sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A falência



Para quem se tenta manter minimamente informado é uma tortura incomensurável avaliar o que se tem vindo a passar na nossa sociedade.
Não tenho o propósito de me juntar aos profetas da desgraça e anunciar o fim do mundo. Não é crível que isso aconteça para já, até porque o fim de uma era não o é, nunca o foi. No entanto estamos perante uma época crítica e de falta de fundamentada esperança.
Nos confortáveis sofás das nossas confortáveis casas o que vemos?
A falência.
A inexorável falência deste paradigma social.
Não consigo contornar estas palavras: está podre.
Somos governados por lobotomizados que nada fazem porque nada sabem e nada querem. Pior. Não vejo alternativas credíveis. São todos farinha do mesmo saco. Na minha modesta opinião não há quem se destaque do Zero absoluto que resulta deste governo. Só vejo mais zeros em potência para onde quer que volte o olhar.
A Justiça? Não funciona. Os processos arrastam-se anos e anos e anos. Realmente tanto arrastar o melhor é mesmo arquivar. Pelo menos sabe-se em que ponto estão!
A Saúde? Deus nos livre de sofrermos de alguma maleita mais grave do que uma gripe. Horas e horas de espera em Serviços de Urgência ou Centros de Saúde em condições muitas vezes miseráveis. Podemos contar com a alegria e boa educação dos profissionais de saúde. Esperem lá... Em Portugal não. Estão demasiado ocupados e preocupados para que se permitam a atender pacientes... pacientemente.
A Educação? Não há. Sucessivas reformas esventraram o sistema educativo nacional. Tanto mudaram e alteraram que ninguém se entende. Ao menos podemos contar com os professores que fazem o melhor. Esperem lá... também não! Este governo considerou ser dos docentes a responsabilidade das passadas asneiras ministeriais. Vai daí fizeram outra bem pior: Guerra aos malvados "Stores". É correr com eles! Agora nem sistema nem actores. Mas podemos sorrir: o insucesso escolar está a baixar! Pois... é melhor não falar do grau de dificuldade dos exames.
A Economia? Manuel Pinho conseguiu durante quatro anos não ser remodelado. Só. E para ele foi já uma verdadeira proeza. Esperem lá... afinal também andou orgulhosamente a apregoar que em Portugal os ordenados são uma bosta! Pois... grande motivo de satisfação nacional.
Obras Públicas? Jamais!!
Cultura? Em Portugal há dessa peçonha?
Segurança Social? Neste momento as palavras "segurança" e "social" não têm uso prático no nosso país. Nem juntas nem separadas.
Mas há algo que nos anime?
Não.
A mim não.
Só vejo imbecilidade e incompetência, interesses e compadrio, falsidade e baboseira, trevas e incerteza.
Alguém me anime... se for capaz.

5 comentários:

Joaninha disse...

andré,

Ela está lá, a esperança. Eu não sou grande coisa, pelo menos neste momento, para animar ninguem, mas deixo-te uma dica que a mim não sei porquê sempre me anima. Lê uns contos do Jorge Amado, ou mesmo do José Mauro de Vasconcelos, " Rosinha minha canoa"...Dos livros mais bonitos que já li.
Os escritores brasileiros tem um dom de nos encher de esperança e de boa disposição, mesmo quando narram as mais tristes histórias :)

beijos

antonio - o implume disse...

Chegou a altura de exercer o voto, votando nos que mais incomodam a classe dominante.

Tiago R Cardoso disse...

Está na altura de aproveitar e reconstruir tudo de novo, colocar remendos no ar já não serve.

Tiago Moreira Ramalho disse...

Tanto pessimismo caro André! Eu sei que poderíamos estar melhor, mas não é com um pessimismo quase Pessoano que conseguimos ultrapassar os problemas, muito pelo contrário: é preciso acreditar que tudo pode mudar e ter um papel activo nessa mudança!

abraço,

TMR

The scientist disse...

Caro Né,

Partilho da opinião do Tiago. E sublinho, não é so ter esperança que tudo mude, é também preciso fazer algo por isso.Por vezes, afigura-se-nos como uma tarefa interminável. Mas, no fundo, é como aquele história da reciclagem: se todos fizermos o bocadinho que nos compete... E, além disto, precisamos também de um certo egoísmo, ou melhor um egocentrismo: centramo-nos nas pequenas coisas que nos rodeiam e nos fazem felizes. E ao pensar nisso, a crise também passa... Digo eu...
Beijinho*