terça-feira, 18 de outubro de 2011

5 noites, 5 dias

via Google
O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que nenhuma investigação que envolva células estaminais e que tenha implicado a destruição do embrião de onde foram recolhidas pode ser patenteada.

Por um lado, como se pode ler na notícia,  "A utilização de embriões humanos para fins terapêuticos ou de diagnóstico aplicável ao embrião humano e que é útil a este pode ser objecto de uma patente", no entanto,   "a sua utilização para fins de investigação científica não é patenteável".

Isto é, utilizar um embrião na terapêtica, pode-se.
Utilizar o mesmo embrião na investigação para se chegar a essa terapêutica, já não se pode.

Não consigo estar de acordo com esta decisão.

Até porque falta a pedra de toque... o tempo necessário após a fecundação para a reprodução celular:
5 dias.

Uma reprodução celular com 5 dias é, sequer, um embrião?

Lamento, mas não concordo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Com esta Economia não há Estado Social que aguente.


Medina Carreira há 20 anos que vem alertando para o facto de que nos estamos a dirigir para o colapso. Lá diz o ditado que não se é profeta na própria terra, e MC tem sido criticado por tudo, desde o estilo, os gráficos, a aparente arrogância e irascibilidade. Nunca ninguém consegue é apresentar factos que o desmintam e os tempos que vivemos são o melhor exemplo da razão que Medina Carreira sempre teve, além disso deve ser difícil manter a compostura quando se vê que nos vamos despenhar, ninguém nos liga puto e ainda gozam connosco.
Logo aos 1min. de vídeo temos a frase que melhor reflete a razão para este estado de coisas:
Sem Economia não há Estado Social que aguente. Ponto. As despesas com o Estado Social aumentam exponencialmente ao mesmo ritmo que as Economias decrescem de vigor. Não há dinheiro para continuar este estado de coisas. 88% dos impostos recebidos são para pagar o Estado Social.

Não há gorduras que consertem este problema. Temos duas hipóteses, ou pomos a Economia a crescer ou temos de cortar nas despesas. Ora se não dependemos só de nós para colocar a Economia a crescer o caminho só pode ser cortar onde se gasta. Estado Social.
Temos pena mas não há alternativa.

A Europa esta desindustrializar-se. Não irá começar a produzir desmesuradamente e a crescer como já cresceu. Sendo o Estado Social um produto da Revolução Industrial e da geração de riqueza, parece mais ou menos óbvio que se não se gerar riqueza, não se pode manter um Estado que tudo pague.
Os portugueses sentem-se enganados, e com razão.
Durante uma crise não seria a melhor altura para cortar no Estado ma sem cortar na Despesa Pública não sobreviveremos.

Desde 2000 que este destino era perfeitamente identificável. Ninguém fez a ponta de um corno. Todos foram uma cambada de românticos que não quiseram enfrentar a realidade. O resultado está à vista.
Vão-nos tirar ao prato na altura em que menos temos para comer, mas a culpa não é da mão que nos tira. É daqueles que, quando podiam e deveriam, nada fizeram. Perdemos 10 anos e agora atravessaremos o deserto, queiramos ou não, custe-nos ou não, não há mais nenhum caminho, podem vir comunistas, bloquistas, marxistas, trotskistas, maoistas, pode vir o Papa que a verdade não muda.
É injusto? Sim.
Há alternativa? Lamento, mas não.
Vai doer? Oh se vai!
E resolverá o problema? Não se sabe.
Há que falar verdade aos Portugueses.

Enquanto foi tempo não se fizeram manifestações e indignações. Andámos todos mansos? Agora é tempo de comer o feno porque não há dinheiro para ração.

Medina Carreira anda há 20 anos a apanhar pancada por dizer ao país que chegaríamos aqui.
Chegámos. Aguentêmo-nos à bronca.

Lendo os outros

Pode ler-se no Delito de Opinião:
"O procurador-geral da República deu ordens para que toda e qualquer diligência de investigação criminal que envolva um político lhe deva ser comunicada pelos procuradores antes de ser executada. Invoca várias razões mas, sobretudo, motivos de "protocolo" e de "cortesia", até pelas muitas queixas já recebidas de ilustres eleitos incomodados com a acção do Ministério Público. Não podia haver expressão mais esplendorosa do miserável Portugal do respeitinho. A partir de agora a mensagem é clara para todo o Ministério Público: Não incomodem os senhores políticos. Desde logo, se não quiserem levar processos disciplinares. Pactuar com isto é regressar ao bafio salazarista do Estado Novo."


Eduardo Dâmaso, no Correio da Manhã

Estará para breve a reactivação da PIDE?

Hein?



Este não apagam.

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A EDP apagou um post de uma utilizadora do Facebook por este não cumprir o código de conduta da página.
Comentário dizia: Eu não pedi um Plano Nacional de Barragens e era um link para uma página onde está um registo vídeo do Programa Biosfera da RTP.

Basta ver apenas a nota introdutória do episódio, aparece logo a seguir ao genérico, para perceber o porquê de os senhores da EDP não gostarem do comentário. Acredito que não seja agradável ter um abre-olhos desta envergadura na sua página. Só tenho dúvidas é que quebre alguma regra do Código de Conduta do Facebook...
Podem seguir o link abaixo.

É que eu também não pedi um Plano Nacional de Barragens.

Devagar se vai longe.

via Google
O salário mínimo nacional aumentou €88 (...)
(...) desde 1974.

Feitas as contas o aumento líquido do salário mínimo nacional nos últimos 37 anos é €88.
Puxando pela memória, e como nasci em 1981 não é necessário grande esforço, tenho a sensação de que temos vivido em constantes crises há 37 anos.

Às vezes apetece-me mesmo perguntar onde anda todo o dinheiro que entrou no meu país...

Que vamos a passo de tartaruga já o sabíamos, agora €88 em 37 anos dá um aumento anual líquido de €2,38.

Lá diz o ditado que devagar se vai longe...

Chuta, Postiga!

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Hélder Postiga marcou os seus primeiros dois golos com a camisola do Zaragoza.
Se seguirem o link poderão ver os golos em vídeo na peça do Público.

Sempre gostei de Hélder Postiga. Puto irreverente e, talvez por isso, mal compreendido adquiriu uma das características chave do Vinho do Porto: melhorar com a idade. A maturidade traduz-se em mais ponderação, maior esforço e consequentemente melhores exibições. É um daqueles jogadores que gostava de ter visto jogar com a camisola vermelha do meu Benfica.
Existem mais alguns que, como não sofro do mal de ser "anti" nada, poderia nomear, mas este post é todo para o Hélder. Não lhe roubemos, pois o protagonismo.

Postiga marco o primeiro golo a contar (já havia marcado mas haviam sido invalidados).
E que grande golo! Um pontapé de bicicleta, no meio de dois defesas contrários, no centro da área.
Depois... marcou mais um.

Espero que com estes golos tenha acabado a fase de "secura" e continue a facturar.

Já agora, lembram-se do Euro2004?
Portugal-Inglaterra.
Penaltis.
Hélder Postiga, o ainda puto irreverente, segue para a marca e...


Chuta, Postiga!!

domingo, 16 de outubro de 2011

Dia dos Primos

via sítio da Junta de Adaúfe
Há dois ou três anos inaugurou-se um ritual na minha família que se está a tornar uma tradição.

