sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Falas de civilização


"Falas de civilização...Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!"

(Alberto Caeiro)

Devido a excesso de trabalho não tenho prestado a devida atenção quer ao blogue quer aos meus amigos cibernautas. Não muito demorará até que a normalidade esteja retomada.

Até já.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Blindness - na voz do "próprio"


"A história da adaptação de Ensaio sobre a cegueira ao cinema passou por altos e baixos desde que Fernando Meirelles, aí pelo ano de 1997, perguntou a Luiz Schwarcz, meu editor brasileiro, se eu estaria interessado em ceder os respectivos direitos. Recebeu como resposta uma peremptória negativa: não. Entretanto, no escritório da minha agente literária em Bad Homburg, Frankfurt, começaram a chover, e choveram durante anos, cartas, correios electrónicos, chamadas telefónicas, mensagens de toda a espécie de produtores de outros países, em particular dos Estados Unidos, com a mesma pergunta. A todos mandei dar a resposta conhecida: não. Soberba minha? Não era questão de soberba, simplesmente não tinha a certeza, nem sequer a esperança, de que o livro fosse tratado com respeito naquelas paragens. E os anos passaram. Um dia, acompanhados pela minha agente, apareceram-me em Lanzarote, vindos directamente de Toronto, dois canadianos que pretendiam fazer o filme, Niv Fichman, o produtor, e Don McKellar, o guionista. Eram gente nova, nenhum deles me fazia recordar o Cecil B. de Mille, e, depois de uma conversa franca, sem portas falsas nem reservas mentais, entreguei-lhes o trabalho. Faltava saber quem seria o director. Outros anos tiveram de passar até ao dia em que me foi perguntado o que pensava eu de Fernando Meirelles. Completamente esquecido do que havia sucedido naquele já longínquo ano de 1997, respondi que pensava bem. Tinha visto e gostado da Cidade de Deus e do Fiel Jardineiro, mas continuava sem associar o nome deste director à pessoa do outro…
Finalmente, o resultado de tudo isto já está aqui. Traz o título de Blindness, com o qual se espera facilitar a sua relação com o livro no circuito internacional. Não vi qualquer motivo para discutir a escolha. Hoje, em Lisboa, foi a apresentação deste Ensaio sobre a cegueira em imagens e sons. A plateia estava bem servida de jornalistas que espero dêem boa conta do recado. Amanhã será a ante-estreia. Conversámos sobre estes episódios já históricos e, em dado momento, Pilar, a mais prática e objectiva de todas as subjectividades que conheço, lançou uma ideia: “No meu entender, o livro antecipou os efeitos da crise que estamos a sofrer. As pessoas, desesperadas, correndo por Wall Street, de banco em banco antes que o dinheiro se acabe, não são outras que as que se movem, cegas, sem rumo, no romance e agora no filme. A diferença é que não têm uma mulher do médico que as guie, que as proteja”. Reparando bem, a andaluza é capaz de ter razão."


(José Saramago)


Fui já acusado de "só poder ser um defensor" de Saramago.
Em resposta a essa acusação respondo: Orgulhosamente Culpado!

Tive já a oportunidade, e sobretudo o prazer, de ler «Ensaio sobre a Cegueira» deste "Sr.Mago".
Adorei. Não quero deixar passar o filme com base neste livro que começa a ser exibido pelos cinemas desse mundo fora e onde passa ninguém lhe fica indiferente.
Quando chegar aos cinemas deste nosso português mundo estarei na frente da fila para tirar bilhete.

Até já!


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Choque tecnológico


Após visita ao Sorumbático descobri esta preciosidade.
Aqui temos um típico exemplo do choque tecnológico que este Governo tem levado a cabo.
A variedade de materiais é tanta que os professores até se podem dar ao luxo de utilizar peças de mobiliário para dar aulas de matemática...
Temos de ser positivos.
Na sua avaliação aquele professor terá certamente nota máxima no que a inovação diz respeito...
Bem vistas as coisas se calhar até não.
O professor não está a seguir as directrizes do Min. da Educação.
Aquele ângulo no quadro deveria ter sido executado com recurso ao Magalhães.
Qual cadeira? Magalhães em punho e vamos lá provar que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos!
"- Oh senhor professor, posso trazer régua e esquadro para o exame?"
"- Não seja parvo, menino! Basta trazer uma esferográfica e o Magalhães. Não quero ver mais nada em cima da mesa!"
Até já.
P.S. Vou buscar um Magalhães e fazer tostas mistas para o jantar.
Ficam que é uma delícia!
(Foi o Chávez que me ensinou...)


