domingo, 18 de outubro de 2009

Obama Nobel

"Barack Obama é alguém que admiro profundamente, um Homem bem intencionado, correcto, competente e, sem sombra de dúvida no local certo.
Admiro-o tanto que chego a recear que os interesses instalados nos EUA acabem por o tirar do cargo que ocupa, ou pior ainda, do mundo onde vive...
Obama é alguém com um potencial imenso e, quem sabe, daqui a alguns anos poderá vir a ser um Ghandi dos tempos modernos.
O que discordo, então?
Da altura para o laurear. Em nove meses de mandato Obama deu já indicações óptimas do que pretende para a América e, por arrasto, para o resto do mundo. No entanto considero que um prémio Nobel da paz deve distinguir quem tenha objectivamente contribuído para a paz mundial.
O actual presidente dos EUA numa análise pragmática ainda não tem obra terminada nessa matéria. Reconheço-lhe os fortes alicerces mas, na minha óptica, não se inauguram projectos, apenas obras terminadas.
Em suma nada tenho contra Obama, antes tudo a favor. Penso por isso que esta atribuição peca por precoce e, nessa medida, assente no sonho do que por Obama poderá vir a ser feito e não ainda pelo que realizou.
Este conceito está, na minha modesta opinião, errado."


Quando Barack Obama foi eleito presidente dos EUA dei a minha opinião aqui.
Após ter colocado o comentário, que acima transcrevo, num post que defendia a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Obama, tive conhecimento da notícia seguinte:


"Terça-feira, 6 de Outubro de 2009 09:52

EUA: Obama adia encontro com Dalai Lama.

Ao contrário do que aconteceu com os seus antecessores, o actual presidente norte-americano Barack Obama não vai encontrar-se com o líder espiritual tibetano Dalai Lama, durante a visita que este dirigente está a realizar a Washington.
De acordo com a informações apuradas pela agência noticiosa Reuters e difundidas pela brasileiro UOL, Obama prefere esperar pelo seu encontro com o presidente chinês Hu Jintao, em Novembro, antes de se reunir com o Dalai Lama. Reunião que poderá ter lugar, possivelmente, em Dezembro."

Quando soube que o Presidente dos EUA não tinha recebido Dalai Lama desconhecia que isso se deveu ao intuito de, antes, se reunir com o Presidente da China, que, por sinal, é chinês.

O facto de Obama não ter recebido o líder espiritual tibetano não é, por si, grave.

O facto de Obama pretender encontrar-se com Hu Jintao não é, por si, grave.

O facto de não receber Dalai Lama para, porventura, poder tirar dividendos junto do Presidente da China desse facto, parece-me lamentável. Na minha óptica trata-se de um trunfo negocial paupérrimo. Não concordo minimamente que, eventualmente, se procure aproximar de um país, mesmo que seja a China, à custa do esquecimento de causas tão essenciais como os Direitos Humanos.

- Oh Jintao, podemos ser amigos? Afinal o Lama foi a Washington e nem recebi o gajo!!

- Claro, Barack... E podes tratar-me por Hu. E olha, gosto tanto de ti que te vou mandar erigir uma estátua!

- A sério?? Onde, Huzinho querido?

- Vai ser nuns planaltos que temos ali a um canto. É uma zona belíssima e não vive lá quase ninguém. Existe espaço e só precisamos deitar abaixo alguns templos que não têm interesse nenhum.

- Mas será que não irá incomodar?

- Tranquilo, Obama. Nesses planaltos é tudo gente pacífica que só se preocupa com meditação e paz.

- PORREIRO!!! Já agora podias pôr uma vitrina na estátua...

- Para quê, Barack?

- Oh pá, num sítio desses, tão pacífico, é que era apropriado colocar o meu Prémio Nobel!!!

- Claro que sim. Entre amigos não há problemas dessa índole.

- Jintao, só mais uma coisa.

- Sim.

- Como se chama essa região? Para poder divulgar ao mundo a tua fantástica homenagem e comprar um animal de estimação oriundo de lá?

- Ah... Claro. A tua estátua ficará no Tibete...

Passando o exagero da brincadeira, continuo a achar que Barack Obama parece ser um homem bom.

E continuo a considerar que foi muito prematuro terem-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz.

Bem hajam.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Intervalo II



"Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.
Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.
Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.

Um dia em que se possa não saber."


Sophia de Mello Breyner Andresen

Fragmentos de Inverno



Nada resulta.
Não há como escapar à armadilha de ser eu mesmo.
Não sou capaz de rir.
Não tenho mais a capacidade de chorar.