As vicissitudes dos tempos de hoje tornam a nossa vivência cada vez mais brusca, rápida, insensível e, até, egoísta. Não temos, como devíamos, o tempo necessário para cultivar e regar os nosso laços familiares e, sejamos francos, mesmo quando essa nesga de tempo surge não estamos para tomar a iniciativa. O tempo lá vai passando e quando damos por isso só estamos com as pessoas que verdadeiramente importam por motivos de nascimento ou morte, isto é, vêmo-los, e nem sempre, no Natal ou então em funerais.

Relativamente aos meus pais tenho a felicidade de estar com eles todas as semanas por motivos mais prosaicos e mais alegres, juntamo-nos semanalmente para comer, beber, amar e conviver.

Os restantes familiares acabam por receber atenção mais esparsamente, admito-o.

Lutando para não deixar o tempo e a distância esbater os laços que o sangue naturalmente une, a minha família criou um novo motivo para um encontro anual: O Dia dos Primos.

Primos, Pais, Tios, Cunhados, Sobrinhos, Afilhados, Irmãos, Netos, Avós, Genros e Sogros unem-se num dia de piquenique algures pelo nosso Portugal. Com a ideia da reunião dos primos acabamos por juntar a família quase toda por um motivo tão simples mas tão feliz como o prazer de estar uns com os outros e partilhar carinho, risos, conversa e paz.
Regra geral termina com peregrinação geral a casa de um de nós.

Estar com a família é bom. Enche-nos o coração e torna-nos melhores.
Estou muito grato pela família que tenho.

Este ano, no nosso Dia dos Primos, estivemos aqui.

Até ao ano, se não for antes.

Já não era sem tempo.

via Público
O Presidente dos E.U.A., Barack Obama, inaugurou o merecido memorial de Martin Luther King que só peca por tardio. Sem prejuízo de ser no mandato de Obama que se procede a esta inauguração não posso deixar de perguntar:
É coincidência esta merecida homenagem ter como inaugurador o primeiro presidente negro?
Será que a mensagem de MLK terá passado de forma plena?

"Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam."
Martin Luther King




sábado, 15 de outubro de 2011

Não se esqueçam das outras...

via Google
O Governo proíbe políticos de receberem avenças na RTP.
Quem lê esta parangona fica com uma ideia que, ao ler o artigo, clara e rapidamente desaparece.

Em primeiro lugar ficamos desenganados quanto à bomba que o título anuncia. Não há, como o título me sugeriu, obscuridade e trapacice, nada de políticos a receber dinheiro às escondidas por motivos dúbios. O que está em causa são os honorários pagos aos políticos pelas suas intervenções na televisão pública, que no parecer de Miguel Relvas são inexplicavelmente mais generosos do que os dos operadores privados. Dado o facto de falarmos de avenças entre €100 e €600 não me parece que, mesmo dando de borla a razão ao ministro, o excesso de generosidade da RTP tenha muita margem para ser extraordinariamente vasto.
Que desilusão, ficar extremamente estimulado com a ideia do sangramento em praça do povo e afinal ser só privada menstruação em final de tempo e fluxo.
Quer isto dizer que na RTP não haverá mais lugar a comentários de políticos com cargos públicos ou que continuará a haver desde que o façam de borla?
Confesso que quando imagino um político, tal como nós, a pagar a crise, espero bem mais do que isto.

Na cadência que a última frase nos deixa, chega-nos o segundo ponto.
Miguel Relvas diz: "A RTP não pode ficar à margem do esforço financeiro que está a ser exigido a todos os portugueses neste momento de emergência nacional."


Unindo as minhas deficiências com o desiderato pedido ao país, isto é, sendo rigorosos, a afirmação do ministro inicia logo com uma falta à verdade. Miguel, o esforço financeiro não está a ser exigido a todos os portugueses. Por jogo linguístico ou meramente por ser verdade o facto é que nem todos fazem um esforço financeiro e os que fazem não partilham a mesma intesidade de esforço. Isto acontece distribuido por bolos, sendo, na minha óptica, os principais os seguintes:
"Os pobres" - não pagam na teoria mas são os que mais sentem. Ora, na prática, os que mais pagam.
"A classe média" - pagam na teoria e sentem na prática. São os tramados porque ficarão pobres.
"Os ricos" -  são os que mais pagam na teoria mas os que menos sentem na prática. Ficam na mesma.

Existe ainda um sub-grupo curiosamente transversal a todas as classes: os ladrões. Estes nada pagam em nenhuma teoria e menos que nada, evidentemente, pagam, em qualquer prática.
Há quem diga que este sub-grupo é, na verdade, bastante vasto... Dizem!

Finalmente, porque a lógica popular nos obriga a ter um terceiro ponto quando dois anteriores existem, o Governo propõe que os vencimentos dos quadros da RTP/RDP não ultrapassem os €6523 mensais, valor tomado como referência por supostamente ser a remuneração do nosso Presidente da República.
Serei extremamente breve.
Não há como não estar de acordo com isto.

Não se esqueçam é de limitar a remuneração a TODAS as empresas e organismos com pagamentos do Estado está bem?

É importante...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Meu não é, de certeza.

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Pedro Passos Coelho respondeu hoje a António José Seguro dizendo que as medidas de austeridade são suas mas o défice que as obriga não é seu.

O Primeiro Ministro esteve hoje bem no debate quinzenal que se realizou no sítio do costume.

As interpelações das bancadas do PSD e CDS foram, como sempre são as do/s Partido/s que apoia/m o Governo, as menos interessantes. São o habitual surpreende-me-lá-com-a-pergunta-que-estou-à-espera-para-te-dar-a-resposta-que-combinámos. Sem interesse algum excepto manter o necessário formalismo de a todos dar a palavra.

António José Seguro tentou fazer baixar alguma névoa sobre os números do Orçamento para 2012 mas não convenceu. Extremamente inseguro para o nome que tem, pareceu-me talvez demasiado impreparado, demasiado verde. Caso a preparação tenha sido bem feita e competentemente assessorada implica que a verdura seja, na realidade, inaptidão. Foi demasiado mole. Facilmente rebatido por Passos Coelhos e até pela Presidente Assunção Esteves defronte de quem amuou porque lhe quis desligar o microfone por excesso de palração.

Jerónimo de Sousa empregou o dogmático gasto e esperado discurso com os "ptanto" do costume. Penso que Jerónimo é dos raros comunistas politicamente simpáticos. Infelizmente, para estes, tornou-se presa fácil na argumentação Passista. Nada de assinalável.

Sobre Heloísa Apolónia nada sou capaz de comentar. Não consigo ouvir a senhora.
É físico e visceral. É a verdade.

Francisco Louçã, o único que deu luta. Com as suas usuais armadilhas de linguagem sustentadas com questões baseadas em números e factos. O melhor preparado de todos os líderes dos Partidos da Oposição perguntou a Passos onde meteu 1000 milhões de euros.
Teve azar.
Pedro, o Primeiro, sabia e respondeu.

O Primeiro-Ministro foi sempre capaz de argumentar de forma precisa e clara.
Não se escondeu atrás de nenhuma cassete.
Falou sobre o seu Orçamento, feito com base nas suas ideias e defendeu-o.
Só falhou num aspecto.

Se formos ao fundo do argumentário da frase com que brilhou e com que começamos este artigo está uma pragmática falácia.
O défice também é dele. Queira ou não.
É de todos, dizem. Pois bem.
Do Pedro também.