FUMAR MATA



"Fumar mata. Com cinco inconclusos cigarros
morrerei decerto doutro motivo.
Cigarros escondidos, obrigatórios, demonstrativos, sexuais,
cigarros ocultos atrás de livros, fumados
na casa de banho que o vento depois não drenava,
cigarros amargos e engastados na garganta,
comprados, deitados fora,
cigarros infrutíferos como esses anos em tudo o mais,
nem rodapé biográfico mas erupção sociológica.
Fumar mata.

De não fumar nada direi."

(Pedro Mexia)

Vou fumar um cigarro.

Até já.

domingo, 26 de outubro de 2008

Grande jantar


Ontem à noite tive a sorte de defrutar de um saboroso jantar na companhia de amigos com quem não confraternizava havia já algum tempo.
Foi um encontro agradável onde, para além de uma óptima refeição, tive a doce sobremesa que nos foi servida à conta do Sr. Jesualdo Ferreira.
2-3 o resultado do jogo entre FCP e Leixões que fica para a História.
2-4 o resultado real do jogo entre FCP e Leixões que só não fica para a História porque a equipa de arbitragem não deixou!
Que grande noite. A do Leixões e a minha.
Até já.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Pára quieto, pá!!

"- Oh Sarkosinho, agora não! Tira a mão e senta-te no teu sítio!"
"Raio de chato que não pára quieto!!!"

Acho que não preciso acrescentar mais nada...
Até já...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Gosto de ti porque... sim


Já ouvi por várias vezes a nova música de André Sardet.
É uma musiquinha gira e melodiosa que entra bem no ouvido.
Gostei de a ouvir.
Só hoje dei atenção ao que diz a letra...
Está cheia de versos profundos e elaborados.
De entre a panóplia de brilhantismo destaco:
"(...)Gosto de ti
desde aqui até à Lua
Gosto de ti
desde a Lua até aqui
Gosto de ti
simplesmente porque gosto (...)"
Ora bem, é como quem diz:
Gosto de ti bué
Gosto bué de ti
Gosto de ti... porque calhou seres tu a estar à minha frente no momento que estou a cantar esta cantilena!
Eis como nas coisas simples se pode encontrar a profundidade. Ou então não.
Esta cançoneta tem tudo para ser um êxito no estrangeiro. Basta traduzi-la para Inglês e temos um hit sem precedentes.
Estarei a implicar demasiado?
Provavelmente sim.
Já agora, experimentem traduzir para Português algumas das letras das canções que importamos, sobretudo as anglo-saxónicas...
Vamos ainda chegar à conclusão que a letra da música do meu homónimo não é assim tão má!
Meus queridos leitores,
Gosto de vocês
desde aqui até a Lua
Gosto de vocês
desde a Lua até aqui
Gosto de vocês
simplesmente porque gosto...
Até já...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Identidade


"Todo o homem é diferente de mim e único no Universo;
não sou eu, por conseguinte,
quem tem de reflectir por ele,
não sou eu quem sabe o que é melhor para ele,
não sou quem tem de lhe traçar o caminho;
com ele só tenho o direito,
que é ao mesmo tempo um dever:
o de ajudar a ser ele próprio;
como o dever essencial que tenho comigo é o de ser o que sou,
por muito incómodo que tal seja,
e tem sido,
para mim mesmo e para os outros."

(Agostinho Silva)


Voltei só para partilhar connvosco algo que descobri e não poderia deixar de publicar.
Há palavras que lemos, batem no nosso Eu e fazem "click". Ou "toing". Ou "trunga!"
Bom... batem lá dentro e não nos deixam indiferentes.
Até já.

Um Adeus Português


"Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti."

(Alexandre O'Neill)

Por hoje é o que se pode arranjar.
Tenho o cérebro entupido com algo incontornavelmente incómodo e perturbador, por indizível que é.