Paulatinamente o frio nuclear do rochedo metálico em que me torno esmaga o remanescente calor do que um dia foi um sol incandescente.
Inefavelmente o meu âmago definha com a minha respiração como lúgubre e inexorável metrónomo.

Sempre fui vítima do inconformismo para com a multiplicidade de entidades que me habitam mas com a vinda deste aparentemente perene Inverno nada mais sofro:

Nada mais sinto.

Num destes hojes estive num 8º andar a olhar de cima a realidade que me prende e sufoca, enquanto fumava um cigarro pacificador.
O fumo voava em meu redor como uma materna e acolhedora nuvem.
Quando terminei, atirei o resto moribundo do cigarro com a sua aflita centelha para o abismo do seu eterno descanso.
Voou ziguezagueando até ao fim. Até ao preciso momento em que esbarrou violentamente o negro solo asfaltado.

- Apagou-se... - disse, sorrindo com ironia.

Recebi com mórbido prazer a fresca brisa que me afagava o rosto enquanto olhava a vida lá em baixo, num mundo que estava algures que não ali.
Aquele fugaz mas tremendamente libertador voo estava a tornar-se tão apelativo...

Saí para o elevador.

Não é ainda a hora de abrir as asas.


Vulnerant omnes, ultima necat

Sejam felizes.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um abraço na Web


O titular do blog Sair das Palavras... deu-me um terno e edificante abraço que exibirei com reconhecimento ali ao lado.
"E o significado dado pelo próprio é: "A imagem lá em cima é um gatafunho meu. Um auto-retrato figurado de como o Gato abraça.
Com dois braços tão grandes tão mas tão grandes, capazes de engolfar o mundo, e um coração que não cabe lá dentro".
O desafio consiste em responder a estas perguntas:

1 - Quem mais gostas de abraçar no presente?
2 - Quem nunca abraçarias?
3 - Quem davas tudo para poder abraçar?"


O Daniel é alguém que vai enchendo a blogoesfera de carinho e amizade. Sentimentos verdadeiros de alguém genuíno nesta realidade paralela a que chamam virtual.

O reconhecimento que desejo que sinta nada tem de virtual.

Como já, no teu blogue, tive a oportunidade de fazer, pretendo também aqui agradecer-te. Não o abraço da figura, mas a presença, estímulo, carinho e amizade que sempre estás pronto a dar e nem todos prontos a receber.

Obrigado, Daniel.


Tentarei dar, então, resposta ao desafio lançado:

1 - A pessoa que mais gosto de abraçar no presente é o meu pai. É um grande Homem. Amo-o imenso e quanto mais cresço enquanto pessoa mais parecido fico com ele, o que me deixa incomensuravelmente satisfeito. Todos temos defeitos e o meu pai não é excepção, mas ainda bem que assim é. Seria deprimente ter alguém perfeito como exemplo e saber que nunca conseguiria igualar. Além disso a ideia de que se, no evoluir da vida, os seus defeitos passarem a ser os meus não me assusta minimamente. Pelo contrário. Ficaria muito grato por tamanha benesse.


2- Dizer qual a pessoa que nunca abraçaria é um desafio complicado. Bastante mais do que o que parece...
Talvez tivesse muita dificuldade em abraçar quem consciente e propositadamente me tenha causado dor. Não sou rancoroso, notem. No entanto, embora esqueça muitas coisas más, tenho dificuldade em verdadeiramente perdoar algumas delas.


3- Dar tudo para poder abraçar entendo como força de expressão, pelo menos no meu caso.
Quem eu adoraria abraçar e não posso teria de ser, inevitavelmente, Fernando Pessoa.
Seria, para mim, absolutamente delicioso poder com ele trocar ideias e argumentos. Ter o privilégio de trocar correspondência (daquela que já não se usa muito, em papel...) com alguém cujas ideias partilho e sinto tanto seria algo de inanarravelmente impagável.


Penso que cumpri, minimamente, o âmbito do objectivo que me foi proposto, o que, nestes casos, nem sempre faço.


O abraço do Daniel gostaria de o estender apenas, uma vez que primeira e sentidamente já lho retribuí, ao "Sócrates da Silva" do Castelo d'Areia:

Caríssimo amigo, como em privado já tive a oportunidade de to comunicar, tenho por ti imensa estima e não posso deixar passar a oportunidade de te enviar um muito grande, verdadeiramente fraterno e mais que merecido, abraço.


Bem hajam.