sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A Palavra - Divagação a pedido


"Como podemos nos entender (...),
se nas palavras que digo coloco
o sentido e o valor das coisas
como se encontram dentro de mim;
enquanto quem as escuta
inevitavelmente as assume
com o sentido e o valor
que têm para si, do mundo que tem dentro de si?"

(Luigi Pirandello)


"O que é que há, pois, num nome?
Aquilo a que chamamos rosa,
mesmo com outro nome,
cheiraria igualmente bem"

(William Shakespeare)


"Se soubéssemos quantas e quantas vezes
as nossas palavras são mal interpretadas,
haveria muito mais silêncio neste mundo."

(Oscar Wilde)


"Quais são as tuas palavras essenciais?
As que restam depois de toda a tua agitação e projectos e realizações.
As que esperam que tudo em si se cale para elas se ouvirem.
As que talvez ignores por nunca as teres pensado.
As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha."

(Vergílio Ferreira)


"Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe.
Vivemos de palavras.
Vamos até à cova com palavras.
Submetem-nos, subjugam-nos.
Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas.
São as palavras que nos contêm,
são as palavras que nos conduzem."

(Raul Brandão)


"Toda a palavra pronunciada é falsa.
Toda a palavra escrita é falsa.
Toda a palavra é falsa.
Mas o que existe sem palavras?"

(Elias Canetti)


"Não importa o que tenhamos a dizer,
existe apenas uma palavra para exprimi-lo,
um único verbo para animá-lo
e um único adjectivo para qualificá-lo."

(Guy Maupassant)


"O mais profundo duma palavra é o que há nela de sagrado.
Deus tê-la-á dessacralizado quando com ela criou o mundo.
Mas nós sacralizamo-la de novo quando o recriamos com ela."

(Vergílio Ferreira)


"As palavras são como lentes que obscurecem tudo o que não ajudam a ver melhor"

(Joseph Joubert)


"Tão pobres somos que as mesmas palavras
nos servem para exprimir a mentira e a verdade."

(Florbela Espanca)


"Não se retém quase nada sem o auxílio das palavras,
e as palavras quase nunca bastam para transmitir precisamente o que se sente."

(Denis Diderot)


"Não se lesa ninguém com simples palavras, mesmo falsas;
basta não acreditar nelas."

(Emmanuel Kant)


"Palavras, palavras, só palavras.
Tem-se acendido fogueiras em nome da caridade,
tem-se guilhotinado em nome da fraternidade.
No teatro das coisas humanas,
o cartaz é quase sempre o contrário da peça"

(Jules Goncourt)


Há já bastante tempo uma amiga lançou-me o desafio de divagar sobre a temática da palavra.
Comecei por pensar na palavra. Qual? Nela mesma.

Dei por mim pensando com palavras sobre palavras mas nunca atingindo a essência das ditas.
Em cima podemos encontrar as palavras de alguém mais capacitado do que eu para sobre elas opinar.
No entanto não encontro mais que um consenso: a subjectividade.

A palavra é o instrumento para pensar e comunicar.
Mas é mentirosa.
Por detrás de cada uma está um conceito.
Por detrás de cada conceito está um contexto.
Por detrás de cada contexto está um ser.
Um ser é demasiado complexo para ousar defini-lo.
Dois seres que comunicam são demasiado complexos para que ambos comunguem de uma só mensagem.

Assim socorremo-nos de uma ferramenta que devido a todas as variáveis intrínsecas à utilização da mesma (e até dela própria, da palavra) poderá não ser suficiente para o objectivo que nos propusemos.

Confuso?
É natural. Estou a articular a ferramenta mentirosa que não transcreve o que penso.
Embora pense através dela.

Até já!





4 comentários:

Tiago R Cardoso disse...

excelente, muito bom post.

Nunca é demais divulgara a palavra e nunca é demais sentir a palavra.

sonhos/pesadelos disse...

a palavra move mundos,expressa ideias e ideais, através dela transpomos o que de outra maneira não é possivel,o pensamento.
a mesma palavra pode adquirir diferentes conotações, assim como a mesma palavra dita pr alguém pode soar diferente a outro alguém. a relatividade e a subjectividade dão-lhe a devida atenção e valor.sem ela não seriamos mais do que seres sem poder de comunicação...
adorei o post.
bjs endiabrados

Joaninha disse...

Adorei o post!

Beijos

The scientist disse...

Uma vez que demoraste a satisfazer o meu pedido, sinto-me na obrigação de demorar a reflctir acerca das tuas p-a-l-a-v-r-a-s...
Nah, não resisto, lá terei que ter uma palavrite aguda.
Olha, olha para mim e vê como uso e abuso delas... e brinco e crio suspense e páro a história e reflicto acerca do poder que tenho sobre a palavra. Que gozo que me dá..
Será que posso parecer prepotente e dizer algo do género: "Eu faço o que quero com a palavra"! Eu faço, mas será que a generalidade das pessoas tem consciência do poder que tem em mãos (ou em lábios) quando usa a palavra? Por culpa dela (a palavra) já houve guerras, o mundo desenvolveu-se (seja isso bom ou mau), pessoas apaixonaram-se, pessoas zangaram-se e nunca mais se falaram.. Será então a palavra capaz de assumir uma dupla personalidade? Será a palavra tão demoníaca que faça o bem e o mal?
Não me parece... a palavra é um mero instrumento pronto a ser usado pelo Homem. É só misturá-la com a consciência, com a experiência, com os sentimentos, com o contexto, com um grupo de pessoas e... voilá! Teremos uma multiplicidade de significados, de outras tantas experiências, de outros tantos sentimentos...
E assim o mundo pula e avança!
Bem, fico-me por aqui. Tenho que deixar umas palavras para o meu blog.
Ah, e continua a brincar assim com as palavras. É um ENTRETENIMENTO desmedido poder lê-las.

Beijinhos*