Falta muito para o fim de semana? :-)

Beijinhos e abraços.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Porco Trágico

"conheço um poeta
que diz que não sabe se a fome dos outros
é fome de comer
ou se é só fome de sobremesa alheia.

a mim o que me espanta
não é a sua ignorância:
pois estou habituado a que os poetas saibam muito
de si
e pouco ou nada dos outros.

o que me espanta
é a distinção que ele faz:
como se a fome da sobremesa alheia
não fosse
fome de comer
também."

(Alberto Pimenta)

Assento de luxo


Foi também durante este onírico fim de semana que estive sentadinho em cima de um fofo, felpudo e quentinho... tapete. (Deixem para lá os pensamentos falsos e libidinosos)
O tal confortável tapete, em cuja macieza sentei as nádegas para ver o futebol tinha, para além do conforto, uma característica que muito me surpreendeu: o preço.
Debaixo do meu rabo estava uma verdadeira fortuna! (Não sejam maliciosos...)
Como sou curioso até à exaustão não descansei até levantar a beira daquela coisa fofinha e quente, (oh pá, vocês deixem-se disso!!!) e apanhar um susto descomunal. Estava ali o orçamento mensal de uma família com rendimento médio! E o objectivo é andar em cima daquelas coisas com os pés!!
Fiquei chocado.
Mas não me levantei. Fiz o sacrifício de continuar em cima do querido, fofinho, quentinho e descomunalmente caro tapete.
Enfim.

Moreira defende Benfica de vergonha

No passado Domingo, jogou-se no Estádio da Luz um "grande dérbi" do futebol nacional, o SL Benfica vs FC Penafiel.
Aproveitando um dos tais repastos com a família tive a oportunidade de ver o embate (e empate) entre o meu Glorioso e esses malandros Penafidelenses que iam apagando a Luz...
Apesar do treinador benfiquista ser Quique Florez foi um jogo pouco florido para o lado das águias. Se o treinador fosse Scolari teria, concerteza, dito que o melhor seria uma bola para cada jogador encarnado (a jogar de branco...) qual não era a avidez de cada um se agarrar ao esférico.
Valeu-nos o encostado Moreira que literalmente voou para a bola e defendendo-a salvou o Benfica de vergonha mais pronunciada.

Baterias Recarregadas


Após um fim de semana de retiro das lides "bloguísticas" cá estou de volta.
Foi um interregno revitalizador na companhia de família e amigos dedicado ao ócio e a refeições fartas, aprazíveis e bem regadas...
Com as baterias no máximo da carga dei um "chega para lá" na tristeza que o mundo me estava a causar e até remodelei o meu cantinho dando-lhe um pouco mais de cor.
Espero que gostem tanto como eu. Se não gostarem... temos pena mas para já é assim que permanecerá.
Beijinho e abraços!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A falência



Para quem se tenta manter minimamente informado é uma tortura incomensurável avaliar o que se tem vindo a passar na nossa sociedade.
Não tenho o propósito de me juntar aos profetas da desgraça e anunciar o fim do mundo. Não é crível que isso aconteça para já, até porque o fim de uma era não o é, nunca o foi. No entanto estamos perante uma época crítica e de falta de fundamentada esperança.
Nos confortáveis sofás das nossas confortáveis casas o que vemos?
A falência.
A inexorável falência deste paradigma social.
Não consigo contornar estas palavras: está podre.
Somos governados por lobotomizados que nada fazem porque nada sabem e nada querem. Pior. Não vejo alternativas credíveis. São todos farinha do mesmo saco. Na minha modesta opinião não há quem se destaque do Zero absoluto que resulta deste governo. Só vejo mais zeros em potência para onde quer que volte o olhar.
A Justiça? Não funciona. Os processos arrastam-se anos e anos e anos. Realmente tanto arrastar o melhor é mesmo arquivar. Pelo menos sabe-se em que ponto estão!
A Saúde? Deus nos livre de sofrermos de alguma maleita mais grave do que uma gripe. Horas e horas de espera em Serviços de Urgência ou Centros de Saúde em condições muitas vezes miseráveis. Podemos contar com a alegria e boa educação dos profissionais de saúde. Esperem lá... Em Portugal não. Estão demasiado ocupados e preocupados para que se permitam a atender pacientes... pacientemente.
A Educação? Não há. Sucessivas reformas esventraram o sistema educativo nacional. Tanto mudaram e alteraram que ninguém se entende. Ao menos podemos contar com os professores que fazem o melhor. Esperem lá... também não! Este governo considerou ser dos docentes a responsabilidade das passadas asneiras ministeriais. Vai daí fizeram outra bem pior: Guerra aos malvados "Stores". É correr com eles! Agora nem sistema nem actores. Mas podemos sorrir: o insucesso escolar está a baixar! Pois... é melhor não falar do grau de dificuldade dos exames.
A Economia? Manuel Pinho conseguiu durante quatro anos não ser remodelado. Só. E para ele foi já uma verdadeira proeza. Esperem lá... afinal também andou orgulhosamente a apregoar que em Portugal os ordenados são uma bosta! Pois... grande motivo de satisfação nacional.
Obras Públicas? Jamais!!
Cultura? Em Portugal há dessa peçonha?
Segurança Social? Neste momento as palavras "segurança" e "social" não têm uso prático no nosso país. Nem juntas nem separadas.
Mas há algo que nos anime?
Não.
A mim não.
Só vejo imbecilidade e incompetência, interesses e compadrio, falsidade e baboseira, trevas e incerteza.
Alguém me anime... se for capaz.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sem brilho

