segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A minha Primavera


"Hoje corri todos os jardins da terra
e estou ao pé de ti de mãos vazias meu amor,
os jardins só respiram esse fulgor desnudado
a rutilar caligrafias mesmo no centro da pedra.

Amanhã voltarei a correr todos os jardins
ao ritmo quase imóvel de um segredo,
num murmúrio que preserve o alento
para mergulhá-lo numa boca de mulher.

Hei-de correr todos os jardins sagrados
que habitam subtis e espessos labirintos,
e encontrar os vocábulos das pétalas da rosa
que unem o interdito ao centro das palavras.

E é como se as rosas nascessem dos dedos
como uma raiz imitando os frutos meu amor."


João Rasteiro

5 comentários:

Socrates daSilva disse...

Que bom regressares, e logo com este bonito poema!

(Sabes que sentimos a tua falta?)

Abraço!

André Couto disse...

Caríssimo Sócrates,
Gosto de pensar que sim...
Eu certamente que tinha saudades.
Um grande abraço.

Daniel Silva disse...

Está de facto muito bom. Apetecia-me que ficasse so assim (e desculpa fazer estes cortes):

"Hoje corri todos os jardins da terra
e estou ao pé de ti de mãos vazias

Amanhã voltarei a correr todos os jardins
ao ritmo quase imóvel de um segredo,

Hei-de correr todos os jardins

E é como se as rosas nascessem dos dedos
como uma raiz imitando os frutos meu amor."

ab

André Couto disse...

Caro Daniel,
aqui permite-te opinar da forma que te parecer mais conveniente, fazendo todos os cortes que entenderes pertinentes.
Na tua versão, também ela muito bela deste poema, fica no ar um romantismo/optimismo voluntarioso muito interessante.
Volta sempre.
Abraço.

sonhos/pesadelos disse...

como sempre, boas escolhas, habituaste-nos a isso...
bjs endiabrados