segunda-feira, 8 de junho de 2009

Afinal são três...



"Alegres camponeses, raparigas alegres e ditosas,
Como me amarga n'alma essa alegria!

Nem em criança, ser predestinado,
Alegre eu era assim; no meu brincar,
Nas minhas ilusões da infância, eu punha
O mal da minha predestinação.

Acabemos com esta vida assim!
Acabemos! o modo pouco importa!
Sofrer mais já não posso. Pois verei —
Eu, Fausto — aqueles que não sentem bem
Toda a extensão da felicidade,
Gozá-la?

Ferve a revolta em mim
Contra a causa da vida que me fez
Qual sou. E morrerei e deixarei
Neste inundo isto apenas: uma vida
Só prazer e só gozo, só amor,
Só inconsciência em estéril pensamento
E desprezo [...] Mas eu como entrarei naquela vida?
Eu não nasci para ela."
Fernando Pessoa,
in Primeiro Fausto
Bem hajam.

8 comentários:

sonhos/pesadelos disse...

gosto mto de Fernando Pessoa,mas mais quando és tu a escrever,com todo o respeito.
bjs endiabrados

alma tua... disse...

boa escolha...
um bj

Morgaine disse...

Vim só deixar um beijo e agradecer a "intrusão" porque, no fundo, no fundo... eu também sou uma intrometida de primeira :P

Ferreira-Pinto disse...

Por aqui, as escolhas poéticas são sempre de primeira água.

Joaninha disse...

Bolas, depois dos dois post politicos pensei que te tinhamos perdido, ainda bem que não.

O poema é lindo, mas também, mostra-me algo o Fernando que não seja lindo...

Beijos

Benjamina disse...

Concordo com o Ferreira-Pinto.

★ Aralis ★ disse...

Já há algum tempo que não lia pessoa, adorei reler.
gracias
bj

Fada do bosque disse...

Deixei um pequeno prémio, um selo para este blogue, no endereço:

http://oficinadobosque.blogspot.com/