Assistimos hoje a mais um desaire da nossa Selecção Nacional de Futebol.
Foi mais uma exibição pouco conseguida com muita lentidão nos processos pouco imaginativos de transição defesa-ataque, muito individualismo dos craques lusitanos, alguma falta de sorte e pouco brilho por parte do nosso Selecionador.
Vi por mais de uma vez o desespero nos olhos de Carlos Queiroz.
Vi o seu desespero na impotência que transparecia em cada ordem arremessada para dentro do relvado sem qualquer efeito prático.
Desespero quando o vi, qual "Felipão" enraivecido, discutir com um jogador albanês.
Desespero que senti quando contra a ALBÂNIA reduzida a DEZ jogadores se fazem substituições que nada arriscam e logo nada alteram. Foi receio do adversário?
Faltou brilho à nossa Selecção. Um brilho apagado desde a sombra que chegava do banco de suplentes.
Nada tenho contra Queiroz. Admiro-lhe estilo e educação.
Temo que isso não seja suficiente para ter o êxito que todos desejamos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Um velho país


"É um velho país, de luz e sombras,
Onde o dia traz o pranto, e a noite a cisma;
Um país de orações e de blasfêmia,
Nele a crença na dúvida se abisma.

Aí mal nasce a flor o verme corta,
O mar é um escarcéu, e o sol sombrio;
Se a ventura num sonho transparece
A sufoca em seus braços o fastio.

Quando o amor, qual esfinge indecifrável,
Aí vai a bramir, perdido o siso...
Às vezes ri alegre, e outras vezes
É um triste soluço esse sorriso...

Vive-se nesse país com a mágoa e o riso;
Quem dele se ausentou treme e maldiz;
Mas aí, eu nele passo a mocidade,
Pois é meu coração esse país!"
(Machado de Assis), poeta brasileiro

