terça-feira, 22 de setembro de 2009

Porque não te dou ouvidos, avó?


Há algum tempo decidi que seria muito inteligente da minha parte adquirir "O Processo" de Franz Kafka numa edição "low price". Dado que os livros são, para mim, bem essencial considerei tratar-se de uma boa oportunidade comprar um clássico da literatura e logo por um valor irrisório.

Quando trouxe o livro para casa coloquei-o na lista de espera até que chegasse a sua vez de ser devorado. É algo que acontece com regularidade devido ao facto de ser extremamente impulsivo na compra de livros, e depois tenho-os, literalmente, aos "montinhos" na ordem pela qual os tenciono ler. Esta minha faceta compulsiva já me tem causado alguns dissabores, como neste caso.

Comecei a ler, cheio de vontade, essa obra-prima das letras e logo pensei na minha avó.
E até nem é algo que aconteça amiúde, embore eu goste muito dela.

- "Olha que o barato sai caro!!!", diria a D. Alzira acerca de tudo o que seja demasiado barato.

O busílis reside nesse ponto: demasiado barato.
Só consegui deglutir 50 páginas e mesmo assim foram precisos vários dias de muito bocejo, frustração e maledicência.
O livro está nojentamente traduzido!

As duas cavalgaduras que assinam a sua tradução deviam ter vergonha na cara.
Fiquei com a sensação clara que utilizaram uma versão inglesa da obra e colocoram-na num programa de tradução. Agora imaginem todos aqueles rebuscados floreados tipicamente "british" traduzidos à letra!

- "Ah, e tal, por €4,90 não podias esperar muito..."

Podia. Esperava pelo menos um livro que se conseguisse ler.

Bem hajam.

6 comentários:

OnMyOwn disse...

Isso é que se chama azar...
É livro que nunca li... Mas olha que tenho muita curiosidade.Já ouvi falar tanto d' "O Processo" que há-de chegar a sua vez de passar pelo meu escurtínio...

Espero que apesar desse azar, tudo esteja bem.
Saudações, e um Abraço

Blondewithaphd disse...

Meu pobre... Como te entendo...
Contudo: amiguito, Kafka é do mais secante que há, com ou sem boa tradução, em alemão, em inglês ou seja o que for. Eu, leitora compulsiva, infatigável e impenintente nunca em dias da minha vida consegui ler Kafka.

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Sarava!

As avós que andam sempre por perto;)


beijinhosssssss

Socrates daSilva disse...

Comecei Kafka por esse livro. Penso que essa sensação sufocante e labirintica deve ser mesmo o objectivo. Claro que uma má tradução não estaria na mente do autor como uma maneira de passar a sua mensagem!
:-)

Abraço!

André Couto disse...

OnMyown,
já não sei se vale a pena...
Escolhe outro para ler!
Está tudo.
Abraço.

Loira,
o que me arde na pele é ficar sempre na dúvida se não gosto do livro por causa de como foi escrito ou de como foi traduzido!
Beijinho.

Arco Íris,
beijinho.

Sócrates,
como disse à Blonde, gostaria de ter a certeza.
Mas depois de ler, e gostar, de vários livros do Saramago, acredito que não seja um qualquer que me põe com sensações sufocantes e labirínticas!
Tem de ser da tradução.

Abraço grande!!

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Dizia Freud que só retemos o que nos interessa. Uma vez, exactamente nos mesmos moldes, comprei um livro dele que nao este, mas gostei tanto que nem do título me lembro.

Até Werther me custa ler, mas tem outra escrita, e concedo: nao gosto do non-sense na literatura. Dá a sensação de que andamos às voltas conforme a vontade do autor naquele momento.

Paulo Castilho é uma referência, embora com tao pouco publicado. Escreve como se falasse e o ritmo é estonteantemente bom.

Abraço