terça-feira, 10 de março de 2009

Confiança


"A confiança é um acto de fé, e esta dispensa raciocínio."
Carlos Drummond de Andrade



"A vida, para os desconfiados e os temerosos, não é vida, mas uma morte constante."
Juan Vives





Nestes últimos dias fui impelido a debruçar-me sobre o significado da palavra "confiança".

Como não podia deixar de ser fui ao dicionário e encontrei o seguinte:
"ânimo; ousadia; segurança íntima ou convicção do próprio valor;
bom conceito de pessoa estranha; crédito (...)"

Ora bem, sendo esta a definição de "confiança", o que será "confiar"?

No mesmo dicionário (Dicionário da Língua Portuguesa, 8ª edição revista e actualizada da Porto Editora, pág.404) podemos encontrar:
"(...) entregar ou comunicar alguma coisa a alguém sem receio de a perder ou sofrer dano;"


Em suma não posso dizer que tenha encontrado nada de novo.
O conceito está bem inculcado em todos nós e não me parece difícil entender o que é confiar e como se faz.

Tendo em mente esta aparente simplicidade e transpondo-a para algo prático e que conheço bem como por exemplo..... a minha vida, consigo ainda ficar surpreendido com algumas atitudes.

Como já todos pudemos ver, e concerteza concordamos, confiar em alguém implica dar-lhe algum crédito.
Implica que em caso de dúvida a confiança faça pender os braços da balança para um dos lados.
Implica inexoravelmente que não se julgue alguém sem uma justificação forte.
Implica o princípio subjacente ao ideal de justiça da nossa sociedade de que alguém é de facto inocente até prova em contrário.

Confiar implica acreditar em alguém mais do que o natural receio de ser enganado.


Consigo perceber que a confiança tenha limites e que haja casos em que não seja possível dar-se mais crédito a outrem.
No entanto há uma questão de inultrapassável importância:
Quanto maior for a proximidade com a pessoa em quem confiamos, mais cuidado temos de ter quando, por algum motivo, começamos a colocar em causa a confiança dada.

Penso que o passo correcto será sempre tirar qualquer dúvida com o próprio.
Dar-lhe a oportunidade de se explicar.
Dar-lhe a hipótese de restaurar a confiança depositada.

Parece-me razoável... ou não?

Um alerta para as pessoas que se achem muito expeditas:
Quando considerarem que em quem confiam não merece mais e decidirem "ir à volta", tentar fazer investigações de iniciativa própria e fazer tudo sem olhar a meios, certifiquem-se que não o dão a entender à outra pessoa.

É que...
ela pode estar a ser julgada por algo que não fez e ficar aborrecida.

Diria mesmo... ficar fula da vida,
por estarem a desconfiar dela e não terem a coragem de o admitir.

Chegaria a acrescentar...
ficar muito, mas mesmo muito, lixado por, mais uma vez, não lhe darem qualquer benefício de dúvida e estarem a cometer uma, só mais uma, injustiça.


Peço desculpa por estar a ocupar o vosso espaço intelectual com desabafos corriqueiros e evidentemente pessoais, mas tinha mesmo de ser.
Além disso, se não posso aqui, posso onde?

Um enorme bem haja.

4 comentários:

Daniel Silva disse...

É um tema muito pertinente, e acabas por dar boas definições de confiança, mais do que aquelas que não precisarias de ter visto no dicionário.

Todavia, quanto maior é a entrega, maior a vulnerabilidade, e daqui resultam duas coisas: maior confiança mas também, (paradoxal e eventualmente) maior as defesas propostas pelo inconsciente, porque o outro acaba por se expor exactamente como é...

Sobre o "dar a volta" revela apenas que somos inseguros. Sò quem está firme em si mesmo aceita o perdão ou dá-o.

Abraço :)

Daniel

Joaninha disse...

Desabafa tudo o que tens de desabafar, a malta gosta de ler...

"ficar muito, mas mesmo muito, lixado por, mais uma vez, não lhe darem qualquer benefício de dúvida e estarem a cometer uma, só mais uma, injustiça."

Eu não fico fula, fico triste muito triste, porque ao fazer isso a pessoa quebra a confiança que eu tinha nela, para além de demonstrar que não confia em mim. E isso deixa-me, não zangada, mas muito muito triste...Sendo que essa tristeza acaba por afectar em muito a minha relação com a pessoa.

beeeijos

sonhos/pesadelos disse...

confiança...laço tão forte no amor quanto na amizade,seja em que campo for,que quando é dado é-o feito com tudo o que ele implica, sentimento. complicado de definir, demais!!!! mas nunca deve deixar de existir, mesmo que seja posto em causa, deve fazer parte de nós, com reservas é certo mas continuar lá...
bjs endiabrados

André Couto disse...

Obrigado a todos pela vossa atenção e pelos comentários.

Daniel: Só fui ao dicionário confirmar se a minha noção de confiança seria diversa da dos outros... :)
Abraço.

Joaninha: A "furia" que senti seguiu a tristeza das outras vezes.
Quando este tipo de fenómenos se repete passa-se da simples tristeza à irascibilidade...
Beeijo.

Sonho: É de facto muito complicado. mas como diz o outro "quem não se sente não é filho de boa gente" e... tenho uns pais maravilhosos! :)
Bjs endiabrados