domingo, 12 de outubro de 2008

Sobre Fernando Pessoa

"Era um homem que sabia idiomas e fazia versos. Ganhou o pão e o vinho pondo palavras no lugar de palavras, fez versos como os versos se fazem, como se fosse a primeira vez. Começou por se chamar Fernando, pessoa como toda a gente. Um dia lembrou-se de anunciar o aparecimento iminente de um super-Camões, um camões muito maior que o antigo, mas, sendo uma pessoa conhecidamente discreta, que soía andar pelos Douradores de gabardina clara, gravata de lacinho e chapéu sem plumas, não disse que o super-Camões era ele próprio. Afinal, um super-Camões não vai além de ser um camões maior, e ele estava de reserva para ser Fernando Pessoas, fenómeno nunca visto antes em Portugal. Naturalmente, a sua vida era feita de dias, e dos dias sabemos nós que são iguais mas não se repetem, por isso não surpreende que em um desses, ao passar Fernando diante de um espelho, nele tivesse percebido, de relance, outra pessoa. Pensou que havia sido mais uma ilusão de óptica, das que sempre estão a acontecer sem que lhes prestemos atenção, ou que o último copo de aguardente lhe assentara mal no fígado e na cabeça, mas, à cautela, deu um passo atrás para confirmar se, como é voz corrente, os espelhos não se enganam quando mostram. Pelo menos este tinha-se enganado: havia um homem a olhar de dentro do espelho, e esse homem não era Fernando Pessoa. Era até um pouco mais baixo, tinha a cara a puxar para o moreno, toda ela rapada. Com um movimento inconsciente, Fernando levou a mão ao lábio superior, depois respirou fundo com infantil alívio, o bigode estava lá. Muita coisa se pode esperar de figuras que apareçam nos espelhos, menos que falem. E porque estes, Fernando e a imagem que não era a sua, não iriam ficar ali eternamente a olhar-se, Fernando Pessoa disse: “Chamo-me Ricardo Reis”. O outro sorriu, assentiu com a cabeça e desapareceu. Durante um momento, o espelho ficou vazio, nu, mas logo a seguir outra imagem surgiu, a de um homem magro, pálido, com aspecto de quem não vai ter muita vida para viver. A Fernando pareceu-lhe que este deveria ter sido o primeiro, porém não fez qualquer comentário, só disse: “Chamo-me Alberto Caeiro”. O outro não sorriu, acenou apenas, frouxamente, concordando, e foi-se embora. Fernando Pessoa deixou-se ficar à espera, sempre tinha ouvido dizer que não há duas sem três. A terceira figura tardou uns segundos, era um homem daqueles que exibem saúde para dar e vender, com o ar inconfundível de engenheiro diplomado em Inglaterra. Fernando disse: “Chamo-me Álvaro de Campos”, mas desta vez não esperou que a imagem desaparecesse do espelho, afastou-se ele, provavelmente tinha-se cansado de ter sido tantos em tão pouco tempo. Nessa noite, madrugada alta, Fernando Pessoa acordou a pensar se o tal Álvaro de Campos teria ficado no espelho. Levantou-se, e o que estava lá era a sua própria cara. Disse então: “Chamo-me Bernardo Soares”, e voltou para a cama. Foi depois destes nomes e alguns mais que Fernando achou que era hora de ser também ele ridículo e escreveu as cartas de amor mais ridículas do mundo. Quando já ia muito adiantado nos trabalhos de tradução e poesia, morreu. Os amigos diziam-lhe que tinha um grande futuro na sua frente, mas ele não deve ter acreditado, tanto assim que decidiu morrer injustamente na flor da idade, aos 47 anos, imagine-se. Um momento antes de acabar pediu que lhe dessem os óculos: “Dá-me os óculos” foram as suas últimas e formais palavras. Até hoje nunca ninguém se interessou por saber para que os queria ele, assim se vêm ignorando ou desprezando as últimas vontades dos moribundos, mas parece bastante plausível que a sua intenção fosse olhar-se num espelho para saber quem finalmente lá estava. Não lhe deu tempo a parca. Aliás, nem espelho havia no quarto. Este Fernando Pessoa nunca chegou a ter verdadeiramente a certeza de quem era, mas por causa dessa dúvida é que nós vamos conseguindo saber um pouco mais quem somos."

(José Saramago)

sábado, 11 de outubro de 2008

Perfeitamente escusado


"Tudo evolui;
não há realidades eternas:
tal como não há verdades absolutas"
(Friedrich Nietzsche)
Caso tivesse conhecido o beneditino Ratzinger teria Nietzsche dito o mesmo?
Não consideram chocante a orientação da Igreja Católica, através do seu máximo representante, sobre o uso do preservativo?
Não consigo, provavelmente por deficiência cognitiva, encontar justificativo para esta tomada de posição.
Não estaremos já num tempo em que não se deveriam dizer coisas destas?
Sou da opinião de que mesmo sentindo o Catolicismo dificuldade em mostrar abertura ao uso do preservativo, poderia muito simplesmente, como em tantas outras matérias, remeter-se ao silêncio. No presumível interesse de procurar o melhor para os seus fiéis não teria esse silêncio sido a opção (muito) menos má?
No fundo acaba tudo por não ter consequências. Não quero acreditar que algum católico deixe de usar o preservativo e coloque a sua saúde em risco só porque o Papa quer...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Hemi


"O mal não deve ser imputado apenas àqueles que o praticam,
mas também àqueles que poderiam tê-lo evitado e não o fizeram."
(Tucídedes)
Se as nádegas que consecutivamente se têm sentado nas cadeiras deste hemi-ciclo ao longo de três décadas tivessem pertencido a entes com apenas "hemi" competência ou "hemi" profissionalismo (porque de políticos de profissão estamos, regra geral, a falar) não teríamos, crises internacionais à parte, "hemi" da total barafunda que irremediavelmente nos sufoca.