Porque se assim não for recuso-me a pagar. É que meu não é, de certeza.

E se taxassem quem rouba?

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A Entidade Reguladora da Saúde vem propor formas alternativas de financiamento da saúde. Referem-se, nomeadamente, a taxas nas comunicações móveis. A ERS estima que só desta taxa adviria um proveito financeiro superior ao que o Estado prevê arrecadar com alterações na taxa moderadora.
Esta mesma Entidade vai mais longe e sugere ainda novas taxas no tabaco, bebidas alcoólicas e açucaradas.
Todas as verbas são poucas, sabêmo-lo.

Fazendo um exercício de pesquisa semelhante e justo, porque não calculam quanto lucraria o Estado se taxasse, à unidade percentual, ou ainda que também ao cêntimo, as transações ilícitas relativas a coisas tão abstratas como corrupção e evasão fiscal?

Como fazer? Estupidamente fácil.
Irei ter de trabalhar trinta minutos diários extra a partir, provavelmente, de Janeiro.

Era só pedir ao Sr. Ministro Paulo Macedo que fizesse os seus trinta minutos na
Direção Geral dos Impostos.

Penso que seria uma forma de promover ainda a produtividade política e a multi-disciplinaridade ministerial.
Criaria espírito de grupo e daria um ótimo exemplo aos portugueses.

Não?
Tudo bem. Foi só uma ideia.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não é um cinto, é um espartilho.

via Público
Passos Coelho deu a conhecer ao país as medidas de contenção da despesa austeridade do Estado que o governo levará a cabo com o intuito de cumprir o memorando de entendimento com a troika.
Falamos, evidentemente, de medidas muito duras. O Estado procura aumentar a sua receita quer através do aumento direto da mesma, com novas cobranças, quer com cortes na despesa, sendo que esta "despesa" sai do nosso bolso e não da tão falada gordura do Estado.
Sejamos sinceros. Estávamos à espera de quê? Figos?
Confesso que admiro a honestidade de me olhar nos olhos enquanto me apertam um testículo.
É de Homem.

O estado do Estado é calamitoso, podemos afirmar que o sabemos, ainda que por apenas no-lo terem dito. Estamos falidos. O empréstimo que pedimos chega em controladas fatias e só se nos portarmos bem.

Qual seria a alternativa? Uma solução exequível, entendamo-nos?

Há pouco tempo os media ejaculavam tumultos e revoluções, greves e procissões, o rebentamento do dique que contém os vândalos e cabrões.
Nada disso, para já, acontecerá.

O Povo português é extremamente singular. Tem características únicas moldadas pela sua História. Sim, o fado. Sim um trauma carneirista fascizóide,pois claro. No entanto somos um povo determinado. Encornado, se quiserem. Não vamos para onde os outros querem, não seguimos, muitas vezes, pelo caminho que só a nós mesmos beneficiaria seguir. Não somos muito espertos. Mas somos teimosos. Encornamos.

Nas passadas eleições o memorando de entendimento com a troika foi subscrito por todos os eleitores, não tenhamos a mais pequena dúvida. Se PS, PSD e CDS firmaram, com tinta, o documento, no último acto eleitoral o Povo de Portugal rubricou esse mesmo tratado, não com tinta, mas com o seu sangue. Os Partidos que escolheram a errada estratégia de se porem de parte na negociação com o triunvirato foram, sem o esperar, postos de parte nos votos dos eleitores.
Sim temos os votos no PCP, mas esses sempre os mesmos. (Não critico, notem bem, apenas o constato.)

Por tudo o que expusemos até ao momento a conclusão a retirar é por demais evidente:
A margem de manobra deste Governo é total. Não tenho medo de o afirmar. Reitero-o, pois!
Estamos, enquanto nação, dispostos a sangrar por este país.
Não haverá tumultos, a não ser os politicamente organizados.
Não haverá pilhagens e anarquia. Portugal está encornado em seguir o rumo que a maioria diz ser o único.

Até ao último limite.
A crença.
Quando e se os portugueses entenderem que tanto sacrifício não serve para resolver o problema, meus amigos, a reação será explosiva e incontrolável. Não haverá cacete capaz de segurar um luso enrabado e sem esperança.
Como diria o Bush (pai ou filho, é indiferente):
Make no mistake.

Governantes do nosso país, por favor, para o vosso e nosso bem,
não nos enganem. Se não nunca mais nos controlam.
Garanto-vos.

Já não há quem aguente.

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Na Madeira estão agora preocupados com a inconstitucionalidade da aprovação de medidas de austeridade mais gravosas para o arquipélago do que para o resto do país.

Embora com esforço consegui rebater o impulso de ir comentando a par e passo o tufão noticioso que teve origem nas ilhas de Alberto João Jardim. As análises à posteriori no geral e esta que lemos em particular, têm a vantagem de melhor relacionar todos os dados que foram conhecidos sobre um determinado tema, o que permite uma visão mais global e por isso mais completa. Digamos que vemos a totalidade da imagem e não apenas fragmentos.
No meu caso soma-se ainda a benesse de esfriar o temperamento, que o tenho facilmente inflamável.

Nesta campanha eleitoral para as eleições regionais madeirenses vimos de tudo e de nada um pouco.

Vimos surgir um colossal, este sim, buraco;
vimos Alberto João Jardim dizer várias coisas, as segundas contrárias das primeiras mas coerente no que à responsabilidade diz respeito: de todos menos dele e se dele por legítima defesa;
vimos o orgulho Madeirense na sua obra;
vimos o desprezo pelas consequências de tais despesismo;
vimos várias declarações dizendo que o Tribunal Constitucional já avisara do escavar madeirense;
vimos a comunicação social tremer sob o estalo do chicote de Pau;
vimos as eleições realizarem-se com alegadamente graves ilegalidades;
vimos carrinhas de empresas públicas madeirenses acartarem votantes para as urnas;
vimos responsáveis por freguesias darem uma ajudinha ao voto;
vimos e ouvimos declarações de que na Madeira, assim, é normal e já houve pior;
vimos uma "mais pequena" maioria absoluta dos do costume;
vimos a declaração de pedido de demissão do representante da CNE devido a motivos "pessoais";
vimos o lider da J laranja participar activamente, na tentativa de incêndio de um orgão de comunicação social "não alinhado" com direito a cântico próprio que me recuso a repetir porque não gosto da palavra "Olé!", "filhos da puta" não me importo de escrever;
vimos o líder regional do 2º Partido mais votado a abdicar do mandato e a fugir para a Assembleia do continente;

E agora?
Não vemos ninguém interessado em responsabilizar criminalmente alguém, seja madeirense, continental, ou ambos, pelo sucedido;
Não vemos ninguém interessado em responsabilizar politicamente alguém, seja madeirense, continental, ou ambos, pelo sucedido;
Não vemos a comunicação social erguer-se contra terem ferido um dos seus;
Não vemos nada.
Absolutamente nada.

Já viram se eu perdia tempo a comentar tantas e tão graves ocorrências... para nada?

Será que tudo não passou de fogo fátuo eleitoral?
Será que o défice democrático, à semlhança do económico, é geral, nacional e não tanto, como o apregoaram, insular?



Ainda bem que não ligo a essas coisas...

Do domingo aos coches.

