quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Pequena derrocada no Muro


Após ler um post absolutamente soberbo no não menos soberbo blogue "Castelo d'Areia" (o link está mesmo aqui ao lado) resolvi cometer o que para mim é uma grande ousadia e, no comentário que lá deixei, destruir parte do muro que me cerca e me serve de defesa.

Se o fiz em casa alheia não encontro motivos, bem pelo contrário, para que aqui não o faça também.

O meu blogue é para onde descarrego o que me vai na alma.
Vocês os meus mais confidentes "contentores" e merecem, já que se dão ao trabalho de me ler, conhecer-me realmente.

Aqui vai:

«Nada era linear e fácil. No fundo sabia o que eu era, mas meticulosamente formei uma linha de defesa contra isso. Não aceitava durante as horas racionais do dia o que no sossego da noite a minha cabeça pensava. Argumentava e esgrimia argumentos comigo próprio. Sentia-me continuamente esmagado pela sensação de culpa e frustração. Não sabia o que decidir senão seguir o que a maioria fazia; enquanto me diluísse na multidão estaria a salvo, pensava eu. Mas, não tinha paz nem verdade»

Meu caro, está a falar de mim?
Claro que não, sei-o.
No entanto não resisto a partilhar consigo parte de mim (uma grande parte!!) apenas recorrendo às suas palavras. Estas, entre quase todas as outras, podiam ter sido pensadas e, sobretudo, sentidas por mim. Foram-no, enquanto as lia.
Acredito que cada pessoa tem um talento. Para alguns, como para o meu amigo (perdoe-me a ousadia...) é sem pejo utilizar as próprias palavras para dizer o que sente. No meu caso é utilizar as palavras dos outros para demonstrar o que cá vai dentro.
Porque o faço? Em primeira análise poder-se-ia pensar que é por preguiça, ou por falta de argúcia, mas tal não corresponde, minimamente, à verdade.
Trata-se de um último obstáculo.
Uma última defesa.
Um último Muro.
No meu sub-consciente algo me assegura que desta forma, em caso de mal-entendidos, como as palavras não são minhas, poderei, com mais ou menos facilidade desviar as atenções e dizer:
A culpa não é minha... Não fui eu que escrevi!!
Posso, ainda que involuntariamente, com este último subterfúgio desviar de mim o que de negativo de mim pensarem.
Apesar de tendencialmente egoístas todos nos preocupamos com o que pensam de nós.
Um abraço.


Até já!

12 comentários:

Tiago R Cardoso disse...

As escolhas são feitas muitas vezes conforme aquilo que sentimos no momento.

Eu ouço diferentes musicas, por exemplo, conforme o momento onde estou.

Também escrevo, como o amigo lê, conforme o que sinto na altura.

Se tu escolhes o que escolhes, eu acredito que é aquilo que tu sentes nesse preciso momento, dai muitas vezes se poder ver o que se passa através delas.

Por isso força que eu me manterei atento ao teu lugar e às tuas escolhas.

sonhos/pesadelos disse...

bem!!!!... não sei se pegue nas tuas palavras se nas do Tiago!as segundas vêm em consequência das primeiras, e como tal concordo totalmente!nós somos o que sentimos,e sentimos porque assim somos, podemos até levar vidas impostas por situações escolhidas voluntariamente ou não, podemos construir castelos mas se as fundações forem de papel não têm a firmeza necessária..com muros ou sem eles, palavras tuas ou de outros,o blog é teu,és tu que as pões lá, és tu que as sentes e como sentes...
venho espreitar o teu blog com muros, ler a tua ousadia ou falta dela, mas porque é parte de ti!!!!
continua
bjs endiabrados

Socrates daSilva disse...

Prezado amigo,

Fiquei agradavelmente surpreso pela referência aqui feita ao meu blogue. És muito generoso na tua avaliação!

O que me move a escrever é exteriorizar aquilo que já o devia ter feito há muito. Reconheço isso pelo que sinto comigo próprio. As tuas palavras mostram que estamos todos no mesmo barco: a procurar paz connosco e com o mundo, baseado em sermos quem realmente somos. Só posso dizer que é um caminho que vale a pena percorrer, custe o que custar. (São palavras de principiante…)

Citar outros também eu faço e muito. Quantas vezes alguém, num poema, numa canção, numa prosa, parece que está a contar a minha vida? Aqui no teu blogue fazes umas escolhas fantásticas de citações, digo eu, que mesmo vindo aqui recentemente, já me sinto emcasa.

Recebe um abraço de amizade de quem admira e se revê em muitas das coisas que aqui publicas!

André Couto disse...

Muito obrigado pelas vossas carinhosas palavras.

Um sentido e fraterno abraço a todos vocês.

Tiago R Cardoso disse...

Bom fim de semana.

Lampejos disse...

André,

Espichar nosso olhar no muro dos outro quem não o faz?!Ainda mais... quando detrás desse muro estão palavras que chegam com pólem e faz renascer flores na nossa alma.

Existem tantos textos/poemas/citações que lemos em outros lugares que nos descreve perfeitamente. Bendito teu olhar por enxergar tanta beleza tanta por aí.

E continue a fazer tuas postagens como tens feito até hoje, sem sua culpa nenhuma.


Bom fim-de-semana!...


(a)braços,flores,girassóis :)

Anjo Negro disse...

MEU DEUS André, mas que palavras, que sentimentos ...
Sabes, sou capaz de passar horas a ler o que vos vai na alma!
Tenho que concordar com a Sonhos/Pesadelos (alguem mto especial que tenho o previlégio de chamar amiga), ela tem toda a razão e o que te diz a ti, passa a vida a dizer-me a mim! Eu não escrevo nada bem, é só FMC's (frases mal construidas), mas ela usa as mesmas palavras e no teu caso tem toda a razão! Não duvides que te vou seguir ...
(Obrigado pelos teus comentários, gostei mto, serão sempre lembrados)
Beijitos Anjo Negro

L!NGU@$ disse...

Lamento informar-te, mas tens um desafio no meu blog. Amanha-te. :p

sonhos/pesadelos disse...

Exmo. Sr. André,
venho por este meio intimá-lo a comparecer na esquadra Pensamentos, o meu cantinho,para um desafio de força Maior. Apresente-se sem muros sim?
com as melhores escaladas,

bjs endiabrados

pinguim disse...

Vim aqui espreitar o teu blog, depois de um comentário que li no "Castelo de Areia", que aqui reproduzes, e muito bem, pois é um comentário que encerra coisas importantes da tua vida; por outro lado, fico feliz por ver que o Sócrates já consegue ser alavanca para fazer rombos em muros alheios.
A minha amizade num abraço.

Blondewithaphd disse...

E ainda bem que puseste a imagem que puseste. Sabes que o outro Muro, aquele do medo e do ostracismo também caíu, não sabes? Só falta mesmo, o 627 ou o mini ou o carocha (é que isto aqui para carros é um bocado louro!) irem de encontro ao dito e força nisso!

Carol disse...

Não há muros inquebráveis, indestrutíveis, intemporais, irreversíveis...