Tempo em que vivemos

Podes, e deves, ter ideias políticas,
mas, por favor, as «tuas» ideias políticas,
não as ideias do teu partido;
o «teu» comportamento, não o comportamento dos teus líderes;
os interesses de «toda» a Humanidade, não os interesses de uma «parte» dela.
E lembra-te de que «parte» é a etimologia de «partido»

Agostinho Silva dixit

Já não há idealogias políticas.
Há ideologias de poder, sem intenção a não ser o interesse próprio.
Este paradigma está irreversivelmente esgotado e os sinais são mais que evidentes.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Deus e Ratzinger by José Saramago



"Que pensará Deus de Ratzinger?
Que pensará Deus da igreja católica apostólica romana de que este Ratzinger é soberano papa? Que eu saiba (e escusado será dizer que sei bastante pouco), até hoje ninguém se atreveu a formular estas heréticas perguntas, talvez por saber-se, de antemão, que não há nem haverá nunca resposta para elas. Como escrevi em horas de vã interrogação metafísica, há uns bons quinze anos, Deus é o silêncio do universo e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio. Está nos Cadernos de Lanzarote e tem sido frequentemente citado por teólogos do país vizinho que tiveram a bondade de me ler. Claro que para que Deus pense alguma coisa de Ratzinger ou da igreja que o papa anda a querer salvar de uma morte mais do que previsível, seja por inanição, seja por não encontrar ouvidos que a escutem nem fé que lhe reforce os alicerces, será necessário demonstrar a existência do dito Deus, tarefa entre todas impossível, não obstante as supostas provas arquitectadas por S. Boaventura, como a de esvaziar os oceanos com um balde furado ou mesmo sem furo nenhum. Do que Deus, caso exista, deve estar agradecido a Ratzinger é pela preocupação que este tem manifestado nos últimos tempos sobre o delicado estado da fé católica. A gente não vai à missa, deixou de acreditar nos dogmas e cumprir preceitos que para os seus antepassados, na maior parte dos casos, constituíram a base da própria vida espiritual, senão também da vida material, como sucedeu, por exemplo, com muitos dos banqueiros dos primórdios do capitalismo, severos, calvinistas, e, tanto quanto é possível supor, de uma honestidade pessoal e profissional à prova de qualquer tentação demoníaca em forma de subprime. O leitor estará talvez a pensar que esta súbita inflexão no transcendente assunto que me havia proposto abordar, o sínodo episcopal reunido em Roma, se destinaria, afinal, a introduzir, com mais ou menos jeito dialéctico, uma crítica ao comportamento irregular (é o mínimo que se pode dizer) dos banqueiros nossos contemporâneos. Não foi essa a minha intenção nem essa é a minha competência, se alguma tenho.
Voltemos então a Ratzinger. A este homem, decerto inteligente e informado, com uma vida activíssima nos âmbitos vaticanais e adjacentes (baste dizer que foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, continuadora, por outros métodos, do ominoso Tribunal do Santo Ofício, mais conhecido por Inquisição), ocorreu-lhe algo que não se esperaria de alguém com a sua responsabilidade, cuja fé devemos respeitar, mas não a expressão do seu pensamento medieval. Escandalizado com os laicismos, frustrado pelo abandono dos fiéis, abriu a boca na missa com que abriu o sínodo para soltar enormidades como estas: “Se olhamos a História, vemo-nos obrigados a admitir que não são únicos este distanciamento e esta rebelião dos cristãos incoerentes. Em consequência disso, Deus, embora não faltando nunca à sua promessa de salvação, teve de recorrer amiúde ao castigo”. Na minha aldeia dizia-se que Deus castiga sem pau nem pedra, por isso é de temer que venha por aí outro dilúvio que afogue de uma vez os ateus, os agnósticos, os laicos em geral e outros fautores de desordem espiritual. A não ser, sendo os desígnios de Deus infinitos e ignotos, que o actual presidente dos Estados já tenha sido parte do castigo que nos está reservado. Tudo é possível se o quer Deus. Com a imprescindível condição de que exista, claro está. Se não existe (pelo menos nunca falou com Ratzinger), então tudo isto são histórias que já não assustam ninguém. Que Deus é eterno, dizem, e tem tempo para tudo. Eterno será, admitamo-lo para não contrariar o papa, mas a sua eternidade é só a de um eterno não-ser."

