quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dream


"Qualquer coisa de obscuro permanece
No centro do meu ser. Se me conheço,
É até onde, por fim mal, tropeço
No que de mim em mim de si se esquece.

Aranha absurda que uma teia tece
Feita de solidão e de começo
Fruste, meu ser anónimo confesso
Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.

Mas, vinda dos vestígios da distância
Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente
Sob ele, um rasgo de saudade ou ânsia.

Remiu-se o pecador impenitente
À sombra e cisma. Teve a eterna infância,
Em que comigo forma um mesmo ente."

(Fernando Pessoa)
Os meus agradecimentos a quem "cedeu" a imagem...
O título do poema indicou-me o sítio indicado para a "pedir emprestada".
Obrigado.
Até já...

4 comentários:

Socrates daSilva disse...

Pessoa é o máximo...

Abraço!

Tiago R Cardoso disse...

e assim se construiu um belo momento.

Não basta escolher é preciso saber onde colocar cada pincelada destes quadros.

Lampejos disse...

André,

Há dias que nos sentimos assim: obscuros
Até...
Pessoa o Fernando... que amamos!


[obrigada pelo soneto]


Bela imagem :)

Bom fim-de-semana!...


(a)braços,flores.girassóis:)

sonhos/pesadelos disse...

a imagem é linda, o nome do post adequado, mas o texto...sublime escolha para os deixar a um canto!!!
mais um excelente momento no teu blog...
bjs endiabrados