quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Haruki Murakami


Não, não é o Jackie Chan.
Este senhor é Haruki Murakami, escritor japonês natural de Quioto.
Que têm a ver com isso? Se gostam de ler, provavelmente tudo.
Durante muito tempo senti uma raiva mal contida sempre que lia um autor estrangeiro. Adoro ler romances de várias temáticas e influências mas amiúde deparava-me com um problema complexo de índole, para mim, absolutamente incontornável: Aquilo não prestava.
O meu desagrado prendia-se com uma questão bifurcada mas que redundava sempre no mesmo fim: não conseguia ler o livro.
Porquê?
Pelas traduções idiotas que faziam. Era-me penoso e intransponível ler palavras traduzidas à letra e cuja tradução desvirtuava aquilo que parecia ser o óbvio desejo de escrita e transmissão de mensagem por parte do autor. Estou a falar de um trabalho muito pouco profissional, tão pobre que qualquer aluno médio do secundário com hábitos razoáveis de leitura faria incomensuravelmente melhor. Considero vergonhoso que alguém sem qualquer formação em técnicas de tradução consiga perceber que o resultado do trabalho do tradutor não é suficiente para atingir o medíocre.
Outras vezes ocorria que o texto em si era tão execrável que ficava na dúvida se o livro teria passado por fracas mãos ou se seria já uma bosta mal escrita antes de ser passado para português.
De qualquer forma não conseguia continuar a ler e isso causava-me a tal raiva.
O que tem o Haruki a ver com o assunto?
Tudo.
É um escritor fenomenal e está divinamente traduzido.
Assumo sem pejo que não percebo nada de japonês mas ou o Sr. Murakami escreve muito bem, ou a D. Maria João Lourenço é uma tradutora de se lhe tirar o chapéu.
Gosto de romances com o final inequívoco. Nos livros do Haruki (Rukinho, para os amigos) isso nunca acontece porém amei qualquer um dos 6 ou 7 seus livros que já tive a oportunidade de ler.
É uma escrita viciante, desprendida, crua, descritiva q.b. mas sem se tornar maçuda.
O termo que me parece mais acertado será desconcertante.
Regra geral foca a história no trajecto de um personagem onde tudo o que se passa o afecta das formas, por vezes, mais triviais, por mundanas, mas simultâneamente das formas mais profundas, dando-nos a conhecer a alma do sujeito que rapidamente é substituído por nós mesmos e onde tudo o que acontece nos abala inefavelmente.
Os seus livros são uma ode ao indivíduo e a todos os "eus" que estão nele contidos.
É impossível não encontrar numa sua obra algo que não nos faça pensar:
"- É verdade. Claro! Mas porque nunca parei para pensar nisso?"
Apesar de elementos comuns vadiarem por vários dos seu textos nunca terminei um seu livro pensando que tinha desperdiçado o meu tempo. E isto não é muito habitual.
Espero que vos tenha atiçado a curiosidade.
Não recebo comissões, creiam-no, mas é tão recompensador ler as obras do Sr. Murakami que gostaria que sentissem o mesmo...
Caso já o tenham lido façam o favor de deixar opinião!
Bem hajam.

4 comentários:

Socrates daSilva disse...

Andava mesmo a pensar que livro ia ler. Andava indeciso entre alguns e Haruki era uma hipótese, pois ainda não tinha lido nenhum dele (shame...)
Agora ao ler o teu post, acho que recebi um sinal.
:-)

André Couto disse...

Sócrates,
sinceramente acredito que não te arrependerás da escolha.
Depois diz-me qual o livro que leste e a opinião que te ficou, ok?
Abraço.

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Por acaso até é parecido com o Jackie Chan. Todavia, deve ser mesmo muito bom para ja teres lido 6 ou 7 livros dele. Se aguçaste o apetite? mais do que isso... :)

abraço

André Couto disse...

Daniel,
de facto aprecio bastante a escrita deste senhor. Se tencionas ler algum dos seus livros, e for tua vontade, partilha depois comigo o que achaste.

Qualquer dia fundamos o clube de fãs do Sr. Rukinho!!

Abraço.