segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Tempos

Nasci depois do tempo.
Vim ao mundo numa época a que não pertenço.
Colocaram-me num lugar que me é estranho e ao qual não me adapto porque desconheço as regras deste faz-de-conta.

Tenho saudades das manhãs de "sport" no Grémio.
Dos "shake-hands", dos formalismos e das tipóias reles cheias de pó cinzento.
Sinto falta dos repastos no Ramalhete e no Hotel Central. Das escapadelas até Sintra...
Que nostalgia a lembrança das noites no camarote do S. Carlos...
Lembro as vozes adoçicadas de roliças donzelas com as suas indumentárias espartilhadas. Os seus sorrisos maliciosos disfarçados por leques de ocasião. Os seus quentes aromas que quebravam o ar sério e fidalgo dos cavalheiros fumadores de charuto...
Quanta circunstância, é facto! Quanto cochicho e troça!!
No entanto... quanta simplicidade... quanta inocência! Quanta vida!!
E que vida...

Tenho saudades do que o tempo me roubou só pelo triste infortúnio... de nascer depois do tempo.

André Couto

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