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Francisco José Viegas, atual Secretário de Estado da Cultura, jornalista, escritor, bloguer, apresentador de televisão, sempre foi alguém com quem senti simpatia.
Na passada semana surgiu a notícia de que por iniciativa da sua tutela os museus iriam passar a ter pagas as entradas ao domingo. Muito embora não me choque esta medida não posso concordar inteiramente com ela. Não me vou debruçar, porque posso cair e até magoar-me bastante, sobre a qualidade dos museus nacionais, dos seus conceitos e atores. Compreendo a necessidade de financiamento da cultura mas evidentemente que não é cobrando as dominicais entradas que se vai resolver o problema. A Cultura tem de ser paga via Orçamento de Estado já que a todos diz respeito e a todos beneficia. A lógica mercantilista do emagrecimento do Estado, o tão apregoado corte das gorduras, não pode afectar esta área deste modo. Como nos lembramos começou com a despromoção de ministério a secretaria, com a despromoção veio a desorçamentação e depois os cortes.
Esta política de acultura, estas medidas que focam o empedernir das capacidades intelectuais dos portugueses, tem o claro objectivo de os amansar...Com os lusos mansos os governantes do nosso país ficam com carta branca para tomarem todas as medidas que entenderem pois o espírito crítico estará, como está e mais se quer, delapidado. Advogarão que passar a cobrar os bilhetes ao domingo, por si, não leva ao que aqui temos tratado. Concedo-lhes razão, mas o caminho faz-se caminhando e vê-se bem para onde seguem os passos destes que nos mandam.
Com esta tomada de posição, confesso-o, fiquei desiludido com Francisco José Viegas.
Podemos pensar se seria preferível não fazer nada? Para mim sim. Podemos e seria.

Soube hoje, no entanto, que FJV tomou mais uma pública decisão do seu público cargo, a notícia que fiz ligação, no início, ao Público. Tão melhor desta vez. Seja por princípio ou arrependimento este passo até pode pertencer ao mesmo caminho, mas pelo menos é na direção contrária.

Bem haja por isso.



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O que eu gosto de Pessoa...



Trago dentro do meu coração,

Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

(...)

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.

A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta entrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranquila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta sociedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contactos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cómoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?

Correram o bobo a chicote do palácio, sem razão,
Fizeram o mendigo levantar-se do degrau onde caíra.
Bateram na criança abandonada e tiraram-lhe o pão das mãos.
Oh mágoa imensa do mundo, o que falta é agir...
Tão decadente, tão decadente, tão decadente...
Só estou bem quando ouço música, e nem então.
Jardins do século dezoito antes de 89,
Onde estais vós, que eu quero chorar de qualquer maneira?

Como um bálsamo que não consola senão pela ideia de que é um bálsamo,
A tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai.
Acenderam as luzes, cai a noite, a vida substitui-se.
Seja de que maneira for, é preciso continuar a viver.
Arde-me a alma como se fosse uma mão, fisicamente.
Estou no caminho de todos e esbarram comigo.
Minha quinta na província,
Haver menos que um comboio, uma diligência e a decisão de partir entre mim e ti.
Assim fico, fico... Eu sou o que sempre quer partir,
E fica sempre, fica sempre, fica sempre,
Até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica...

Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito.
Só humanitariamente é que se pode viver.
Só amando os homens, as acções, a banalidade dos trabalhos,
Só assim – ai de mim! -, só assim se pode viver.
Só assim, ó noite, e eu nunca poderei ser assim!

Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco – não sei qual – e eu sofri.
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a excepção, o choque, a válvula, o espasmo.

(...)

Não sei sentir, não sei ser humano, conviver
De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra.
Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,
Ter um lugar na vida, ter um destino entre os homens,
Ter uma obra, uma força, uma vontade, uma horta,
Unia razão para descansar, uma necessidade de me distrair,
Uma cousa vinda directamente da natureza para mim.

(...)

Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma ideia abstracta,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de carácter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.
Estreito ao meu peito arfante, num abraço comovido,
(No mesmo abraço comovido)
O homem que dá a camisa ao pobre que desconhece,
O soldado que morre pela pátria sem saber o que é pátria,
E o matricida, o fratricida, o incestuoso, o violador de crianças,
O ladrão de estradas, o salteador dos mares,
O gatuno de carteiras, a sombra que espera nas vielas —Todos são a minha amante predilecta pelo menos um momento na vida.

Beijo na boca todas as prostitutas,
Beijo sobre os olhos todos os souteneurs,
A minha passividade jaz aos pés de todos os assassinos
E a minha capa à espanhola esconde a retirada a todos os ladrões.
Tudo é a razão de ser da minha vida.

(...)

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

(...)

Fui para a cama com todos os sentimentos,
Fui souteneur de todas ás emoções,
Pagaram-me bebidas todos os acasos das sensações,
Troquei olhares com todos os motivos de agir,
Estive mão em mão com todos os impulsos para partir,
Febre imensa das horas!
Angústia da forja das emoções!
Raiva, espuma, a imensidão que não cabe no meu lenço,
A cadela a uivar de noite,
O tanque da quinta a passear à roda da minha insónia,
O bosque como foi à tarde, quando lá passeamos, a rosa,
A madeixa indiferente, o musgo, os pinheiros,
Toda a raiva de não conter isto tudo, de não deter isto tudo,
Ó fome abstracta das coisas, cio impotente dos momentos,
Orgia intelectual de sentir a vida!

(...)

Dói-me a imaginação não sei como, mas é ela que dói,
Declina dentro de mim o sol no alto do céu.
Começa a tender a entardecer no azul e nos meus nervos.
Vamos ó cavalgada, quem mais me consegues tornar?
Eu que, veloz, voraz, comilão da energia abstracta,
Queria comer, beber, esfolar e arranhar o mundo,
Eu, que só me contentaria com calcar o universo aos pés,
Calcar, calcar, calcar até não sentir.
Eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis,
Que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou."

Álvaro de Campos, 22-5-1916

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Entrevista a Vitor Gaspar

Foto: Google
Assisti ontem à entrevista do José Gomes Ferreira ao ministro das finanças Vitor Gaspar.
Em primeiro lugar devo dizer que gosto bastante do jornalista que referi. Aborda os temas com educação, parece saber do que fala e tem uma característica fundamental num entrevistador que é deixar o entrevistado, seja ele qual for, gostando dele ou não, responder às questões e concluir as suas ideias.
Vitor Gaspar era, para mim, uma incógnita. Tinha muita curiosidade em ouvi-lo, tentar avaliar a sua capacidade e, admito-o, procurar lê-lo não só através do seu discurso mas também da sua postura, dos seus tiques, enfim, pretendia armar-me em mentalista e saber o PH da urina do ministro só com base na posição do dedo mindinho do pé esquerdo.

Perante tudo o exposto, estava extremamente ansioso.

Realizada a entrevista não fiquei decepcionado com o entrevistador e assumo que fui surpreendido pelo Vitor Gaspar.
Gostei da sua forma de estar, de como soube manter a calma, mesmo quando espicaçado pelo José Ferreira. Admirei o seu profundo conhecimento da pasta que tem em mãos e da prudência com que a gere no sentido de chegar ao objectivo da sua tutela que mais não é do que cumprir o acordo com a troika. E isso já é bastante pois temos o mundo inteiro à espera que o nosso país se transforme em mais uma Grécia.

