, com a atenção que toda a televisão portuguesa merece, não nos escapará a vergonha que dele emana:
- Separas... Lambes... Mergulhas... e depois comes!!
Mas o que é isto?!?
A mim parece-me badalhoquice.
Notem que não tenho nada contra a badalhoquice, sou até um defensor acérrimo de certas coisas porcas!
Meter crianças ao barulho, com discursos libidinosos dirigidos a um adulto, ainda por cima seu pai é exagerar um bocadinho. Exige-se, portanto, moderação.
Além disso estragar aquilo que poderia ser um puro momento de boa badalhoquice é absolutamente imperdoável.
O outro motivo da minha revolta consiste na publicidade ao Pingo Doce.
"O que é que tem?", perguntam vocês com a surpresa estampada no rosto.
É parva, respondo.
Mas não é a sua parvoíce que me indigna.
Falo da boca do senhor que escolheram para o anúncio.
Estou todo refastelado na minha poltrona desejoso de ver anúncios daqueles bons, daqueles que nos fazem passar tempo de qualidade em frente a um ecrã e fica o meu televisor pleno com a boca do senhor da publicidade do Pingo Doce!! Não sei se repararam, mas quando o senhor da publicidade do Pingo Doce surge só se vê a sua boca. Eu, pelo menos, não consigo ver mais nada. E isto deixa-me triste. Porquê? Porque por causa da boca do senhor da publicidade ao Pingo Doce, não consigo concentrar-me na publicidade ao Pingo Doce. Ora se eu não consigo concentrar-me na publicidade ao Pingo Doce por causa da boca do senhor da publicidade ao Pingo Doce, não realizo o propósito de empiricamente verificar que a publicidade ao Pingo Doce é parva.
E isto, meus amigos, não se faz.
Perceberam? Não?? Porreirinho...
O post que irei colocar de seguida nada tem a ver com a força criadora indomável que me assola, foi mesmo mesmo mesmo esta questão publicitária que primordialmente me impeliu...
Bem hajam.