domingo, 13 de setembro de 2009

O despertar da visão


Ontem fui ao Porto.
Poderão estar a pensar que, para quem vive tão perto dessa cidade, não fiz nada de transcendente. Terão a vossa razão, mas...
Ontem olhei o Porto.
Estive plenamente na urbe sem hora de chegada ou partida, qual criança admirada com algo que nunca tinha visto ou imaginara ser possível ver num lugar tão distante como o seu quintal.

Ansioso por saber mais sobre cada esquina, delirante por cada novo recanto que descobria, numa terra que só ontem foi dada a conhecer ao mundo. Quero dizer, só ontem o meu mundo a quis para si guardar.

Passei pelos mesmo locais que dezenas de vezes passo mas que nunca tinha visto.
Passeando a pé pela invicta cidade descobri a sua verdadeira beleza, a sua grandiosidade, a sua alma.

Cada monumento, cada edifício, cada aresta.
Cada uma das inúmeras centelhas que só para mim ganharam ontem vida.

" - Parece uma cidade estrangeira!!", cheguei a exclamar, excitado, de tanta novidade.

Para mim era. E por esse motivo fiquei com medo.
Será que abri os olhos onde já estive?
Será que vi, de facto, alguma coisa?
Ou ter-me-ei limitado a voar sobre os lugares e os objectos sem nada ter conhecido?

A napoleónica angústia iniciou a sua invasão sem aviso.
A dúvida acercou-se de mim:
Será que passei a correr e perdi o melhor de tudo o que para trás ficou?
Terei de revisitar todos os locais novamente?
Terei de viver outra vez, desta feita tendo atenção ao básico, não me esquecendo de respirar?
E terei tempo para ver tudo, não novamente, mas de novo???

Vou começar pelo jardim da minha casa porque desconfio que, verdadeiramente, nunca o vi...

Bem hajam.

4 comentários:

Socrates daSilva disse...

É interessante que sinto o Porto como uma cidade cheia de locais onde reina uma atmosfera diferente, lenta e que serenamente me domina. Será do granito, será das sombras ou da sua orgulhosa pose “de milhafre ferido na asa? A questão é que o Porto é viciante…

Depois, seja nesta cidade, seja em que lugar for, quando temos tempo para observar e fruir demoradamente as coisas, que temos recompensas, lá isso temos…

Abraço!

L!NGU@$ disse...

Entendo que te sintas assim, também já o senti várias vezes em relação à minha cidade, Braga. Faz-nos pensar, realmente.

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Há sempre coisas a descobrir.

Resumiria o teu texto com as sábias palavras do Antoine de Saint Exupery: "Foi o tempo que perdeste com a rosa que troneou a rosa tao importante para ti".

Abraço amigo

magna disse...

"Vou começar pelo jardim da minha casa porque desconfio que, verdadeiramente, nunca o vi..."
senhor cura a minha segueira de todos os dias e falo por mim pra mim e pra quem servir ensina-me a enxergar novamente aquilo que eu não vi e aquilo que vi,me ajude a lembrar e enxergar com clareza!!!