(José Saramago)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Morte do leiteiro

"Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casa
suma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora."
(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 5 de outubro de 2008

Os ombros suportam o mundo

"Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação."

(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 4 de outubro de 2008


"Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.
Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha.
há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és."
(Manuel Alegre)

Sexo e dinheiro


Fiquei hoje a saber, com tremenda surpresa, que Portugal é o sexto país do mundo com menor diferença salarial entre sexos.
É isso mesmo. O sexto em todo o planeta. Estou pasmado.
Mas a surpresa continua. Quem está melhor do que nós? Estamos todos a pensar em países nórdicos, justos e desenvolvidos?
Pois bem: Errado!
Os melhores são:
Malta
Panamá
Filipinas
Sri Lanka
Bélgica
Eslovénia
Surpreendidos?
Não fiquem. Após o espanto inicial, se pensarmos bem , encontramos deveras facilmente a fórmula que explica estes resultados estatísticos:
No nosso país ganha-se tão pouco que se torna impossível existir GRANDES diferenças de vencimento entre Homem e Mulher.
É a vida! Ou melhor: É a vidinha!

O regresso (outra vez???)

Por mais natural que fosse pensar que a carreira política de Pedro Santana Lopes, a ter continuação, seria impossível sem um looooooongo período de reciclagem, aí está de novo "L'enfant terrible" a provar que ainda pensa ter aspirações no panorama político português.
Vemos noticiada em vários meios de comunicação social a provável candidatura de PSL à Câmara Municipal de Lisboa, com o incontornável aval de Manuel ferreira Leite.
Podemos ler ainda em vários jornais que a aposta do PSD em Santana Lopes é pelo seu partido considerada a melhor para derrotar António Costa.
Acham mesmo?
A minha opinião é a que se segue:
Pedro Santana Lopes continua na sua demanda desesperada e cega de ter algum tipo de protagonismo e poder. Desesperada porque está sem margem de manobra e não há muito por onde se agarrar. Cega porque é incapaz de observar que a sua imagem já não transmite (para aqueles que alguma vez transmitiu) credibilidade e competência.

O PSD de MFL parece assim sem pudor abdicar de disputar a vitória nas autárquicas Lisboetas para ser cúmplice no suicídio político de Santana Lopes e daí tirar dividendos.

Enfim, politiquices.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Quando estou só reconheço





"Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.


E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida."

(Fernando Pessoa)

IN(Justiça) 2



"Não procures tornar-te juiz
se não tens força para extirpar a injustiça,
caso contrário irás intimidar-te diante de um poderoso
e mancharás a tua integridade"
In Textos Bíblicos

(IN)Justiça


Esta "coisinha" que podemos observar no topo do texto trata-se de uma representação do vírus da Sida. (ou HIV-SIDA como parece ser o que amiúde lhe chamam por estes dias.)
Esta "coisinha" está na corrente sanguínea de um cavalheiro que viu hoje confirmada as supostas justeza e legalidade do seu despedimento em virtude de estar doente.
Não concordo (mas NÃO concordo mesmo) que haja qualquer tipo de justificação para alguém perder seja o que for só porque carrega esta "coisinha" no seu sangue.
Apesar de até poder compreender o receio que levou à decisão judicial não me compadeço dela.
Todos conhecemos as formas de contágio do HIV Sida e no desempenho da função de cozinheiro não me parece que seja um risco incontornável ter esta doença.
Doença é terem-no despedido.
Doença é a Lei Portuguesa permitir-se a este tipo de barbaridades.
A opinião não será unânime. Mas é a minha.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Tenho pena e não respondo


"Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.

Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros --- cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.

Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?

(Fernando Pessoa)

Não fui eu que disse...

"A desvantagem do capitalismo
é a desigual distribuição das riquezas;
a vantagem do socialismo
é a igual distribuição das misérias"

(Winston Churchill)