quinta-feira, 12 de março de 2009

Poema do Silêncio



"Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim."

José Régio


Não fossem começar todos a perguntar pela poesia a que já vos habituei, aqui fica a escolha de hoje.

Um enorme bem haja!

3 comentários:

Daniel Silva disse...

Prefiro a prosa, mas bem fizeste em avisar nao ser teu. Como bem disseste, ja estamos habituados à beleza da tua escrita e acredita que passava bem por teres sido tu.

Abraço

sonhos/pesadelos disse...

continuas a maravilhar com as escolhas publicadas, mas concordo com o Daniel Silva, prefiro as tuas prosas.quem sabe não te lanças nos poemas mas teus? é uma ideia a pensar...
bjs endiabrados

André Couto disse...

Obrigado pelo crédito que dão à minha escrita. É um voto de confiança que não tenho a certeza de estar à altura.
Mas quem sabe?
Pode ser que supreenda... pelo menos a mim!

Bjs e abraços.