Ficaram-me da entrevista várias certezas:

Muitos dos que criticam as medidas adoptadas pelo governo não fazem a mais pequena ideia de que a sua grande maioria se encontra nesse tal acordo com quem nos manda o tostanito. A MUITAS das questões que lhe foram colocadas sobre o porquê desta, daquela, daqueloutra medidas, a resposta foi sempre a mesma: isso está escrito no Acordo assinado e tornado público em Maio.

O facto de este governo tomar medidas além do que está acordado é para que se consiga cumpri-lo. Não para acabar lá perto, isso não chega. Há que cumprir e mostrar que está e irá fazê-lo.
Ninguém deseja a falência do nosso país, pois não? Alguém pensa que o pastel continuará a chegar se não estivermos a fazer o que a troika entende necessário?

Ficou, para mim, claro que Vitor Gaspar e o governo têm um plano para a resolução dos problemas do país e para a sua reformação. Esse plano será posto em prática e cumprido. Doa a quem doer.
Acredito que irá doer a todos. Mas é preferível termos um governo que nos leva a algum lado do que  um outro que fica, assobiando para o ar, à espera que venha o Pai Natal fazer alguma coisa.

Os portugueses não são tansos nem mansos. Os partidos políticos que se excluíram das negociações com a troika foram trucidados nas últimas eleições. Não acredito que uma maioria que vota num bloco à partida coligável de partidos de direita, estivesse à espera de uma governação de esquerda.

Espero que também no fim desta tormenta venha a esperada bonança.
Espero que o GPS do governo esteja a funcionar bem e estejamos indo na direcção certa.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Não é bem um post e como tal isto não é bem um título...



muro (mu-ro)

s. m.
Obra de alvenaria, adobe, taipa, tijolo etc., destinada a cercar um recinto, a proteger um povoado ou cidade, ou separar um lugar de outro.
P. ext. Tudo que possa servir para separar uma coisa de outra, ou defendê-la.
Fig. Defesa, proteção, auxílio.
Fig. Obstáculo intransponível.

Faz hoje três anos.

Abreijos.

domingo, 4 de setembro de 2011

Quantos somos?

Imagem cedida pelo Tio Google...


"Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo:
Deus sabe, porque o escreveu."

Fernando Pessoa

sábado, 3 de setembro de 2011

Portugal! Portugal! Portugal! Chave de Ouro.

Foto: Internet

Olá a todos. Estive a jantar em casa dos meus pais. Como eles nunca tiveram um esquilo lembrei-me de vir aqui dizê-lo para que todos o saibam. Pronto. Já está.

Uma vez que aqui me desloquei há algo que paira na minha mente e que gostaria de partilhar convosco. Não tenho pretensões de me tornar comentador assalariado da sociedade em geral, no entanto não posso desviar o olhar do que me rodeia, mormente quando as mesmas notícias proliferam em todas as plataformas de informação. Consciente de que me torno numa ferramenta na mão da qual me quero abrigar, avanço inabalado.

Portugal!

O governo centro-democrata ou social-cristão que assume o controlo dos destinos da nossa bem amada nação encontra-se no alvoroçado frenesim de se desdobrar na realização da multi-partida tarefa de cumprir o acordo assinado com o triunvirato; tentar suplantar o acordado para mostrar àquele senhor que segura nas cordas que determinam a pantomina dos mercados que não tem com que se preocupar já que estamos longe da falência, conseguiremos sobreviver e ainda pagar tudo a todos em tempo útil; tentar convencer os portugueses que este é o caminho certo e que todos os passos de Passos estão, com Portas, a abrir as portas de um futuro brilhante, de modo a não afugentar os abastados nem irar os desgraçados.

Não irei defender ou atacar a estratégia seguida pelo nosso governo para nos tentar tirar do lamaçal, deixo isso para quem perceba realmente do assunto, todavia permito-me partilhar algumas dúvidas que, naquele instante depois de apertar a braguilha e antes de lavar as mãos, me perpassam pelo hipotálamo.

" (...) a Saúde encabeça o maior corte, de mais de 800 milhões de euros. Segue-se a Educação, que perde 507 milhões de euros e, por fim, a Segurança Social com menos 205 milhões de euros."
TVI24

Não haverá nenhuma confusão entre o que é despesa e o que são gastos essenciais?
Estaremos a delapidar re-estrururar o Estado Social na altura certa?
A desregulação dos mercados será garantia de que eles funcionem da forma que esperamos?
Vender património nesta conjuntura ou noutra será assim tão útil e preponderante?
O imposto sobre transacções financeiras é assim tão impossível que nem se considere?
Delapidar o poder de compra ajuda ao crescimento económico?

Teria n questões ainda a colocar, porém, a cada uma que escrevo, leio-me demasiado canhoto para quem votou tão destro...

Adiante, companheiros.

Para além de tudo a pergunta que mais prurido me causa é mesmo:
O Paulo Bento não terá nada a ver com o abandono do R. Carvalho?
(Ou era esta ou uma sobre o Strauss Coiso...)

Por falar nisso:

Portugal!

A Selecção Nacional (mais Pepe) ganhou ao Chipre por uns indiscutíveis 4-0!
Fiquei muito satisfeito com o resultado, menos com a exibição e nada com o feitio cada vez mais arrogante contundente do C.Ronaldo.
Dos 90 min de jogo destacaria, sem sombra de dúvida, o belo jantar com a minha cara metade e com os meus papás.

Á laia de conclusão, fechando o ciclo, avançando dando um passo atrás, toco ao de leve um ícone que receberá tratamento merecidamente mais alongado quando não tiver tanto sono e quando vocês estiverem a ler isto com atenção ao invés de estarem com os sentidos dedicados àquela loira que passou por cima do canto esquerdo do ecran:

"Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
José Saramago Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148

Quer o amem, quer o odeiem, é impossível ser-lhe indiferente.

PORTUGAL!!

Abreijos.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Regresso

 











Boas noites meus queridos e fiéis ledores!
Quão pouco têm lido de mim ultimamente... Vamos lá dar uma volta a isso?

Depois de uma sabática ausência na qual mudei de casa e de espírito, após umas merecidas e apaziguadoras férias aqui e ali que só reforçaram a transmutação no fim de um longo e, por vezes penoso nigredo, e na véspera de acordar às 06:00H para o tão esperado regresso ao trabalho, não podia deixar de por cá passar, para Vos dar um "Olá".

Espero que tenham aproveitado este hiato para ler todos os posts que escrevi até à data e que os tenham apreciado, degustado e interiorizado. Pelo menos não se podem queixar de falta de tempo para o fazer ou de que este que Vos se dirige Vos tem alagado com escritos... LOL.

Anyway, sinto-me como novo e com as baterias plenas. A obra está pronta.

Não percam os próximos capítulos.

Post Scriptum:
Enquanto ouvia rádio, engomava a roupa, cozinhava, inventava um revolucionário motor que irá substituir os motores de combustão interna, participava em duas etapas do Tour e escrevia este post, soube que Ricardo Carvalho fugiu da concentração da Selecção Nacional.

Abreijos.











quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O país dos tangas














Esta semana assistimos ao assumir definitivo que este é um país de tangas. Tangas que se governam ao destino desta nação há 36 anos.

Entre acusações e cuspidelas para o ar, que acertam em todos menos em quem deviam, andam alguns senhores iluminados a brincar às políticas com descarado desprezo por quem os elege, lhes paga o ordenado e pouco tempo depois, reformas de valor absurdo, justificadas absurdamente por coisa alguma, com duração absurdamente vitalícia e com a absurda garantia que, pelo menos a esses senhores, nunca faltará dinheiro para lhes entregar.

