sábado, 4 de abril de 2009

Sinal de Vida

Olá a todos.

Estou há tempo a tentar publicar qualquer coisa magnânimo mas nenhuma ideia digna desse nome me visita hoje.

Está a chover lá fora.
As gotas escorrem pela vidraça da janela da mesma forma que escorreriam noutro sítio qualquer: de cima para baixo.

Estamos a chegar à Páscoa (à época e não à ilha, evidentemente).
Noutros anos estaria afoitamente a procurar flores para entregar à minha madrinha, ao que ela retribuiria com um magnífico folar. É um costume desta zona, desconheço se nas vossas áreas de residência existe igual tradição.
Uma vez casado a tradição dá-se por terminada.

Continua a chover. As gotas desempenham perfeitamente o que delas esperamos.
Escorrem.

Nesta semana que hoje termina vi nas notícias um homem a ficar gravemente ferido apenas porque é terrivelmente (para ele) estúpido.
No seu brilhante cérebro surgiu a não menos luminosa ideia de tentar assustar o seu amigo que abastecia o automóvel. Como o fez?
Acendeu um fósforo.
Resultado: O amigo apanhou um susto dos diabos. Ele foi internado com queimaduras graves.
Ao escrever esta palavras não posso deixar de partilhar convosco o que penso:
Se ele pagou com o corpo o facto de ser incomensuravelmente idiota, porque não acontece o mesmo a alguns políticos portugueses??

Chove ainda. Nem vou falar nas gotas porque já enerva falar no assunto.

Logo à noite irei a um jantar de aniversário de uma amiga e irei rever um amigo que veio dos Açores, trabalha na Graciosa, para passar as festas da Páscoa. Quero dizer... Não veio para as festas. Vem para as férias!

Sim ainda cai água do céu e as p#"@$ das gotas ainda escorrem!!

O meu pai, que tem 54 anos, inscreveu-se por estes dias num Centro Novas Oportunidades para concluir o 9º ano de escolaridade e poder ter um computador quase de borla (não, o não é minúsculo Magalhães).
Para lhe atribuam o Certificado que lhe reconheça as competências tem que elaborar uma série de trabalhos, todos eles envolvendo o uso do computador que nunca teve.
Como filho pródigo (e único...) tenho ajudado o meu pai a aprender a trabalhar com um computador. Tem sido magnífico!
Imaginem explicar ao meu querido pai o que é um rato e como funciona, que pode tocar e mexer nele sem receio.
Pedir-lhe para fechar uma janela que não tem interesse e ele responder: "Queres que feche o quê???"
Para além de todo este enternecimento que sinto ao ajudar o meu progenitor fico ainda verdadeiramente tocado ao ler e transcrever para o ecrã as palavras que ele manuscreveu num caderno e que contam toda a sua vida, tudo o que passou, tudo o que sentiu, todas as suas tristezas...

Estou com as lágrimas nos olhos.

O meu pai não teve uma vida fácil, mas é um grande Homem e um pai fenomenal.
Tenho um orgulho inqualificável por tudo o que ele é, por tudo o que teve de ultrapassar, pelo carinho e amizade que sente por mim.

Choro copiosamente baba, ranho e afins.

No texto que escreveu e que conta a sua vida houve uma parte que nunca esquecerei e que tudo farei para que não mude nunca.
O meu pai escreveu:
"O que dizer sobre o meu filho? É o meu orgulho e sem dúvida o meu melhor amigo."

Soluço incontrolavelmente.

Pai, adoro-te!!!