segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Com um só fósforo ilumino o infinito



"Com um só fósforo ilumino o infinito.
E muitas vezes o infinito é algo
muito próximo, um livro, uma chávena
de chá, o teu rosto escondido
na penumbra, o retrato de alguém desconhecido
que de uma praça, acena,
um fio de tabaco, um monograma
num lenço muito branco.
O infinito o mais das vezes é
não mais do que o que toca o coração,
uma leve poeira pelo ar, um ponto fixo
que a mão ousa tocar, esta chama
que de repente amplia a escuridão
e me torna visível a quem passa
e no clarão acende o seu cigarro."

(Amadeu Baptista)

Hoje sinto-me assim. Com vontade de iluminar algo. Será vontade de me iluminar?
Em caso afirmativo significaria admitir que não estou luminoso.
Estarei sombrio?
A sombra não existe porquanto ela apenas é a falta de algo, mormente de luz.
Assim sendo por que se sente a sombra? Por que se sente algo que não existe por definição própria senão por ausência de algo mais?
Se se sente é porque existe.

Sinto.

Confirma-se.

Estou sombrio.

Seja lá o que isso quer dizer.


Até já...

7 comentários:

Blondewithaphd disse...

Também precisava de um fósforo...

pinxexa disse...

Queres lumes, miudo?

;-)

beijo

Socrates daSilva disse...

Um fósforo pode ser pequeno, mas numa escuridão, faz uma diferença...

E sim, eu creio que a escuridão existe.

Abraço!

sonhos/pesadelos disse...

a sombra nem sempre significa ausência de luz, talvez num estado mais sombrio a luz seja ténue, porem não deixa de existir.para te aperceberes dela, é porque já houve iluminação, é apensa uma questão transitória a necessitar de resgate...

bjs endiabrados

p.s - a profunda beleza que dizes encontada algures, tb se encontra por aqui, talvez não na criação dos textos, mas na brilhante escolha dos mesmos.

Joaninha disse...

Então já somos dois....

Mas passa rapido :)

beijos

Blondewithaphd disse...

Valeu aquilo lá do outro lado! Thanks!

Tiago R Cardoso disse...

tem dias, um fosforo acende uma bela.