 - Eh, pá, tens 55 anos, trabalhas há 30 anos, ganhas €500… não sabemos se vai dar para te pagar reforma. Pensas mesmo viver até que idade? Xiiiii…. Tanto?? Então não vai mesmo dar, ok? Faz lá um PPR, um seguro de saúde e não digas a ninguém que vais daqui.

PS E PSD não se entenderam quanto ao Orçamento de Estado para 2011. 
O PS fingiu que iria ter alguma margem de manobra, logo à partida curta, para ceder em algum ponto, o PSD fingiu que tinha alguma margem de manobra, logo à partida pequena, para chegar a um entendimento.

PS argumenta que PSD queria reduzir receita sem apresentar substituição de fonte da mesma.

PSD argumenta que não seria necessária tanta receita se não se gastasse tanto.

Eu argumento que PS e PSD se estão nas tintas para o OE, para os portugueses e para o país em geral e que nunca houve intenção, de qualquer das partes, de chegar a um acordo sobre o que quer que seja.

 O que transparece de forma ridiculamente clara é que num tempo de uma suposta crise que acarretará dificuldades de subsistência a muitos portugueses, colectivamente ou em nome individual, a preocupação primordial dos responsáveis dos dois Partidos Políticos que nos governam há 36 anos é: retirar dividendos eleitorais para futuros escrutínios.

Dizem os engenheiros do PS:
- E caros concidadãos, gostaríamos muito de governar e tirar este País desta malograda crise internacional que nos afecta a todos tanto e na qual não temos qualquer responsabilidade. Sabemos perfeitamente como fazê-lo mas como somos um Governo minoritário e sofremos com uma Oposição cega e irresponsável que não nos aprova uma ferramenta essencial à condução dos destinos da nação, estamos, consternadamente, de mãos e pés atados pelo que o melhor será, logo que possível, convocar eleições darem ao PS uma maioria absoluta.

Falam os doutores do PSD:
Portuguesas e Portugueses. É com enorme pesar e sentida consternação que anunciamos que não mais é possível suportar uma caótica e destrutiva governação Socialista. Este Governo trouxe-nos onde estamos, trouxe-nos à ruína e mostra-se incapaz de tirar o País da situação em que o colocou. Este Orçamento é insubscrevível porquanto nos levará ainda mais de encontro ao fundo do pântano. Não peçam ao PSD para aprovar uma alarvidade em forma de documento oficial que arruinará ainda mais, se possível for, este nosso tão amado Portugal. Neste sentido só uma saída se nos afigura: Logo que constitucionalmente possível, convocar eleições antecipadas e darem ao PSD uma larga maioria absoluta. Quanto mais larga melhor, e de preferência com dois terços dos deputados para permitir ao nosso Partido alterar a Constituição  e dela retirar tudo o que lá está a mais e que torna este País tão dificilmente governável.

Responde o André:
- Chega. Basta.
 Se desde o 25 de Abril de 1974 isto é tudo o que têm para mostrar falhámos todos redondamente. Falharam vocês porque tiveram nas mãos a possibilidade de fazer deste País uma grande nação e não quiseram.

Falhámos todos nós porque alternadamente lhes entregámos carta-branca para nos guiarem e no final da viagem chegámos à triste conclusão que não saímos do mesmo sítio porque vocês arrancaram com o nosso dinheiro e esqueceram-se de nos levar convosco.

Que melhor oportunidade queriam vocês que um novo começo?

Uma folha em branco para encher de História… que lhe puseram?

Qual o resultado que têm para nos apresentar que nos deixe minimamente consolados?
Que miséria.

Quanta incompetência e falta de empenho.

Não brinquem mais comigo.

Não brinquem mais com a minha família.

Não brinquem mais com o meu País.

Entretenham-se todos, se quiserem, com as pilinhas uns dos outros e vão brincar para o caralho.


Bem hajam.
André Couto.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Hugo Almeida anuncia fim de carreira.

Foto: Google




Hugo Almeida irá anunciar o fim da sua carreira futebolística no final desta semana, revelam fontes próximas do jogador, internado do Hospital de Oslo devido a um ataque de cansaço.


Como resultado do facto do Professor Carlos Queirós não ter tido tempo de activar o roaming, não foi possível telefonar para Agostinho "Piloto Automático" Oliveira.


Como consequência dessa circunstância Hugo Almeida jogou 94 min, o que lhe provocou o já referido ataque de cansaço incontrolável.


Outra inerência da falta de comunicação entre o Seleccionador Suspenso e o Outro Que Não É Seleccionador Mas Está No Lugar Dele foi a convocação de última hora do guarda-redes Ricardo, que, como vimos, foi o infeliz titular da baliza no jogo de hoje contra a Noruega.


Agostinho "Piloto Automático" Oliveira declarou, na flash interview, que o Seleccionador Norueguês surpreendeu por não ter colocado em campo nenhum Bacalhau para segurar o meio campo.


Sem mais.


Bem hajam.

AC




segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não posso...

Foto: Google


Este fim de semana, na leitura de um artigo acerca da subida nas intenções de voto nos Ultraconservadores nos Estados Unidos da América, deparei-me com uma daquelas grandiosidades que nos "States" ocorrem com frequência e ajudam a definir, na minha opinião, o povo americano como um dos mais desprovidos de, digamos, inteligência.

O artigo, como referi, versava, entre outros assuntos, sobre o movimento do Tea Party e alguns dos seus senhores (não assumidos).

Um deles, David Koch, defendeu, um dia, medidas tão prudentes como:
abolição da segurança social;
abolição do sistema público de ensino;
abolição de todas as agências reguladoras;
abolição da CIA;
abolição do FBI.

BOA!!

A popularidade de Obama está a baixar.
A popularidade destes génios, dos quais faz parte a senhora da foto, está a subir.
Na minha óptica este exemplo já seria suficiente para atestar quanto ao enorme senso comum do American People, no entanto li só mais um aspecto que, esse sim, me fez perder o equilíbrio e abrir a boca numa amplitude que jamais pensei ser possível:

Segundo uma sondagem do Pew Research Centre UM QUINTO dos norte-americanos acredita ter um Presidente muçulmano.

Minha gente, são cerca de 310 000 000 de habitantes.
Se descontarmos 12 000 000 de imigrantes, passam a ser 298 000 000 de norte-americanos.

Ou seja,

São 59 600 000 pessoas a acreditar que têm um Presidente muculmano.

Acho que não vou escrever mais nada.
Pronto, já fechei a boca.

Façam o mesmo.

Bem hajam.

AC

Aniversário



Fez ontem 2 anos.

Bem hajam.

AC

sábado, 4 de setembro de 2010

Casa Pia




Terminou ontem uma fase do processo Casa Pia.
Iniciar-se-á a fase dos recursos.
Este foi, é, um processo monstruoso que tenta julgar crimes hediondos. Crimes que, se classificados como contra a Humanidade, não me chocaria a classificação.

Não vou entrar aqui no jogo perigoso e erróneo de tecer comentários quanto à qualidade da decisão do conjunto de juízes que deliberou estas, e não quaisquer outras, penas para os acusados. Não sou jurista nem advogado. Não conheço o processo, os arguidos ou qualquer vítima. Gostaria de acreditar que foi feita justiça.
Mas não posso. Porquê?
Explico.

