terça-feira, 17 de março de 2009

Tempo


Respondendo à solicitação da Sofia Loureiro dos Santos aqui publico o poema sobre o Tempo que escolhi de um livro de Miguel Torga.
De facto, cara Sofia, não seria possível esperar pela pág. 161...


"Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.



Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!



Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!"


Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'
Coimbra Editora, Lda.


Um enorme bem haja.

3 comentários:

Anjo Negro disse...

Ui ... Miguel Torga ...
Que saudades ... Obrigado!!!

LINDO ...

Beijos Anjo Negro

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Obrigada, André.

sonhos/pesadelos disse...

não conheço a fundo nenhuma obra dele, mas gostei da escolha sem duvida!bjs endiabrados