A Justiça, em Portugal ou não, deve obedecer a um conjunto de imperativos que a limitam mas que, simultaneamente, a definem.

À Justiça, não basta ser Justa. Tem, necessariamente, de ser célere. Esta celeridade está consagrada na constituição Portuguesa e não foi, neste processo, minimamente respeitada. 8 anos de julgamento público e 6 anos de julgamento nos tribunais é um exagero. É demasiado penoso para arguidos e, sobretudo, vítimas.
Um acusado, mormente se inocente, deseja resolver as questões o mais rapidamente possível, provar a sua inocência (que terrível inversão esta do ónus da prova... não seria suposto o contrário??) e seguir com a sua vida.
Uma vítima necessita apenas que não duvidem dela, se encontrem provas dos factos, ver os culpados punidos, encerrar o assunto.

É tão simples. O que correu mal? A reflexão e devidas ilações deverão ser tiradas por quem de direito.


Para além da, como já vimos falhada, celeridade, a justiça na nossa pátria deveria possuir um predicado que está em falta no geral e neste caso em particular:

Dar segurança.

Seria espectável que após um qualquer julgamento todos os intervenientes, e também o público, ficassem com a percepção de que tudo foi bem feito e que a deliberação judicial não poderia ser posta em causa por nenhum argumento, nenhuma diligência questionável, nenhuma ilegalidade, nenhuma vírgula de nenhum parágrafo. Tudo isto seria possível porque a Justiça não seria nunca refém de nenhum interesse que não o real apuramento da verdade dos factos.

Será que algum de nós tem essa percepção de segurança desta decisão?

Eu não tenho.

A Justiça portuguesa enquanto sistema está tão mal vista que é mais ou menos lícito que toda a gente dela tenha dúvidas ou receio.

Já ouvi intervenientes no processo, com propriedade para o fazer, dizendo que muitos outros deveriam estar sentados no banco dos réus.
Se deveriam lá estar e não estão, sinto-me no direito de indagar se, fazendo uma inversão de raciocínio, todos os condenados serão, efectivamente, culpados.

Neste caso desde o início que fugas mais ou menos previstas surgiram nos média com o objectivo de criar uma multiplicidade de pontos de vista antagónicos que deixassem todos baralhados acerca do que estava, realmente, a acontecer.

Pois bem. Foram sucedidos.

O processo chegou a uma fase condenatória e ninguém tem a certeza de nada.

Espero realmente que, a bem da Justiça, todos os condenados tenham razões para o terem sido.

Só mais um facto.

Este tão chocante como uma outra qualquer ignomínia deste processo, passada numa rádio vocacionada para a Informação e, por essa circunstância, com maior responsabilidade na matéria e, logo, alvo maior para a crítica seguinte:

Passei a manhã de ontem, inteirinha, a ouvir os jornalistas da TSF dizer:
D. GeStrudes Nunes.

Inqualificável.

Bem hajam.

AC

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Derradeira Viagem

"Sinto na minha alma o aproximar dos teus passos.
Estremeço paralizado e incapaz de reagir com o temor que a tua vinda traz.
Preciso escapar mas o teu lúgubre arfar roça-me já o peito.


Força... tenho que ter força. Tenho que mover-me e fugir desenfreadamente.
Correr.. tenho que correr...
Mas porque não me mexo? Porque não reagem as pernas??


Chegas-te cada vez mais a mim. O teu fétido hálito inunda-me já de um incomportável vómito.
Tenho medo. Oh, como tenho medo!
Arde-me mais a pele por te saber chegar do que por saber que terei de te acompanhar.
Vem de uma vez, maldita! Nunca mais me alcanças??


Mas porque não me mexo???
Espera. Espera!! Não quero ir...
Não já. Não ainda.
Volta para trás! Recua no teu caminho e na tua resoluta intenção de me levar!!
Ainda não fiz o que devia. Ainda não vi tudo o que me estava destinado.
Ainda não abri os olhos... Sai daqui, por favor!!


Movimento... Uma brisa... O meu âmago estremece.
Estarei a evadir-me? Estarei a escapar??
Estarei cheio de vida novamente?
Terrível miséria. Estou gelado. A brisa é putrefacta.
Consciencializo o motivo do movimento e soluço um indizível choro.


A tua foice arrasta-me pela lama e com ela os restos daquilo que me tornei.

Desisto de lutar.

Até outro dia, Mundo.

Voltarei, talvez, e brilharei mais forte do que nunca. Mais intensamente do que fui desta feita capaz.




Um meu colega de trabalho está a morrer.

Foi-lhe diagnosticado algo que lhe tirará a vida porque o nosso conhecimento não chega ainda para nos livrar da morte sempre que ela se lembra que chegou a nossa vez.

Eu sei-o e ele também.

Hoje visitou a empresa onde trabalho e fiquei absolutamente desolado.
Não consegui dizer-lhe nada de relevante. Basicamente não fui capaz de articular mais do que meia dúzia de palavras.

Todos sabemos que a vida é a prazo. Não nos pertence.
Como imaginamos que a sua validade está onde a vista não alcança abstraímos-nos quase completamente da nossa finitude. Temos o fim traçado mas não anunciado.

Mas...

Como muda a perspectiva quando agendam a hora para o fim do que conhecemos por vida!
Nesta tomada de consciência não há qualquer libertação.

Como gostaria de ter dito o quanto lamento e o quanto desejo que tudo amanhã não fosse mais que uma terrível recordação de um terrífico pesadelo que afinal já passou..

Como gostaria de lhe ter incutido coragem, uma vez que a esperança é também já defunta..

A minha voz prendeu-se e a minha garganta fechou.

De nada fui capaz.

A vida é fodida.

Bem hajam."


Estas linhas foram a transcrição de um post de Setembro do ano passado.
Foi uma reflexão em forma de homenagem que aqui reitero.
Após o post transcrito tive oportunidade de estar com o meu colega algumas vezes e fui já, a custo, confesso, capaz de articular algumas palavras de ânimo e conforto que me haviam primeiramente faltado.

O sofrimento do meu colega foi definitivamente terminado, soube-o hoje, no passado dia 23 de Agosto de 2010.

R.I.P., caro Freitas.

AC.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

De volta à realidade.

Foto: Google
Boas tardes.

Decidi deixar aqui no vazadouro um inevitável (mas espectável) desabafo.
O motivo não será profundo, transcendente, brilhante, ou sequer interessante. No entanto, se até mentes brilhantes têm pensamentos prosaicos, também eu, mero escriba (escravo) das imposições do sentir, tenho aflições do mais vulgar que pode haver.

Ser ou não ser... Pensar ou nem por isso... Tudo isso é, momentanemente, secundário porquanto o mau estar é mais premente do que o raciocínio.

Pronto, deixo-me de subterfúgios.

O problema é:
Acabaram as férias...
Acabou o ócio...
Acabou o prazer de ser dono da totalidade do meu tempo, de ser senhor insubstituível da minha vontade.

Regresso amanhã, bem cedo, à labuta.

Pensamentos como "Trabalho para viver?" ou " Vivo para trabalhar? surgem sem convite.
Deixando-me aprisionar pela dicotomia, trabalho, seguramente, para viver.
Seria necessário sequer pensar para responder? Para alguns não tenho dúvidas que a questão imporia reflexão e dúvida.

Confúcio disse, (ou escreveu...) "Escolhe um emprego que ames e não terás que trabalhar um único dia!"

Sagaz, este Confúcio...

No primeiro impacto estas palavras quase que nos tolhem a concordar de tão definitivas que soam.
"Tem razão, o diabo do homem!!"

Terá, isto é, teria.

Nos dias de hoje a escolha efectiva do emprego que se deseja acarreta as dificuldades que todos conhecemos.

Nos dias de hoje a possibilidade de emprego afigura-se cada vez mais como um bem de obrigação imediata e não passível de grande escolha. Afinal, sempre é melhor comer logo a maçã do que esperar pela picanha que dificilmente será servida...

É certo que Confúcio não vive entre nós e, sobretudo, não vive(u) em Portugal...

É certo que nenhum argumento nega a verdade de raiz, inerente ao pensamento do "diabo do homem".

É certo... que amanhã não quero ir trabalhar.

Bem hajam.

André Couto.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Adeus, definitivo.

Foto: Google.
Ocorreu-me dizer adeus. Lavar os cestos, arrumar as alfaias. Fazer a perene despedida. Apagar o blogue e não mais aqui vir.

Escrever neste espaço traz-me, ocasionalmente, alguns contratempos de ordem pessoal sobre os quais não desejo nada explicitar. Seria, sem dúvida, uma solução simples e fácil, ainda que apenas aparentemente.

Voltar as costas às dificuldades é uma saída que, por vezes, se torna, para mim, demasiado atraente. Afinal de contas não estar perante um problema não será o mesmo do que tê-lo como resolvido?
Não. De todo, evidentemente. Será uma solução confortável mas acaba por nunca ser definitiva. As adversidades existem e fazem parte dos nossos dias. Voltar-lhes as costas apenas faz com que, momentaneamente, não as vejamos, mas por não estarem no nosso campo de visão não quer, minimamente, dizer que tenham desaparecido. É certo, e deveria ser, sabido que voltarão, talvez nas alturas mais importunas, juntar-se a tantas outras contrariedades, com um novo fôlego, uma nova pujança, encontrando-me com cada vez menos energia e, por isso, cada vez mais fragilizado.

Além de tudo o que escrevi juntam-se outras razões, mais profundas e mais fortes, que determinaram que não tenha terminado com este espaço e, provavelmente, tenham determinado uma ainda maior resolução a mantê-lo, cada vez mais amiúde e de modo progressivamente mais natural, gutural e poderoso: Necessito de partilhar o que sinto.

Sou um ser extremamente complexo e sanguíneo. Controverso e paradoxal. Analista de mim, dos outros e do mundo. Incapaz de conter no vaso que me sustenta esta enormidade de entidades que me habitam e, simultâneamente, me formam, condicionam e, muitas vezes, confundem.

Necessito deste lugar de reflexão, desabafo, exteriorização, expiação, extravaso e partilha.
Necessito do sentimento de totalidade e unicidade que escrever, ainda que por instantes apenas, me traz.
Preciso de me esvaziar para ser capaz de absorver o mundo que me rodeia.
Preciso de me libertar para me deixar prender à vida.
Preciso que, com o vosso ponto de vista, seja nesta casa ou na vossa, mudem o ângulo da luz que sobre mim incide e melhor consiga enxergar.

É então de um “Olá”, de um “Cá estou e estarei” que versa este artigo.
Não é uma despedida, mas uma chegada.
Não um “Adeus, definitivo”, mas um “Até já, breve.”

Bem hajam.
André Couto.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ir para dentro, cá dentro.


Saudações, pessoas esquisitas.

Encontro-me de férias. Estou a desfrutar desta porção de terra inglesa em pleno território luso: o Allgarve. (Noto que a correcção automática de texto não reconhece este vocábulo como pertencente à Língua Portuguesa. Deixem-me tentar em Inglês… não, o resultado continua a ser um sublinhado a vermelho. Talvez este computador não esteja actualizado ao novo acordo ortográfico ou não identifique palavras em Socratês. Decididamente vou comprar um Magalhães na esperança que situações destas não se repitam. Adiante.)

Nos tempos dedicados ao ócio dou por mim a questionar a minha existência. Os meus actos, frutos do meu temperamento. Analiso-me ao milímetro. Cada segundo de reacção esmiuçado em minutos de divagações introspectivas. Tempo não me falta. Reagir é uma inevitabilidade. Pensar a vida, para mim, uma incontornável obrigação.

Ao vasculhar-me descubro uma perene coerência de comportamento que tento diagnosticar a origem. Surgem-me várias possibilidades, no entanto, no que a análise comportamental diz respeito, é difícil empregar o método científico da experimentação para obtenção de resultados e respectivas conclusões, mormente quando somos cobaia e cientista, médico e paciente. O emaranhado é de angustiante densidade tendo como obstáculo a impossibilidade de distanciação, tão necessária para as almejadas ilações.

Desbravando a virgem floresta do meu âmago noto que desde que a memória me habita vivo em função de terceiros. Cresci tentando agradar aos pais, aos professores, aos colegas, à namorada. Sinto que sempre busquei aprovação de todos para me sentir bem comigo mesmo, receando que se assim não fosse algum deles me reprovaria. Com medo de ser colocado de parte por não ser suficientemente bom acabei por me anular incontáveis vezes. Como se receasse ser aniquilado por não agradar, acabei por me ir apagando.

Este modo de proceder teve influências no meu desenvolvimento que me moldaram de tal forma que ainda hoje dou por mim a fazer exactamente a mesma coisa. Em situações quotidianas, de maior ou menor dimensão, o certo é que a falha está lá, manifestando-se em pequeninas coisas que vão crescendo dentro de mim até se tornarem insuportáveis. São pensamentos abafados, opiniões silenciadas, risos forçados, simpatias fingidas, antipatias disfarçadas. E tudo se acumula em mim até não mais ser capaz conter. Mesmo aí, ao invés de explodir completamente, refugio-me em mim e procuro afastar-me. Digamos que não suporto a situação mas não consigo enfrentá-la e por isso fujo. Porquê? Porque ainda assim é, para o meu filtro comportamental mais aceitável que me sintam afastar, ainda que não gostem nem percebam, do que levarem com anos de situações e opiniões numa singela mas brutal explosão de raiva. Ou seja, no centro de tudo, continua sempre presente o medo de que não aceitem a minha opinião, a minha forma de ser.
Porquê tanto medo?

Essa é a resposta que procuro. Busco para mim uma segurança que me permita expressar na realidade e na totalidade o que penso a cada momento sem me preocupar com a resposta que dos outros irei obter. Até hoje não consegui a encontrar. Não sou capaz de alcançar algo que para muitos é tão prosaico que nem lhes passa pelo espírito pensar nisso, no entanto, reitero, simplesmente não sei como fazê-lo. Não obstante, sou da opinião que o primeiro passo para a resolução de um problema é identificá-lo como tal. Veremos se assim será.

Lúcia Etxebarria escreveu no seu romance intitulado “O visível e o invisível” uma passagem que traduz o que tenho pensado, sentido e vivido por estes dias, embora partindo de um outro ponto de partida:

A fama é um labirinto de espelhos deformantes: se uma pessoa se define consoante os outros, se se vê a si própria consoante a reacção que provoca nos outros, como será possível ver-se multiplicada em milhões de espelhos diferentes que se cegam uns aos outros com os seus reflexos?


Bem hajam.

André Couto.